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Invisivelmente, do Aerocirco, e Depoimento
Postado em 27 de Confusão de 3176 YOLD , às 5:73:08 View CommentsHoje a banda Aerocirco (@aerocirco) lançou seu mais recente CD, Invisivelmente, pela internet — download gratuito no site da banda, www.aerocirco.com.br. E eu estou aqui para recomendar essa banda catarinense (agora morando em São Paulo) de muita qualidade.
Desse CD o público que acompanha a banda já conhecia as músicas “Não Me Leve a Mal” e “Faz de Conta”, mas todo o resto do material é de inéditas. Logo de cara a música que inicia é Última Estação. É uma música muito bonita, mas eu acho que peca um pouco por ter um ritmo que cria muita expectativa — depois de um tempo, principalmente com a bateria, você fica esperando por um refrão poderoso que possa ficar cantando com vontade… Mas ele não chega. E depois de um tempo você fica “tá, espera… Essa parte aí é o refrão!”, então sei lá, a música acabou ficando meio incompleta. Pelo menos senti assim.
Aí vem Ninguém Vai Desistir de Você, uma música mais forte e, essa sim, com um refrão mais presente, uma coisa mais marcante… Ainda que demore pra se perceber isso também. Em Invisivelmente temos bastante poesia numa música mais interessante. Depois Não Me Leve A Mal, divertida e, depois de um tempo, bem viciante!
Então vem O Rei. Essa música me lembra bem essa posição de começo de meio de CD. Isso porque essa região costuma ser a mais irrelevante nos CDs quando são daquele jeito comum: começam bem, têm algumas músicas que todo mundo passa no meio pra chegar logo nas últimas, em que ele fica interessante de novo. Essa música, entretanto, apesar de parecer irrelevante, é na verdade bem legal e é uma que eu não pularia de jeito nenhum!
Ontem ficou realmente muito, muito bonita — mas o uso dos instrumentos extras não conseguem tirar o título de mais bonita pra uma que vem depois. Mas ainda assim ficou muito, muito boa! Tem um feeling bem campestre, meio folk, não sei. A voz do Della ficou muito massa. Muito, muito foda! Depois vem Faz de Conta, bem massa, como já conhecemos.
Aí chega a obra-prima, a música que faz todo o CD valer à pena: O Resto Tanto Faz. Linda, linda, linda. Muito boa, muito bem tocada, muito bem feita, muito demais! Depois vem outra que não quer ser a mais bela, mas tem o refrão mais poderoso da compilação — aquele que faltou pra Última Estação: Cedo ou Tarde. É uma das músicas mais gostosas de escutar. Essa, junto com O Resto Tanto Faz, O Rei, até Invisivelmente um pouco, é uma inédita que dá vontade de ouvir várias vezes depois da primeira vez que se ouve… De novo e de novo e maais uma vez…
A Última Pílula tem uma melodia muito legal que também te prende. Amanhã é uma música foda, que ainda consegue a proeza de valer muito à pena depois da dupla O Resto Tanto Faz / Cedo ou Tarde. É um CD que vale muito à pena ouvir do começo ao fim porque ele permanece muito, muito bom… E esse refrão de Amanhã é muito bom. Uma power ballad muito forte do CD. E aí, pra fechar, Nem Tudo é Tudo. Começa prometendo uma música bonitinha, mas depois logo mostra ao que vem. Essa, por mais que o Aerocirco tenha impresso sua marca ao longo do CD, é a música que mais lembra… Aerocirco!
Enfim. Depois de ouvir esse CD várias e várias vezes (como vocês podem ver se forem ao meu last.fm agora) eu tenho a impressão de que o Aerocirco cresceu muito liricamente. Está naquela fase que está prestes a chegar a algo maravilhoso, mas primeiro precisa sair da zona de conforto em que cresceu. A vantagem é que quando as bandas fazem isso costumam desagradar e fazer merda; o Aerocirco, em contrapartida, conseguiu fazer um álbum excelente que marca esse provável início de nova fase. Vem muita coisa impressionante por aí, eu sinto isso, mas por enquanto temos esse álbum sem uma chuva de hits como é Liquidificador, mas ainda assim um crescimento!
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Minha abstinência de blogagem acabou fazendo com que eu deixasse de compartilhar com vocês a música que eu gravei pra minha namorada, Aline Schvartz (@AlineSchvartz). Eu a compus há algum tempo e muita gente que frequenta o blog sabe que não é a única que eu escrevi (longe disso EHEHAEH) mas foi a primeira que eu fui pra estúdio gravar.
O estúdio fica aqui perto de casa, na casa de um amigo de um amigo, mas apesar de não ser assim profissional no sentido de você passar pela frente e ver o estúdio e tal é um lugar muito, muito interessante e legal =) Estar em estúdio foi uma experiência bem boa, ainda que eu tenha cantado — tive que fazer isso já que era eu e eu mesmo, sem uma banda… Enfim, está aí embaixo =)
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O Planeta Atlântida 2010
Postado em 17 de Caos de 3176 YOLD , às 5:61:33 View CommentsBom.. Como os que me seguem no Twitter devem saber, eu fui ontem à décima-terceira edição do Planeta Atlântida SC. Pra quem não o conhece, ele é um festival musical, provavelmente o maior do sul do Brasil ou algo do gênero. Chegamos lá eu, o João e a Juliana por perto das três horas; o portão abriu às quatro, os shows começaram às seis e pouquinho e saímos de lá perto das quatro horas da manhã. Vou expor minha opinião sobre o que vi lá:
Foi algo legalzinho. Foi bom, não foi ruim, mas, como definiria Ju na volta pra casa, nada que nos fizesse querer voltar de novo, e infelizmente creio que este foi mesmo o último (pra eles, o primeiro e também o último). Vejamos o porquê.
Eu serei bem conservador, e vocês talvez concordem comigo. Ano passado houve já muita polêmica quando anunciaram que um dos shows do palco principal seria nada mais nada menos que Vítor & Leo (Ou Victor, sei lá como se escreve o nome). Muita gente ficou puta da cara, etc, enfim. Esse ano a coisa foi ainda pior. Além do Axé — que já vinha de outros anos e só trouxe até hoje Ivete Sangalo e Cláudia Leite, que são bem pop, de forma que o Axé não fica tão evidente e não apela tanto só pra um público — trouxeram também pagode e sertanejo universitário de novo. O ponto positivo é o seguinte: vários estilos se misturam, pessoas variadas se encontram, etc etc etc. Aquela coisa de sempre.
Agora vamos cair na real.
Antigamente, o Planeta era um lugar para o rock. Podia não ser o mais “roots” ou “tr00″ dos rock’n'rolls, era sim uma coisa comercial (obviamente)… mas era rock, rock-pop, etc. Então o que acontece: como o sul do Brasil – especialmente Florianópolis – é um cu pra shows, o Planeta era a seleção brasileira do rock-pop nacional. Você podia ver de vez em quando Paralamas do Sucesso, Titãs, Skank, Raimundos, Charlie Brown Jr., Pitty, etc, aqui. Mas todos eles JUNTOS?! Era essa a mágica do Planeta.
Sob essa lógica, se percebe que, obviamente, o público era mais limitado. Era restrito, é verdade. Mas o que acontece: geralmente quem gosta de uma dessas bandas gosta das outras também, ou pode pelo menos suportar de um modo minimamente prazeroso. Então quando você ia pro Planeta, você ficava virado para o palco principal e aproveitava 80%, 90% do show.
Então, o que acontece? A frase que resume a evolução (?) do planeta foi “mais quantidade, menos qualidade”. Porque ao colocar pagode, sertanejo, música eletrônica e o diabo ali, CERTAMENTE muita gente que antes não sentiria a menor vontade de estar ali agora estaria. Ou seja, o público ficou dez, vinte vezes maior.
Em compensação, quem veio pra ver Cine, Hevo 84 e Fresno provavelmente vai odiar ou pelo menos não gostar ou não-ligar-para todas as outras apresentações. Quem veio pra Exaltasamba e Ivete Sangalo também não devia estar muito aí pra todo o palco alternativo e várias outras coisas do palco principal. Digam-me: e quem veio pra ver Glória? Glória é o tipo de screamo que segrega fãs desse rockzinho tosco do mainstream. Quem gosta de Glória provavelmente gostava de muito pouco do resto das coisas. Detonautas? Quem sabe, Fresno?
Nós três mesmos, nós fomos pra apoiar e prestigiar o Aerocirco, banda de Florianópolis mesmo que nunca teve grande apoio da mídia e aquele negócio todo. Porque sabe como é, banda de florianópolis não se cria. Já é difícil se criar aqui, quanto mais pra fora da cidade e do estado. É uma merda isso, mas é a realidade; se o Brasil fosse o mundo Floripa seria a França musical. Então como foi muito massa isso de eles tocarem — no palco principal — Eu não podia deixar de estar de lá. Então fui. Mas tirando isso, os outros shows ou não interessavam muito ou não foram tão bons pra gente. Ou seja: aproveitamos menos de 30%, 20% da noite. Mais quantidade, menos qualidade.
Veja, eu estou sendo, justamente pelo argumento da consistência e quality over quantity, não a favor só do rock, mas contra essa mistureba toda. Quer fazer um festival de axé? Sim, ótimo! Um de pagode? Great! Mas não coloque CPM22 no meio, oras.
O Primeiro Dia: TV
Eu vi parte dos shows do primeiro dia pela televisão. O planeta foi aberto pela banda chapecoense Santo Graau. Pra começar pelo nome, isso é de propósito mesmo? Que coisa mais feia. É Graal, porra! Mas enfim. Não achei nada demais. Músicas mais ou menos. Foda é que eles começavam uns covers e não terminavam. Isso é tipo o pecado capital de um show ou de um set de DJ. Me dá um ódio mortal e eu sei que eu não sou o único. Porra, quando começaram a tocar AC/DC, Rage Against The Machine, etc, quem gosta da música fica empolgado, acha foda, se anima todo pra cantar junto e tal. Aí dez segundos depois eles param. FFFFFUUUUUUUU— Que inferno.
Bom, passando à frente, temos Armandinho. Um saco. Próximo.
O show da Pitty. O show da Pitty foi fantástico. Foi muito foda. Muitas músicas do CD novo, que eu não conheço, mas até onde vi são músicas interessantes. Eu achei que ela tinha ficado bem menos rock por causa de “Me Adora” mas ela ainda manteve uma sonoridade interessante e relativamente fiel, mesmo experimentando mais. Eu gostei. E eu achava que não seria bom porque a apresentação de “Me Adora” no VMB do ano passado havia sido muito #fail. Mas, in fact, o fim do show dela foi um EPIC WIN. O guitarrista fez um solo muito bom e a Pitty foi pra bateria. Foi surpreendente e muito bom. Depois, nos bastidores, eles até comentaram que fazia muito tempo que ela não tocava bateria. Poxa, muito especial e interessante.
Depois veio Charlie Brown Jr. Um babaca completo. Não vou nem comentar.
Depois dele acho que veio Vítor e Leo (é, de novo esse ano), depois Cláudia Leite e etc. Não vi; fui dormir.
Segundo Dia: Ao Vivo
O show atrasou, mas não tanto quanto o do primeiro dia (os shows atrasaram duas horas e meia na sexta). O show do Aerocirco foi simplesmente demais, foi foda. O único problema é que, bem, muita gente não estava ali pra vê-los, mas pra ver o cocô do Fresno, que viria depois, tipo pra guardar lugar. Isso resultou numa voz muito fraca quando o Della pedia pra cantar junto. Uma pena =/ Mas tirando isso, foi um ótimo show. Sendo ainda um pouquinho mais chato, acho que podiam ter deixado “Não Leve a Mal” de fora e ter incluído uma outra música com mais potencial de “pule, pule, pule”. Mas isso foi só um detalhe.
Antes de começar Fresno saímos e fomos para o Palco Voador – o alternativo, cujo tema de sábado foi “Novo Rock”. O Glória estava se apresentando ali, e eles foram mais legais do que eu imaginava. Aí depois veio Hevo84. Eu nunca ouvi falar deles, mas disseram que era muito parecido com Cine. Eu não achei; eles, além de músicas próprias (que não achei tão ruins, pra ser sincero) fizeram covers de LS Jack e Blur. Cantaram Song 2. Foi foda.
Aí depois ficamos ali pra ver quão ruim Cine poderia ser. Porra, é uma merda, sinceramente. É simplesmente muito ruim. A gente não aguentou e foi comer alguma coisa pra sair de perto do Voador.
Problema? No palco principal tocava Chimarruts e logo depois Exaltasamba. Então ficamos perambulando, conversando, até que vimos o início do show do Detonautas. Acho que eles fizeram um show meio irritado porque não fizeram parte do palco principal – chamar Detonautas de novo rock é meio foda mesmo. De qualquer forma, achei um show meio ruim, pelo menos no começo. Não vimos mais porque ia começar Fat Duo, uma dupla de Djs gordos que eram meio divertidos e tal. Um saco, sinceramente. Tocavam umas musiquinhas legais, mas depois enchiam o saco pra levantar os celulares e não sei o quê. Só queriam falar de celulares. Sai pra lá.
Aí veio Ivete Sangalo. Não estava aquela coisa toda não. Fomos ver depois Scracho, no palco voador. Foi meio triste uma hora. O show tava um pouco caído, e o vocalista perguntou se o público queria ouvir uma música nova, composta pra eles por Nando Reis. Não que uma música do Nando Reis seja grande coisa; ele é tipo o prostituto da mundo da música brasileira, dá (músicas) pra todo mundo. Se eu procurar aqui em casa eu devo ter uma letra nova dele por aqui, se duvidar. Mas enfim… Aí parece que uma parte significativa do público meio que respondeu “não!”. A gente ouviu o cara responder “Nao? Não?!” – ele ficou meio sem graça assim, mas ele deu aquela volta por cima no estilo “ah, que criança bonitinha, deixa ela falar o que ela quiser, não se preocupe” e tocou do mesmo jeito. A gente ficou meio mal por ele, coitado. Mas depois chegando mais pro fim do show as coisas até parece que melhoraram um pouco. Bem, enfim; não sei, a gente não viu tudo pra dizer como que foi.
Depois fomos ouvir um pouco do show do Marcelo D2 – que, nas quatro ou cinco músicas que a gente ouviu, falou sete vezes “à procura da batida perfeita”. Ô BICHO CHATO. Mas tirando isso e a obsessão com maconha as músicas dele são legais.
Depois disso veio Strike, mas a gente não estava muito a fim, então era hora de ir embora.
Pra finalizar, gostaria de ressaltar também que o tal palco giratório é uma ilusão: Só quem se beneficiou dele foi o pessoal da área VIP. Se o artista quisesse interagir com o público mais povão do outro lado tinha que ir até ali mesmo de propósito. Diz-se que o palco girava 270 graus. Acho que a maior parte desses noventa para os quais ele não girava ficava ali, voltados pra gente.
Enfim; legal, mas provavelmente o último.
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Maltines, a outra Banda Mais Legal do Mundo!
Postado em 8 de Caos de 3176 YOLD , às 7:85:42 View CommentsDepois de falar da Vera Loca tá na hora de recomendar pra vocês outra banda que eu to ouvindo MUITO ultimamente — já ouvia no ano passado, mas no começo do ano eles resolveram liberar pelo twitter o cd deles pra download. Não deu outra. Desde o dia primeiro não paro de ouvir esse CD, principalmente as músicas Fim do Jogo, Nós Dois, Depois de um Tempo… Mas, caramba, tem outras muito fodas também. Meu Silêncio, Cinema, Cada Peça em Seu Lugar…
Hoje eles lançaram no youtube o novo single deles: … E A Festa Continua! Caceta, a banda voltou com tudo, a música ficou muito foda! Ouve aí:
Como você deve estar vendo ali no vídeo, eles vão fazer um show pela TwitCam dia 13, data do lançamento oficial. Pena que com a minha net nunca consegui ver uma coisa dessas bem — uma vez tentei ver o show do Aerocirco, mas não rolou não… Mas quem sabe o site mesmo não tenha melhorado? Vou tentar ver!
E tenta também aí, pô, os caras são muito foda, vale à pena =) Follow up: @Maltines.
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Vera Loca, a banda mais legal do mundo
Postado em 71 de Pós-matemática de 3175 YOLD , às 6:98:19 View CommentsNo momento, estou ouvindo Serenata, música de abertura do terceiro CD da Vera Loca. Ouvindo onde? No computador? NÃO! No DVD da sala, porque eu ganhei o CD Vera Loca III na promoção deles no twitter ele chegou!!!!!
Demorou um pouquinho, mas também pudera; os correios tentaram me entregar 3 vezes e fui notificado só há um ou dois dias pra ir lá pegar. Olha as fotos da criança:
Olha, deixa eu dizer uma coisa, não é pra puxar o saco não – não é porque eu ganhei um CD e ingresso pra algum show deles (a escolher, já que eles não vêm pra floripa fica difííícil =P) – Os caras são FODAS! Há mais de mês ou dois que eu os conheço e é difícil passar muito tempo sem eu correr pra ouvir Foi, Sem Sair do Lugar, Prato Predileto – ou mesmo Eu Vou Comer a Madonna!!
Eles recentemente fizeram uma série de shows na Argentina e essa promoção da qual eu participei era o lançamento do clipe Velocidade – que eles fizeram via twitter! Aqui pra assistir.
Enfim.. Muito sucesso pros caras! =D
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O Naturalista da Economia
Postado em 69 de Pós-matemática de 3175 YOLD , às 9:51:37 View CommentsEsse foi o livro que ganhei do meu irmão de Natal, e é absolutamente excelente. Nele, o autor, Robert H. Frank, explica conceitos fundamentais de economia usando perguntas que realmente atiçam nossa curiosidade, como, por exemplo, por quê as lojas 24h possuem fechaduras nas portas, entre outras.
Mas, ao invés de discorrer sobre ele – até porque é um livro que desperta pouca vontade de discutir sobre sua qualidade, que é indiscutível mesmo - vou copiar dois trechos. O primeiro é sobre um conceito estatístico chamado “regressão à média”, que explica porque, afinal, o segundo CD de muitas bandas com um primeiro fantástico costuma ser tão ruim. Gostei muito de conhecer esse conceito, é muito, muito legal =)
O segundo é o final do capítulo que bota a economia pra brincar com nossos relacionamentos pessoais. É um final muito são e interessante, que foge a uma abordagem idiotamente fria sobre relacionamentos – o que é surpreendente em se tratando de um livro sobre economia.
Aliás, muitas coisas nesse livro são surpreendentes. No capítulo introdutório, o autor até apresenta uma charge em que, numa festa, uma mulher apresenta um homem a outra. A fala da charge é:
Ele é economista, mas ele é legal
Vamos às partes.
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Por que no beisebol os jogadores novatos mais promissores de um ano, em geral, não têm bons resultados na segunda temporada?
Em 2002, o jogador principiante Eric Hinske, defensor da terceira base do Toronto Blue Jays, alcançou a média de tacadas de 279 (…), um desempenho que lhe rendeu o prêmio de revelação do ano (…). No entando, duas temporadas seguintes, suas médias foram 243 e 248. Esse padrão não é nem um pouco insólito. Os jogadores que são considerados revelação do ano pela liga principal de beisebol em geral alcançam na primeira temporada resultados que seriam meritórios até para veteranos experientes. No entanto, mesmo contando com a vantagem de um ano de experiência, eles em geral não conseguem alcançar o mesmo desempenho em seu segundo ano nas ligas principais. Esse declínio de produtividade é tão frequente que tem um nome: “colapso do segundo ano”. O que explica ess fenômeno?
Uma possível explicação é a necessidade de algum tempo para que os lançadores dos times adversários descubram os pontos fracos de uma rebatedor. No entanto, se essa fosse a razão, ela se aplicaria a todos os jogadores de segundo ano, e não apenas aos considerados revelação. No entanto, como grupo, os jogadores alcançam na segunda temporada resultados ligeiramente melhores que os dos calouros.
Uma explicação mais razoável é que o colapso do segundo ano seja apenas uma ilusão estatística. Nem mesmo os melhores jogadores têm desempenhos perfeitamente coerentes. Em algumas temporadas, suas médias de rebatidas e outras estatísticas de ataque são muito mais elevadas que em outros anos. Por definição, somente jogadores que fazem uma temporada excepcional ganham o prêmio de calouro do ano. Desse modo, o segundo ano desses jogadores nas ligas principais vem imediatamente após um ano em que eles podem ter alcançado um desempenho muito melhor do que a média de suas carreiras. Portanto, não é surpresa que os números da segunda temporada sejam um pouco menores.
O colapso do segundo ano é um exemplo daquilo que os estatísticos chamam de regressão à média. Ela ocorre toda vez que o sucesso tem um componente aleatório. Não é sempre que um resultado excepcionalmente bom é seguido por outro mais normal, mas é comum que isso aconteça.
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Os críticos argumentam com razão que o modelo empedernido dos economistas sobre o mercado implícito de relacionamentos pessoais deixa de lado muita coisa importante. E embora ele ajude a explicar alguns padrões de sedução, também ignora o compromisso, elemento crítico em casamentos bem-sucedidos, que, pela própria natureza, é fundamentalmente independente de considerações materiais.
A importância do compromisso nos relacionamentos bilaterais é familiar a quem quer que tenha lidado com um locador. Imagine, por exemplo, que você acabou de se mudar de uma cidade e precisa de um apartamento. Se estiver em Los Angeles ou alguma outra metrópole, não terá como inspecionar cada um dos milhares apartamentos disponíveis, portanto você percorre os classificados e visita alguns imóveis para ter uma ideia aproximada do mercado – faixas de preço, itens de conforto e lazer, localização e outras características importantes para você. À medida que avança na busca, você descobre um imóvel que lhe parece acima do comum com base em suas impressões das distribuições relevantes. Você quer fechar negócio. A essa altura, você sabe que existe um apartamento melhor em algum lugar, mas seu tempo é valioso demais para continuar a procura. Você quer resolver sua vida.
Tendo tomado essa decisão, o próximo passo importante é assumir um compromisso com o dono do apartamento. Você não quer se mudar e um mês depois ser despejado. A essa altura, você já terá comprado cortinas, pendurado seus quadros na parede, instalado telefone e tevê a cabo e assim por diante. Se for obrigado a sair, não só perderá esses investimentos, como terá de começar novamente a busca por um lugar onde morar.
O locador também tem interesse em sua permanência por um período longo, já que ele teve muito trabalho e despesa para alugar o apartamento: anunciou o imóvel e mostrou-o a dúzias de candidatos, nenhum dos quais pareceu tão estável e digno de confiança quanto você.
O resultado é que, embora você saiba que há um apartamento melhor em algum lugar, embora seu locador saiba que há um inquilino melhor, ambos têm muito interesse em assumir o compromisso de ignorar essas oportunidades. A solução padronizada é assinar um contrato que impeça as duas partes de aceitar ofertas posteriores que pareçam mais atraentes. Se você sair, terá de arcar com o aluguel correspondente à duração do contrato. Se o proprietário pedir o imóvel, o contrato lhe dá o direito de se recusar a sair.
A possibilidade de assumir um compromisso assinando um contrato aumenta o valor que o inquilino está disposto a pagar por um apartamento e diminui o valor que o proprietário está disposto a aceitar. Sem a segurança decorrente desse compromisso contratual muitas trocas valiosas jamais aconteceriam. O contrato inviabiliza opções valiosas, mas isso é exatamente o que os signatários desejam que ele faça.
Na busca por um parceiro, enfrentamos um problema de compromisso essencialmente similar. Você quer um par, mas não quer qualquer um. Depois de namorar muitas pessoas, acha que sabe bem o que é possível encontrar – os temperamentos das pessoas, seus valores éticos, interesses culturais e recreativos, suas habilidades sociais e profissionais e assim por diante. Entre todos os que conheceu, você tem interesse em um, em particular. Com sorte, a pessoa sente o mesmo por você. Os dois querem avançar no processo e começar a investir no relacionamento. Vocês querem se casar, comprar uma casa, ter filhos. No entanto, poucos desses passos fazem sentido se os dois não tiverem a expectativa de um relacionamento duradouro.
Mas e se alguma coisa não der certo? Qualquer que seja a ideia que seu parceiro faça de um cônjuge perfeito, você sabe que existe alguém mais próximo desse ideal do que você. E se essa pessoa surgir de repente? E se um de vocês adoecer? Tal como locatários e locadores ganham se assumirem um compromisso, os cônjuges têm o mesmo interesse em inviabilizar futuras opções.
O contrato de casamento é uma forma de tentar alcançar esse compromisso desejado. No entanto, se refletirmos, veremos que um contrato legal não é a melhor forma de criar o tipo de compromisso que as duas partes desejam. Mesmo as sanções legais mais draconianas* não fazem mais do que obrigar alguém a permanecer unido a um cônjuge de quem prefira se separar. Mas um casamento nesses termos dificilmente atende às metas que cada parceiro original queria realizar.
Alcança-se um compromisso muito mais seguro se o contrato legal for reforçado por laços de afeição. O fato é que muitos relacionamentos não são ameaçados quando surge um novo possível parceiro mais gentil, rico, sedutor e bonito. Quem tiver criado uma ligação emocional com o parceito não quer investir em novas oportunidades, mesmo aquelas que em termos puramente objetivos pareçam mais promissoras.
Com isso não queremos dizer que os compromissos emocionais sejam garantidos. Qual de nós não teria pelo menos um pouco de preocupação se soubesse que naquela noite a esposa vai jantar com o George Clooney, ou que o marido vai tomar um drinque com Scarlett Johansson? No entando, mesmo os compromissos emocionais imperfeitos quase sempre poupam a maioria dos casais desse tipo de preocupação.
O importante é que, embora esses compromissos emocionais inviabilizem oportunidades potencialmente valiosas, eles também trazem benefícios importantes. Um compromisso emocional com o cônjuge é valioso no cálculo puramente racional do custo-benefício porque promove investimentos que melhoram a adaptação. Mas observe a ironia: esses compromissos funcionam melhor se impedirem as pessoas de pensar explicitamente na relação conjugal em termos de custo-benefício.
A experiência mostra que quem pensa conscientemente nesses relacionamentos em termos de pontos ganhos e perdidos tem menos satisfação no casamento. Quando os terapeutas tentam fazer os indivíduos pensarem nos relacionamentos em termos de custo-benefício, esse tiro muitas vezes parece sair pela culatra. Talvez essa não seja a maneira como a evolução nos preparou para pensar sobre os relacionamentos pessoais.
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* Nota minha: ESSA PORRA DE DRÁCON CAIU NO VESTIBULAR DA UFSC E EU NUNCA TINHA OUVIDO FALAR NESSE FILHODAPUTA. Era só isso, obrigado, e desculpe qualquer coisa.







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