E também o assassinato de outros deuses
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  • Ficção

    Postado em 27 de Discórdia de 3174 YOLD , às 4:23:82 Canedo View Comments

    Não pude deixar de copiar…

    “O ser humano cria muitas ficções, e começa a crer nelas, como se fosse a realidade, o amor, deus, alma.
    A ficção é visualizada, criam-se expectativas, e suas subsequentes desilusões.
    Quem se casa, por insegurança de ficar sozinho ou perder o companheiro/a, se desilude com a traição e com o abandono.
    Algumas ficções são tão grandes e sacramentadas que vivem quase que enraizadas no ser, a religião por exemplo, chega a ser presunção, achar que existe uma resposta pra tudo, e até mesmo o sem resposta tem resposta (ELE). Existe um aborígene em cada um de nós que vai cultuando o deus-sol (o cara aparece todo dia, traz luz e calor, é um deus!). Aliás, vou começar a cultuar o sol. Ele é brilhante, e só deve deixar de aparecer todo dia daqui alguns bilhões de anos, onde eu não precisarei mais me importar com frio.
    Até a ciência é um tipo de ficção… melhor do que a porcaria cheia de superstições, pelo menos, mas é um tipo de ficção, todos os nomes científicos são apenas os papéis cujos objetos reais atuam.
    Toda a realidade é criação da nossa mente. Somos nós quem chamamos isso aqui de computador, de mesa, de celular…
    Tudo não basta de uma convenção. O papel colorido com bicho em extinção que suamos para conseguir e nos prostituímos pra comprar coisas que não precisamos é outra ficção. (Já pagou suas prestações?)
    Ora, quem não gosta de um brinquedo novo?
    E isso colabora para com a minha outra teoria, a de que somos todos crianças. O adulto é só uma criança que acredita na ficção de que existem adultos. Adultos, pessoas mais velhas, dignas de mais respeito (geralmente não).
    E o “adulto” é uma criança tão presunçosa, que se acredita um adulto, e acha essa teoria toda um absurdo, afinal: “Ora, eu cresci, não posso mais brincar, tenho que ganhar algo em troca!”.
    Mas aí está UM dos erros (sim, um, existem muitos outros, e eu estou até sendo otimista). O adulto também brinca. A diferença é que ele chama os brinquedos de “bens materiais” (não que um não deixe de ser o outro, e vice-versa…), carro, celular, computador, são apenas brinquedos caros.

    Depois desse papo todo de ficção, uma das vozes na minha cabeça resmunga “Tá mas e daí?”
    E daí que se soubermos o que é ficção, podemos ir atrás da realidade.  “E o que é a realidade?” Boa pergunta.”

    Adaptado daqui.

    PS: Quem puder, coloca a TV na TVEscola, tá passando uns documentários muito feras sobre o cosmo, big bang, 4ª dimensão…

  • Gritos Mortais e Sunshine – Alerta Solar

    Postado em 69 de Burocracia de 3173 YOLD , às 3:65:05 Peterson Espaçoporto View Comments

    Recomendo ambos os filmes, mas atenção aos públicos:

    Gritos Mortais aparenta ser um filme de terror, mas não é. Sinceramente, a pessoa que se assusta no decorrer desse filme tem que ter uma gigantesca predisposição ao medo, sendo bem sincero. Ele simplesmente não consegue dar um susto sequer; é muito fraco nesse quesito. Entretanto, a história em si que parece enfadonha aos poucos desperta uma mínima curiosidade.

    Enquanto espera por sustos e coisas do gênero, o espectador se vê num ambiente de tensão, que, por falta de sustos, logo se destrói pra dar lugar a uma confortável investigação. Já disse, não é o que se espera de um filme de terror – pelo menos não dos bons. É mais um suspense.

    Ainda que você veja o filme e resolva parar na metade, abdicando do final, eu recomendo que não o faça: o final é a melhor parte, quiçá a única boa, do filme todo. Ainda que você não tenha gostado do filme, ao assistir o final (e tê-lo compreendido durante todo o resto) você vai ter que admitir que de fato ele é genial.

    Quanto a Sunshine, ele é um filme psicodélico. Ele tem um clima visual que faz um equilibrio muito bom entre a intensa luz solar (que às vezes chega a irritar, porque a tela fica toda branca e não é possível enxergar coisa alguma) e a escuridão da triste situação na qual se encontram. Não há nenhum prefácio épico-apocalíptico: não existe nenhum drama ambientado na Terra que passa para o espaço, enfim, em outras palavras, não há enrolação. Não há nenhuma grande história de heroísmo.

    Agora, o que há é o roteiro excelentemente bem escrito; efeitos especialmente primorosos; uma interpretação magnífica; uma trilha sonora brilhante; uma fotografia que assusta com as pseudomensagens subliminares (se você já viu, sabe do que eu estou falando) e com o jogo de distorções no suposto “vilão” da humanidade; etc e etc. Devo avisar também que tem um começo que promete muito, mas que não cumpre logo de cara.

    Agora me vem à mente uma boa comparação: já ouviu Snow Patrol? Eu apelido suas músicas carinhosamente de músicas ascendentes. Elas começam lentas, e vão crescendo em volume, em intensidade, enfim, é um delírio de construtividade sensitiva. Não sei se já existe um nome para isso (Pff, que dúvida…), mas é assim que as chamo, apenas para mim.

    Sunshine é assim. Ele não te envolve da mesma maneira que Gritos Mortais, te envolve de uma maneira única. Isso porque Gritos Mortais se trata de algo que você já está careca de saber ser irreal – enquanto em Sunshine tudo não é apenas científico demais, mas também seus acontecimentos possuem uma face muito humana, que logo contrasta com algumas crenças profundas do moralismo atual.

    Resumindo, é um filme que começa de forma a prender sua atenção, fazendo você apostar nele; no começo, você tende a desistir, mas essa parte é essencial porque você começa a se familiarizar e, sem nem perceber, a estar ali, vivendo tudo aquilo. Quando você menos espera, sua respiração está presa e seu coração bate em um ritmo incrível diante daquela cena onde eles precisam fugir da Icarus I, depois que as duas naves se desatrelam… Enfim, é um filme que te domina, te envolve e faz você pensar de uma maneira incrível e rever sentimentos que talvez tenha superado há tempo – ou esquecido.

    E outra: esse é o filme com a crítica mais saudável e mais maravilhosa possível à religião. Ali não existe crítica aberta. O que existe é uma participação importantíssima da religião, que toma corpo no final. Ou seja, esse filme promove uma discussão interior que qualquer religioso enfrentaria, pode ter certeza. Isso tudo com uma audácia incrível, sem jamais declarar guerra, sem jamais tomar partido.

    Um dos meus filmes prediletos, sem dúvida nenhuma.