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Drácula de Bram Stoker
Postado em 11 de Discórdia de 3174 YOLD , às 5:49:88 View CommentsDepois de ler o excelente artigo sobre o Drácula no Parem o Mundo (com o qual eu concordei, viu? E muito) me lembrei que nunca tinha blogado sobre o fato de que eu já li o livro “Drácula”, de Bram Stoker. Sim, o clássico. Esse mesmo.
É um livro maravilhoso, devo dizer. Aquilo sim é que é terror. O meu irmão tinha/tem esse livro, uma versão capa-dura marrom, com letras douradas bem naquela tipografia “draculeana”, sabe? Letras do tipo máquina de escrever por dentro. Livro velho. Esses detalhes são incríveis porque fazem to-da a diferença. Já que você só conta com a ambientação da sua imaginação quando lê um livro, ter a ajuda do próprio livro é muito legal. É como ler um livro de ficção científica no Kindle, da Amazon. Faz (ham-ham, deve fazer) toda a diferença.
Enfim, com o envoltório já me envolvendo (hã? hã?) na história, lembro-me de ler no silêncio uma história pesarosa, lenta, contada com tranquilidade, porém firmeza. Na verdade, é um livro que o tempo todo te prepara para a grande revelação final. As coisas vão acontecendo aos poucos, mas nada muito assustador. As coisas acontecem mesmo no final.
É um livro organizado por diários, então é preciso estar atento para as datas, caso contrário a pessoa se confude. Mas é um livro excelente.
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A essência dos filmes de terror
Postado em 24 de Caos de 3174 YOLD , às 3:39:69 View CommentsEu escrevi um texto depois de ver “O Chamado” pela segunda vez, mas eu achei particularmente uma bosta (o texto, não o filme, que por sua vez é excelente), então resumi tudo pra fazer esse post: os personagens principais dos filmes de terror, eles precisam morrer. É uma necessidade imperiosa, porque é disso que se tratam os filmes de terror, é isso que ensinam: não importa o quanto você tente derrotar a morte, ela é sempre mais poderosa.
Os personagens principais são os únicos que conseguem ver os símbolos que os filmes usam para a morte – monstros, assombrações, etc. Quando dizem isso a alguém, são tachados como “os loucos que vêem coisas” – ou seja, o velho conselho da ignorância: vamos, divirta-se, não pense sobre a sua morte, há coisas mais importantes pra pensar, como gastar dinheiro, por exemplo. Mas as pessoas são persistentes, elas pensam e vão mais fundo tentando descobrir a história por detrás das assombrações. Tentam vencê-las. Mas não dá.
Isso, é claro, revela outras interpretações, como o fato de que só morrem os bobos que vão atrás da história, tentando descobrir o que está acontecendo – o que reverte a inteligência e a sutileza dos filmes de terror para uma verdadeira aula de religião: não descubra a verdade, você está mais seguro sem ela… Se bem que nunca assisti a um filme de terror aonde um personagem se recusa a ir atrás da assombração e ele sobrevive. Humm…
Eu vou parar por aqui, vocês já me entenderam…
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Gritos Mortais e Sunshine – Alerta Solar
Postado em 69 de Burocracia de 3173 YOLD , às 3:65:05 View CommentsRecomendo ambos os filmes, mas atenção aos públicos:
Gritos Mortais aparenta ser um filme de terror, mas não é. Sinceramente, a pessoa que se assusta no decorrer desse filme tem que ter uma gigantesca predisposição ao medo, sendo bem sincero. Ele simplesmente não consegue dar um susto sequer; é muito fraco nesse quesito. Entretanto, a história em si que parece enfadonha aos poucos desperta uma mínima curiosidade.
Enquanto espera por sustos e coisas do gênero, o espectador se vê num ambiente de tensão, que, por falta de sustos, logo se destrói pra dar lugar a uma confortável investigação. Já disse, não é o que se espera de um filme de terror – pelo menos não dos bons. É mais um suspense.
Ainda que você veja o filme e resolva parar na metade, abdicando do final, eu recomendo que não o faça: o final é a melhor parte, quiçá a única boa, do filme todo. Ainda que você não tenha gostado do filme, ao assistir o final (e tê-lo compreendido durante todo o resto) você vai ter que admitir que de fato ele é genial.
Quanto a Sunshine, ele é um filme psicodélico. Ele tem um clima visual que faz um equilibrio muito bom entre a intensa luz solar (que às vezes chega a irritar, porque a tela fica toda branca e não é possível enxergar coisa alguma) e a escuridão da triste situação na qual se encontram. Não há nenhum prefácio épico-apocalíptico: não existe nenhum drama ambientado na Terra que passa para o espaço, enfim, em outras palavras, não há enrolação. Não há nenhuma grande história de heroísmo.
Agora, o que há é o roteiro excelentemente bem escrito; efeitos especialmente primorosos; uma interpretação magnífica; uma trilha sonora brilhante; uma fotografia que assusta com as pseudomensagens subliminares (se você já viu, sabe do que eu estou falando) e com o jogo de distorções no suposto “vilão” da humanidade; etc e etc. Devo avisar também que tem um começo que promete muito, mas que não cumpre logo de cara.
Agora me vem à mente uma boa comparação: já ouviu Snow Patrol? Eu apelido suas músicas carinhosamente de músicas ascendentes. Elas começam lentas, e vão crescendo em volume, em intensidade, enfim, é um delírio de construtividade sensitiva. Não sei se já existe um nome para isso (Pff, que dúvida…), mas é assim que as chamo, apenas para mim.
Sunshine é assim. Ele não te envolve da mesma maneira que Gritos Mortais, te envolve de uma maneira única. Isso porque Gritos Mortais se trata de algo que você já está careca de saber ser irreal – enquanto em Sunshine tudo não é apenas científico demais, mas também seus acontecimentos possuem uma face muito humana, que logo contrasta com algumas crenças profundas do moralismo atual.
Resumindo, é um filme que começa de forma a prender sua atenção, fazendo você apostar nele; no começo, você tende a desistir, mas essa parte é essencial porque você começa a se familiarizar e, sem nem perceber, a estar ali, vivendo tudo aquilo. Quando você menos espera, sua respiração está presa e seu coração bate em um ritmo incrível diante daquela cena onde eles precisam fugir da Icarus I, depois que as duas naves se desatrelam… Enfim, é um filme que te domina, te envolve e faz você pensar de uma maneira incrível e rever sentimentos que talvez tenha superado há tempo – ou esquecido.
E outra: esse é o filme com a crítica mais saudável e mais maravilhosa possível à religião. Ali não existe crítica aberta. O que existe é uma participação importantíssima da religião, que toma corpo no final. Ou seja, esse filme promove uma discussão interior que qualquer religioso enfrentaria, pode ter certeza. Isso tudo com uma audácia incrível, sem jamais declarar guerra, sem jamais tomar partido.
Um dos meus filmes prediletos, sem dúvida nenhuma.





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