E também o assassinato de outros deuses
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  • Aprender a Viver

    Postado em 35 de Discórdia de 3176 YOLD , às 8:06:18 Peterson Espaçoporto View Comments

    Li, todo num dia só, o livro Aprender a Viver, do francês Luc Ferry. O livro nasceu da iniciativa de alguns amigos do cara, que pediram um “curso” básico de filosofia, um curso dirigido a um público leigo e tal.

    Na verdade, a proposta dele é similar à do famoso “O Mundo de Sofia” — só que não é uma ficção e cobre apenas cinco fases da filosofia ocidental: o estoicismo grego, o cristianismo, o humanismo, Nietzsche e o pós-Nietzsche.

    Sim. Um capítulo todo dedicado a Nietzsche.

    Bom, nada menos que justo: ele foi simplesmente o mais foda de todos. Uma pena que o livro acabe não fazendo muita justiça a ele; vejamos o porquê mais adiante.

    Estilo e Estrutura

    O livro é muito interessante, e visualmente falando é agradável de ler. Grandes espaços entre as linhas, margens grosssas — 300 páginas que passaram voando. Depois de ler dois livros de Dostoiévski da Martin Claret, OMG, isso foi um alívio indescritível.

    Na apresentação do livro ele desmistifica uma ideia que estava em mim também: a de que a filosofia é essencialmente espírito crítico, é muito mais sobre fazer perguntas e não sobre suas respostas. Mas, como ele bem diz: fazer perguntas, ter um espírito crítico, é uma faculdade técnica que é empregada por pessoas em todos os campos da nossa vida e nem por isso todo mundo é filósofo.

    Ele explica então que os chamados sistemas de pensamento filosófico surgem por causa de uma simples constatação: somos mortais. Morreremos. E disso decorre aquela angústia básica: já que não tenho exatamente todo o tempo do mundo, estou gastando meu tempo de forma positiva? E essa angústia, esse e muitos outros sintomas do básico medo da morte, nos impedem de viver bem.

    A função da filosofia é, pois, nos salvar, ou seja, nos recuperar: viver de um modo a neutralizar o medo da morte que nos impede de viver bem e, dessa forma.. Viver bem!

    Assim, todos sistema filosófico coerente possui três partes:

    Teoria – compreende a epistemologia — o que é real? O que é a realidade e, afinal, como podemos saber que ela é assim? Aquela coisa Matrix.

    Ética – de acordo com o que entendemos pela realidade, então, o que afinal devemos fazer?

    Doutrina da Salvação – sob qual perspectiva o fato de vivermos de acordo com essa ética melhora nossa relação para com a morte?

    Ah, e ainda tem uma distinção particularmente importante da qual gostei muito: a filosofia se diferencia, de forma diametralmente oposta, da religião, porque a religião promete a salvação: ou seja, promete aplacar os medos concernentes à morte de diversas formas (ou os negando ou arranjando gambiarras teológicas)…

    SE e somente se você se submeter a uma determinada linha de pensamento, que em geral é a linha do des-pensamento — a . A confiança em algo exterior a você que, a troco de algumas coisas, vai te salvar. Ou seja, a fé, a religião, ela é uma salvação comprada, uma salvação que tem o preço alto e o gosto amargo da dependência: é a salvação por intermédio de outrem, enquanto que a filosofia é a salvação por si mesmo.

    Taí uma distinção que a Nova Acrópole, aquela escola de filosofia à moda clássica que eu falei nesse post aqui, não faz. Pra eles, a religião, a ciência, a política e a arte são faces de uma mesma pirâmide cujo cume é a filosofia. Não penso dessa forma e tenho cada vez mais forte em mim a ideia de que aquele curso de filosofia não rola mesmo (por mais que o Iaido seja legal…).

    O Caso Nietzsche

    Depois de falar do estoicismo, do cristianismo e do humanismo renascentista / iluminista, ele parte para Nietzsche, embora faça referências também a Marx e Freud, e o põe na conta de um materialista desconstrutivista.

    Ha! Que generalização tola!!

    Em geral os livros citados nesse capítulo foram A Vontade de Poder (póstumo), Ecce Homo, Além do Bem e do Mal e… Só, acho. Um pouco, bem pouquinho, de Zaratustra, uma passagem só, se não me engano.

    O livro tratou bem a teoria de Nietzsche: não existem verdades, apenas interpretações (Principia Discordia?), e o universo, ao invés de ser um lugar bonito e harmonioso como diziam os estóicos, é na verdade uma grande trama de forças puramente caótica (Principia Discordia? Poderia ser tanto a teoria mainstream do Principia como a ilusão erística, mas isso veremos adiante). E, cherry on top, nós, seres viventes, jamais poderíamos formular teorias frias e conclusivas sobre o que é o viver, sobre o que é a existência, uma vez que nós fazemos parte dessa realidade.

    A teoria também passa por falar como Nietzsche procedia pra chegar a essas conclusões. À bem da verdade isso que falei no último parágrafo são mais coisas que se assume, e a partir daí constrói-se o resto — não é bem algo que se possa argumentar pra convencer. Mas, de modo geral, Nietzsche usava o método da genealogia, ou seja, não era bem uma questão de analisar, de contemplar, de experimentar… Ele, como filólogo (coisa que o livro não cita) vai na origem das coisas: quer saber porque são do jeito que são e então as desmascara, tirando seu valor.

    Não sei se quando ele fala disso ele ainda está na teoria ou na ética, mas o caso é que Nietzsche não era exatamente um amigo da moral. A moralidade, essa coisa de bem e mal, o que exatamente isso tudo significa? O que são ideais e qual é a importância deles?

    Bom, El Bigodón dizia o seguinte: a vida era algo muito legal e interessante, mas que era contaminada por ideias quando tentamos classificá-la, quando tentamos dividi-la em bem e mal, em certo e errado. Tudo isso o livro explica, mas ele não fala de onde veio isso e, pra mim, a insatisfação já começou aí: ele não faz menção ALGUMA a O Nascimento da Tragédia, a primeira obra de Nietzsche, e que é de importância vital pra compreender bastante coisa.

    Para o Nitch (cansa escrever tudo AHEAEHa – ficar sendo criativo vai mais hora menos hora irritar, então vou escrever só Ni), a realidade não poderia ser explicada se não pela existência de impulsos artísticos que seriam metafísicos — ou seja, sabe quando dizem que Deus criou o mundo? Ok, claro que sabem. Slabem quando dizem que, mesmo não havendo Deus, deve haver alguma “verdade universal” quanto à moralidade, quanto “ao que é certo e ao que é errado”? Sim, claro que sabem.

    Então, isso de “deve haver” são os chamados princípios metafísicos — coisas que estão além da nossa realidade. Ni olhava para o mundo e dizia: cara, vocês veem harmonia onde não existe. Vocês fazem as coisas de um jeito, aceitam as coisas de um jeito, ORGANIZAM as coisas de um jeito, mas caso esse negócio de ética fosse mesmo verdadeiro, o mundo seria muito diferente, nós viveríamos de uma maneira muito diferente — seríamos, essencialmente, muito diferentes.

    Portanto, a única coisa que ele podia aceitar como princípios metafísicos eram não coisas como a moral ou o bem ou o mal, mas a arte. A arte enquanto impulso universal que nos governa.

    Mas que tipo de arte?

    Pra ele existiam dois impulsos artísticos primordiais: o dionisíaco, que tem a ver com a profundidade das coisas, com a dor da existência, e o apolíneo, que tem a ver com as imagens, com a arte contemplativa que existe para escapar ao dionisíaco.

    É difícil explicar aqui tudo sobre o que o livro fala, mas ele mais pro final começa sua crítica a Sócrates, ao racionalismo, dizendo que havia um terceiro impulso, não metafísico, mas humano, que era o impulso racional. Pra ele, nada havia de significado naquilo que não podia ser provado, que não podia ser lógico, que não era de acordo com razões – com ideias. Ou seja, a beleza não está implícita, está só naquilo que possa ser compreendido, processado pela mente.

    Isso, de certa forma, lembra aqueles ataques aos ateus modernos por parte de certos esotéricos. De qualquer forma, o que Nietzsche queria propôr (pelo menos segundo minha interpretação, e olha que eu me demorei nesse livro) era que a vida, as sensações da vida são, a priori, artísticas, são desprovidas de sentido óbvio para nossa mente utilitarista, e que essa mania racionalista é na verdade uma megalomania do cérebro, que é excelente para manipular a matéria e tudo o mais, mas que quis estender seu domínio por sobre todo o resto…

    Sendo assim, desde Sócrates, diz Ni, a vida enquanto resultado desses impulsos artísticos tem sido negligenciada em função de ideias racionais…

    Ou seja, resumo da ópera:

    - A vida acaba sendo julgada pelo intelecto.

    - O intelecto realiza suas manobras retóricas para “provar”, com sua lógica, o que é certo e o que é errado.

    E é por isso que Ni precisava usar a genealogia, esse negócio de saber de onde as coisas vêm, pra desmascarar a suposta razão. Pra mostrar que esses julgamentos do intelecto não eram válidos.

    Ni acreditava que para viver uma vida melhor é preciso viver a vida de uma forma mais unitária, sem julgá-la, sem confiná-la, sem destruir seus instintos em favor de ideais, que são frágeis.

    O livro fala, então, da doutrina de salvação de Nietzsche: o eterno retorno e o amor fati, mas os entende de forma terrivelmente errada.

    O que é o Eterno Retorno? É o seguinte: pra você ver se você está vivendo uma vida que vale a pena ser vivida, você deve, por um momento, imaginar que, assim que você morresse, de alguma forma o tempo voltasse e você nascesse de novo.

    Só que da mesma forma. Do mesmo jeito. No mesmo ano, no mesmo dia, com os mesmos pais, na mesma circunstância. Você, então, viveria sua vida toda de novo. E, quando morresse, a viveria de novo.

    E de novo, e de novo, e de novo.

    Assim, o que ele pergunta é o seguinte: se esse é o seu destino, você gostaria dele? Mas veja bem, não é só o caso de repetir todas as experiências boas. Você viveria tudo de novo. Inclusive, é claro, as experiências ruins.

    O livro trata do Eterno Retorno como se fosse um selecionador de experiências:

    (…) Ela não é, no fundo, nada além de um critério de avaliação, um princípio de seleção dos momentos de nossa vida que valem ou não a pena serem vividos. Trata-se (…) de interrogar nossas existências, a fim de fugir das falsas aparências e das meias medidas, de todas essas covardias que (…) nos levariam a desejar esta ou aquela coisa “só uma vez”, como uma concessão, (…) sem a querer realmente.

    A segunda parte faz sentido — ao colocarmos nossa vida, nossas ações do futuro próximo sobre a perspectiva da eternidade, elas ganham muito mais peso e temos que ter muito mais responsabilidade para com nossas vontades. Isso que vou fazer, estou certo disso? Será que vou querer que isso se repita para todo o sempre?

    Só que como instrumento, como “exercício” da “doutrina de salvação” o eterno retorno faz muito mais sentido como um exercício retroativo, de avaliação da vida — principalmente quando você junta à coisa toda o Amor Fati. Já voltamos a esse ponto…

    O amor fati é o amor ao destino, o que o livro trata erroneamente como a resignação estóica / budista de se contentar com as coisas como estão, de amar a todas as coisas de qualquer forma que sejam, de amar a vida sem querer transformá-la, etc. Sim, é certo que transformar a vida é de certa forma um julgamento da vida, mas essa ideia de resignação não é a única interpretação do amor fati e está longe de ser a mais digna. Essa é minha segunda insatisfação com o livro:

    Voltemos ao Eterno Retorno: ao olharmos pra trás nas nossas vidas vamos ver coisas boas e, certamente, coisas ruins. Muitas pessoas se recusariam à proposta de viver tudo novamente porque não querem repetir também as coisas ruins; e é com isso que o amor fati tem a ver. Ni não foi particular e individual, foi universal nas suas observações: não se trata de aprovar e amar todo e qualquer momento de uma vida, mas amar a natureza dA Vida, que contém o prazeiroso e o doloroso…

    … E, de forma certamente não-análoga, o dionisíaco e o apolíneo.

    E também o socrático, de certa forma, embora na parte de Ética o livro conte sobre o tal “Grande Estilo”, que é como Nietzsche via a melhor forma de se proceder: submetendo o impulso socrático aos artísticos, e não o contrário.

    Será que Luc Ferry leu as considerações de Nietzsche sobre o budismo? A comparação que faz com o cristianismo em um aforismo do qual não me recordo agora é brilhante. Ni não era budista e seu amor fati não era, como afirma o livro, uma questão de “esquecer o passado e o futuro” e se concentrar no presente. Não, de forma alguma: os budistas pregavam o desapego, mas isso para Ni também era um ideal, era antinatural: aceitar a vida, o amor fati, é reconhecer que as coisas são assim, nós nos apegamos ao que amamos e, quando as coisas ou as pessoas se vão, nós sofremos. Amor fati é amar tudo, inclusive a essa dor, não deixando escapar nada e reconhecendo que, se fosse pra viver tudo de novo, então que se foda! A vida é maravilhosa e merece ser vivida mesmo que for pra viver de novo as partes ruins — e ainda que as partes ruins sejam predominantes!

    Essas foram basicamente minhas frustrações quanto ao que foi postulado acerca de Ni nesse livro. Ele também insiste em dizer que Ni foi base para o nazismo, de certa forma involuntária — porque os nazis de certo nunca leram Ecce Homo, livro em que mais de uma vez Ni despreza os alemães e eleva o espírito judeu.

    Outra coisa que achei muito curiosa foi o que ele dizia depois já, em outro capítulo. Deixa eu ver se acho aqui…

    É, não achei. Mas enfim, Ni falava bastante também sobre o seu tal “Super-homem”, que significa romper com todos os ideais e criar novos. As críticas que Ni encontra nesse livro do Ferry, mais pro final, é que de certa forma não há como escapar de certo idealismo, e que mesmo a busca pela vida como força maior e acima de qualquer ideal, isso mesmo tornaria-se um ideal — certamente, oras! Ni mesmo dizia que o rompimento com os velhos ideais culminaria na criação de novos, e que depois seriam derrubados e por aí vai. Aí se contempla mais uma vez a liberdade no contexto nietzscheano, e se vê que o amor fati nada tem a ver com resignação ou uma vontade de querer parar o tempo, de querer que nada mais mude.

    Talvez essa interpretação seja contraditória ou mesmo otimista demais em relação às ideias de Ni? Quem sabe — eu não conheci Nietzsche pessoalmente pra ir lá perguntar pra ele o que ele acha. Provavelmente isso tudo seja mais uma mistura de muita coisa que Ni disse com meu próprio background cultural, discordiano e anarquista. Quem sabe?

    Discordianismo

    Também gostei de pensar no discordianismo dentro do livro. Como Luc o trataria? Sua teoria e sua doutrina de salvação estão pra mim relativamente claras (tanto quanto é possível que sejam), mas como seria a ética discordiana?

    Hmmm…

  • Entre o fantástico e o simbólico

    Postado em 25 de Discórdia de 3174 YOLD , às 7:12:19 Peterson Espaçoporto View Comments

    Tim Burton é um diretor fantástico. Mas além dos filmes que faz, ele também escreve, e escreve muito bem, por sinal.

    No livro “O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra”, os desenhos são vívidos, intensos, marcantes; as rimas por vezes não existem ou fazem o ritmo da poesia mudar, o que combina de forma elegante com a história.

    Estas, “combinando a doçura e a tragédia da vida”, como disse Felipe Barcinski no livro, são viagens artísticas do mais alto nível, e que ainda te deixam entre dois mundos. Você se emociona, ainda que as situações sejam bizarras, mas também aceita o desafio intelectual de compreender algum simbolismo por detrás delas, alguns às vezes provocativos, desses que chamam com voz doce o senso investigativo, como o bebê âncora. E, afinal, o que significa ter um filho com o forno microondas???

    Entre o simbolismo e a fantasia. Assim vive a criatividade estupenda de Tim Burton. Os temas do livro geralmente são a busca por aceitação e adequação (personagens que sentem-se tristes e distantes por serem diferentes), a filiação (nunca conheci alguém que colocasse de forma tão brilhante no papel o que eu acho sobre ter filhos), a inevitabilidade da morte, e principalmente os prazeres solitários dos personagens sempre tão cheios de marcas, lutas, pesares, conflitos internos – que se mostram, sem pudor para o leitor, com uma sinceridade que escapa com suspiros de liberdade dos estereótipos de consciência romântica. Um sorriso desenhado nesse livro faz você se sentir bem, em paz, com uma alegria inenarravel e até bobinha; uma sensação leve, simples e poderosa – muito melhor do que as extravagâncias do romantismo.

    Tenho pra mim agora um pequeno desafio: entrar na mente de Tim Burton. Mergulhar em seus tormentos, tão expressados na sua obra – entender tacitamente o que ele quer dizer e mostrar. Vou baixar seus filmes, saber de suas idéias e opiniões.

    Mas isso, claro, quando eu tiver mais tempo livre…


    Creative Commons License photo credit: Daniel Pedrosa

  • Leis de Celine

    Postado em 18 de Discórdia de 3174 YOLD , às 7:62:03 Peterson Espaçoporto View Comments

    As Leis de Celine são três leis formuladas por Robert Anton Wilson através de seu personagem Hagbard Celine, no romance Illuminatus! Trilogy. Essa três leis são muito interessantes, mas gostei em especial da segunda, justo aquela que é, segundo Celine, “Uma simples afirmação do óbvio”.

    1. Segurança nacional é a principal causa da insegurança nacional

    Essa é clássica: com medo do que os outros países podem fazer com seu povo, um Estado acaba oprimindo ainda mais seu povo, velendo-se da desculpa do terrorismo, por exemplo, para prender, matar, invadir a privacidade, etc.

    2. Comunicação acurada só é possível em uma situação não-punitiva

    Ou, como Wilson costumava reformular, “Comunicação só pode existir entre iguais”. Em qualquer estrutura hierárquica, existe uma pressão social imperceptível que faz com que todas as pessoas que estejam abaixo de alguém se comuniquem com quem está acima de forma interessada; ou seja, omitindo ou falsificando informações para evitar uma punição, e fazendo o mesmo para alcançar um benefício, por exemplo.

    Quando uma pessoa, por tanto, usa de autoridade para com a outra, a relação entre elas é proporcionalmente mais falsa e imprecisa, pois o dominado tende a querer agradar quem está acima e evita desagradar quem está acima. A verdade é assim manipulada de forma que ela não se torna mais importante.

    A dependência das pessoas sempre forma uma estrutura hierárquica, e por isso qualquer pessoa que depende de outra está sujeita a esta regra. Se eu dependo de alguém para eu comer, por exemplo, eu não vou falar algo que a desagrade, mesmo que seja verdade, porque corro risco de perder o alimento. E, ao mesmo tempo, tenderei a concordar com a pessoa sempre, mesmo que não seja verdade o que ela disser, para garantir a simpatia e a boa vontade da pessoa.

    Na famosa “paixão avassaladora”, o “amor romântico”, entre outros, ocorre a mesma coisa. Se um menino bobo se apaixona loucamente por uma menina de gostos muito diferentes, ele tende a representar o papel de “objeto de desejo” da garota, mesmo que essa não seja a realidade, porque a paixão faz com que ele dependa dela, coloca ela acima dele, e assim ele mente para ela para evitar ser punido, e para ganhar algo. Ou seja, uma relação fundada na mentira.

    3 – Um politico honesto é uma calamidade pública

    Enquanto um político corrupto está preocupado em roubar uma parte do dinheiro público, um político honesto está preocupado em criar leis que supostamente “melhoram a vida das pessoas”.

    Para Celine, leis criam criminosos. Leis inerentemente restringem a liberdade individual, e apenas através de excessiva legislação é que tiranis podem ser exercidas – é através das leis que o Estado intervém na esfera individual do cidadão.

  • Viva como se soubesse que não pode morrer

    Postado em 17 de Discórdia de 3174 YOLD , às 8:47:92 Peterson Espaçoporto View Comments

    As torrenciais paixões e agoniadas satisfações de vontades provenientes do “viva como se fosse o último dia” ganharam um bom oponente, penso eu. O “viva como se soubesse que não pode morrer”.

    Bom, na verdade a frase é simplificada e não significa exatamente isso. Douglas Adams no livro “Vida, Universo e Tudo Mais” dá um verdadeiro presente à Arthur Dent. Quando este encontra-se com Agrajag, um monstro que foi morto em várias e várias reencarnações por Arthur, fica sabendo que ele matou Agrajag num lugar chamado Stavromula Beta – só que ele ainda não tinha feito isso. Logo, Arthur não podia morrer até matar Agrajag mais uma vez.

    É interessante pensar dessa forma: os destemperos e inconsistências da vida humana provém da incerteza sobre o tempo que nos resta. Afinal, podemos morrer amanhã, e então tiramos dessa frase uma moralidade para viver. Mas, afinal, isso pode não acontecer; quem se esquece de que podemos morrer amanhã vive como se fosse viver pra sempre. O que o escritor britânico nos deu foi um meio-termo: Arthur sabia que não podia morrer. Portanto, ele tanto podia viver uma vida tranquila, sem sobressaltos, quanto uma vida cheia de aventuras perigosas e empolgantes, já que ele não poderia morrer de qualquer forma.


    Creative Commons License photo credit: MrClementi

    Uma boa filosofia de vida, não? Duas perguntas: qual das três vocês preferem? Achar que morre amanhã, nem pensar que pode morrer amanhã ou saber exatamente as condições exatas que ainda não ocorreram que levam à sua morte? E a outra: o que vocês queriam que acontecesse pra marcar a morte de vocês? Analogamente, se Arthur ainda teria que matar Agrajag mais uma vez, o que vocês “fariam pra morrer”?