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Conhecendo pessoas
Postado em 53 de Burocracia de 3174 YOLD , às 3:33:85 CommentsHá três tipos de sentimento quando conheço uma pessoa: a sensação de que ela é muito parecida comigo em alguns elementos fundamentais, o que é bem divertido e me deixa bem à vontade; a sensação de que ela é diferente e que é muito legal conviver com essas diferenças e aprender com elas, o que também é muito divertido, embora dependa de muitos fatores pra que eu fique à vontade ou não; e a sensação de que ela é diferente de um jeito insuportável. Neste último caso, existem profundas diferenças no modo como vivemos, pensamos, agimos. Não que eu não conviva relativamente bem com este último tipo, mas estar em presença dessas pessoas me deixa irritado, incomodado, em constante estado de “alerta” psicológico.
Talvez seja possível que cada um faça uma auto-avaliação perguntando-se, afinal, o que é que a deixa em constante estado de “alerta”, e por que; Ou se existem poucas pessoas que a despertem uma alegria pelas diferenças ao invés de pelas semelhanças; Ou ainda o que divide o segundo tipo do terceiro tipo, e por aí vai. É um bom exercício, até.
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Melhores
Postado em 17 de Confusão de 3174 YOLD , às 8:00:51 CommentsJulgar as pessoas é inevitável, tentar reprimir isso só causará frustração. O máximo (quer dizer, o mínimo) que podemos fazer é saber que isso é só uma grande armação, uma arapuca, como dizem em uma língua qualquer de índio. A partir daí, o legal é arranjar meios convincentes de destruir a primeira impressão – algo como “Ok, fulano, me dê um tempo pra que eu me surpreenda com você”.
O que dá pra fazer é julgar as pessoas por mais quesitos, e também mais complexos, por exemplo, pra evitar uma eventual superficialidade.
Já dizia um amigo que ninguém é superficial; mas quando você abdica de sua “potencialidade” você acaba se tornando uma péssima companhia, uma pessoa que busca ser rasa; os rasos são aparência e “basicidade” (básicos) e assim querem permanecer, ao custo de não mais terem qualquer margem de mistério ou sutileza nas palavras e no olhar. Moda, por exemplo, julgar alguém pelo que a pessoa usa funciona pra estereótipos e pode servir pra te livrar de assaltos, mas julgar-se superior por “estar na moda”, por exemplo, é muito, muito raso.
Por isso, use vários critérios pra julgar as pessoas; assim pelo menos você olha a pessoa de vários ângulos, e se algum deles for ruim, não tem importância mesmo.
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Tudo Não Passa de Invenção
Postado em 28 de Discórdia de 3174 YOLD , às 6:68:03 CommentsTalvez tudo não passe de invenção, uma invenção humana, os sinais sonoros, a energia, a chuva, as ondas, os raios… talvez isto só exista porque os homens querem que isto exista, para a natureza isto não passa de um de seus meios para sustentar o planeta (não que eu acredite, mas admiro a teoria), não que eu esteja ficando ambientalista demais, mas tudo não passa de uma convenção, o homem não inventou a energia, nada seria possível sem a natureza, o homem apenas observa a mãe terra, o homem aprende com a natureza, tenta copiar ciclos naturais, fazer o artificial.
Talvez seja neste ponto que quero chegar, nossas vidas estão muito artificiais, preciso (todos nós precisamos) de uma vida mais pequena, não em tempo, mas em tamanho.
Sempre sonhei conhecer o mundo inteiro, Paris, San Francisco, Tokyo, Madrid, Melbourne, mas percebo que eu não necessito disto para viver, e talvez conhecer apenas um destes locais me faça uma pessoa melhor, eu paro de absorver um pouco de cada lugar e me especializo em um assunto, em uma cidade, assim como nos especializamos em profissões, parar de ser cigano.
Ou talvez eu esteja completamente errado, temos de parar de nos especializar e virarmos ciganos, viver de galho em galho como nossos antepassados. Como acabei de dizer, talvez eu também necessite de grandes overdoses de caos.
PS: É impressão minha ou o google está off?
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Coisas que ninguém fala sobre células-tronco
Postado em 25 de Discórdia de 3174 YOLD , às 7:11:37 CommentsPor que, num debate contra religiosos sobre pesquisas com células-tronco embrionárias, as pessoas não perguntam: “pra onde vai, segundo o mindset de vocês, o embrião morto? Pro céu ou pro inferno? Por quê?
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O meu medo, um medo devereas bem recente, é verdade, é o de as pesquisas trazerem os milagres para a espécie humana. A ausência de milagres é uma condição fundamental para o funcionamento da vida filosófica humana, principalmente a dos não-filósofos… Tanto a aceitação das adversidades quanto a batalha contra elas precisa de discernimento; demanda uma análise razoável da realidade que só pode ser feita num cenário estável – não importa se verdadeiro ou falso, mas pelo menos estável. Os milagres não só bagunçam o meio-de-campo; eles terminam o jogo.
E o que eu penso é que essas coisas que antes eram irreversíveis agora vão ser curadas, e isso é bom – mas ao mesmo tempo dar-se-á menos importância para essas coisas irreversíveis. Mas, essa é a idéia, não? O espírito do jogo. A ciência e a tecnologia progridem; quando curaram a tuberculose, fizeram a mesma coisa, e hoje em dia ninguém banalizou a tuberculose. Enfim, as ciências seguem seu curso. Para o bem e para o mal, whatever that means.
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Leis de Celine
Postado em 18 de Discórdia de 3174 YOLD , às 7:62:03 CommentsAs Leis de Celine são três leis formuladas por Robert Anton Wilson através de seu personagem Hagbard Celine, no romance Illuminatus! Trilogy. Essa três leis são muito interessantes, mas gostei em especial da segunda, justo aquela que é, segundo Celine, “Uma simples afirmação do óbvio”.
1. Segurança nacional é a principal causa da insegurança nacional
Essa é clássica: com medo do que os outros países podem fazer com seu povo, um Estado acaba oprimindo ainda mais seu povo, velendo-se da desculpa do terrorismo, por exemplo, para prender, matar, invadir a privacidade, etc.
2. Comunicação acurada só é possível em uma situação não-punitiva
Ou, como Wilson costumava reformular, “Comunicação só pode existir entre iguais”. Em qualquer estrutura hierárquica, existe uma pressão social imperceptível que faz com que todas as pessoas que estejam abaixo de alguém se comuniquem com quem está acima de forma interessada; ou seja, omitindo ou falsificando informações para evitar uma punição, e fazendo o mesmo para alcançar um benefício, por exemplo.
Quando uma pessoa, por tanto, usa de autoridade para com a outra, a relação entre elas é proporcionalmente mais falsa e imprecisa, pois o dominado tende a querer agradar quem está acima e evita desagradar quem está acima. A verdade é assim manipulada de forma que ela não se torna mais importante.
A dependência das pessoas sempre forma uma estrutura hierárquica, e por isso qualquer pessoa que depende de outra está sujeita a esta regra. Se eu dependo de alguém para eu comer, por exemplo, eu não vou falar algo que a desagrade, mesmo que seja verdade, porque corro risco de perder o alimento. E, ao mesmo tempo, tenderei a concordar com a pessoa sempre, mesmo que não seja verdade o que ela disser, para garantir a simpatia e a boa vontade da pessoa.
Na famosa “paixão avassaladora”, o “amor romântico”, entre outros, ocorre a mesma coisa. Se um menino bobo se apaixona loucamente por uma menina de gostos muito diferentes, ele tende a representar o papel de “objeto de desejo” da garota, mesmo que essa não seja a realidade, porque a paixão faz com que ele dependa dela, coloca ela acima dele, e assim ele mente para ela para evitar ser punido, e para ganhar algo. Ou seja, uma relação fundada na mentira.
3 – Um politico honesto é uma calamidade pública
Enquanto um político corrupto está preocupado em roubar uma parte do dinheiro público, um político honesto está preocupado em criar leis que supostamente “melhoram a vida das pessoas”.
Para Celine, leis criam criminosos. Leis inerentemente restringem a liberdade individual, e apenas através de excessiva legislação é que tiranis podem ser exercidas – é através das leis que o Estado intervém na esfera individual do cidadão.




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