E também o assassinato de outros deuses
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  • A Terceira Temporada de Pushing Daisies, Imaginada

    Postado em 28 de Caos de 3176 YOLD , às 7:38:77 Peterson Espaçoporto View Comments

    Não vai existir. Infelizmente, a série foi cancelada na segunda temporada e os últimos episódios resolveram tudo, deixando de fora apenas o caso do pai do Ned — o que é uma pena.

    Então aqui está o que eu faria caso fosse contratado para escrever a plot da terceira temporada:

    :::ATENÇÃO:SPOILERS (SOBRE AS TEMPORADAS REAIS, É CLARO):::

    Call me Great No.

    "Call me Great" "No."

    S03E01

    Depois que as tias (mãe e tia, rather) de Chuck souberam que ela estava viva, elas ficam sabendo dos “talentos” que Ned possui — e como Chuck ainda podia estar viva. Ainda assim, não puderam deixar de cumprir o contrato e viajar pela Europa com a Aquacade.

    Então, já que Olive agora trabalha no próprio restaurante (Intrepid Cow), Chuck tem uma ideia: por que não viajar pela Europa junto com as tias (ainda que independentemente, mas seguindo o percurso da Aquacade)? Como ela deveria estar morta, na Europa ninguém reconheceria ela anyway (ou haveria menor probabilidade disso acontecer do que ficando nos Estados Unidos). Além disso, ela havia “revivido” já há tanto tempo…

    Então Ned vai com as três para a Europa. Enquanto isso, Emerson (agora junto à sua filha de novo, mediante um acordo com a mãe dela), Olive, Randy e Simone enfrentam um assassinato ocorrido no próprio Intrepid Cow: alguém morre envenenado com a comida. Eles precisam achar o assassino, pois tudo aponta a dona do restaurante como a culpada.

    S03E02

    Na Europa, o trabalho chama Ned e Chuck de volta à ativa quando um estranho assassinato ocorre na cidade em que estão. Os dois têm que resolver sozinhos o caso, mas acabam se intrometendo no trabalho de um outro detetive particular. Vamos chamá-lo de Robinson Robbes (que foi? A série toda é assim, oras =]). Lily e Vivian não sabem que os dois estão de novo no ramo da investigação (eles prometeram não fazer mais isso, por segurança; além disso, Emerson não estava mais com eles de qualquer forma).

    De volta à América, os irmãos de Ned enfrentam problemas quando são demitidos do Conjurer’s Castle (acho que era esse o nome do lugar onde trabalhavam, certo?) e não encontram apoio fraternal no Pie Hole, que foi fechado; então pedem ajuda à Olive, que descobre os talentos culinários (para macarrão, que é o que ela vende) dos dois e os deixa trabalhar lá. Randy fica com ciúmes em relação a Olive e eles (porque eles fazem com que ela se lembre de Ned). Emerson e Simone, num dia de folga, enfrentam dificuldades sobre um relacionamento com filhos. E Penny, a filha de Emerson, também não é muito simpática a Simone.

    S03E03

    Na Europa, os quatro personagens viajam para outra cidade do mesmo país, e um serial killer citadino, há muito tempo perseguido por Robinson, finalmente é pego por Ned e Chuck (é um caso difícil, pois não há muitos motivos para ligar as vítimas ao assassino). No entanto, a confusão acaba chegando até Lily e Vivian, que exigem que Ned se afaste de Chuck, já que seu dom pode acabar metendo a filha / sobrinha em encrencas, matando-a seja pelo toque ou pelo envolvimento com crimes. Chuck gosta de investigar os casos, mas teve que ceder a elas; ela não queria perder contato mais uma vez com sua mãe e sua tia, então Ned a deixou ir. Robinson, contudo, estava estudando a investigação dos dois, e viu que certas informações não poderiam ter sido resgatadas sem que as próprias vítimas houvessem confessado. Ele resolve seguir Ned e descobrir qual é o seu segredo enquanto investigador.

    S03E04

    Nos States, Emerson e Simone continuam enfrentando problemas com a filha. Então, numa noite em que eles resolvem sair, ela é sequestrada. Enquanto isso um homem misterioso aparece no Intrepid Cow procurando por Ned. Olive diz que não sabe onde ele está, apenas que está na Europa; ele não entra em contato com os gêmeos, os irmãos de Ned.

    Na Europa, Ned segue o Aquacade, mas Chuck está proibida de vê-lo. Robinson segue Ned e arma um assassinato de mentira no hotel em que ele está hospedado, mas ele não quer averiguar o caso sozinho.

    De volta à América, Emerson e Simone aproximam-se do sequestrador da filha, e então, no fim, Simone é quem a salva, fazendo com que as duas tenham uma relação bem melhor. No final do episódio, o homem misterioso que apareceu anteriormente no Intrepid Cow confronta Emerson: ele diz que caso Ned não volte para Papen County, coisas ruins acontecerão.

    S03E05

    Na Europa, Ned e Chuck encontram-se clandestinamente e ela diz que Lily e Vivian aceitam que eles fiquem juntos novamente, desde que prometam (novamente) não mais entrar em um caso. Robinson ouve tudo (inclusive uma parte sobre encostar em pessoas mortas) e decide criar uma armadilha para os dois.

    Emerson conta a Olive, aos irmãos de Ned e a Randy sobre o homem que o ameaçou. Logo depois, Olive percebe que no lugar onde Digby e Pigby costumavam ficar, apareceu apenas um bilhete: “Bring Ned back”.

    Robinson atrai Ned e Chuck para o seu quarto num hotel da cidade, e há um corpo em cima da cama. Ele força Ned a tocar nele, mas nada acontece.

    S03E06

    Ned fica assustado ao constatar que perdeu, de alguma forma, seus poderes. Robinson fica convencido de que não há nada demais com eles, mas oferece uma parceria para resolver crimes (pensando, portanto, que eles são realmente ótimos quanto à investigação), mas os dois recusam por causa do acordo com Lily e Vivian.

    Nos Estados Unidos, os personagens tentam ligar várias vezes pra Ned, mas ninguém atende o telefone em Aquacade (só seguindo a tradição: ninguém NUNCA teve celulares na série toda. NENHUM personagem. Não que eu me lembre). Enquanto isso, Emerson é contratado para resolver um assassinato. No final do episódio, enquanto Emerson se encontra novamente com o homem misterioso, que reafirma que quer Ned na América, Ned e Chuck se reúnem a Lily e Vivian depois de mais um show no Aquacade (escondendo delas que Ned não possui mais o poder que antes possuía, por razões desconhecidas), quando alguém pede para entrar no camarim. É Charles Charles, o pai de Chuck (que eles também não haviam dito que tinham ressuscitado).

    S03E07

    Enquanto os gêmeos e Randy continuam tentando fazer contato com Ned, Emerson pede a ajuda de Olive para resolver um assassinato em outra cidade, envolvendo vários amigos dela durante a época de colegial.

    Enquanto isso, Ned, Lily, Vivian, Charles e Chuck vivem um dia-a-dia incomum e muito ácido entre eles — provocando pequenas brigas entre eles esporadicamente, deixando todos irritadiços — até que no jantar o pai de Chuck tropeça e sua mão encosta no rosto de Ned, mas ele não morre; todos ficam sabendo que o Pie Maker perdeu o “poder”.

    Na América, depois de descobrir o assassino, Emerson conta a Olive que Ned tem o poder de trazer os mortos de volta à vida, e ela então passa a entender tudo sobre a “alergia” de Chuck e Ned e todo o resto. Pouco antes de pegar o assassino, contudo, ele consegue fugir, deixando os dois sem o dinheiro da recompensa. Eles descobrem que quem os ajudou a fugir foi o homem misterioso, que revela ser o pai de Ned.

    Depois disso várias coisas ainda aconteceriam: Ned resistiria à ideia de tocar em Chuck de qualquer forma, mesmo sabendo que seus poderes haviam falhado, mas eventualmente desistiria e a beijaria (momento que certamente superaria o beijo usando plastic wrap no terceiro episódio, com certeza). Depois de quase provocar a ruptura da dupla Darling Mermaid Darlings, Charles falaria com Vivian e iria embora, e então as duas irmãs voltariam a ter paz entre si novamente.

    Nos Estados Unidos, os irmãos de Ned conseguiriam falar com ele e explicariam toda a situação, no mesmo episódio em que ele conheceria um amigo de seu pai, Charles Charles e Dwight Dixon (da época em que estavam juntos no exército). Nesse episódio ele descobriria por que o pai o deixou. Ele e Chuck decidem voltar para a América para salvar os amigos. Depois de algum final confrontante entre pai e filho-fazedor-de-tortas, a série enfim poderia terminar de modo satisfatório.

    Eu pensei também em incluir aguns elementos extra

    • Ned visitando “alguém ligado ao sobrenatural para entender por que seus poderes sumiram, ouvir uma explicação de como ele poderia recuperá-los e, após seguir as instruções, não conseguir.
    • Um dos irmãos (ou os dois) sendo acidentalmente morto pelo pai de Ned, e Ned não podendo fazer nada para trazê-los de volta.
    • Olive morrendo durante um incêndio no Intrepid Cow (provocado pelo pai de Ned) e Randy descobrindo que Ned poderia trazer pessoas de volta à vida querendo que ele traga Olive de volta, e então ele enfim recupera seus poderes.

    Mas essas coisas simplesmente não têm nada a ver com Pushing Daisies. A primeira, talvez, mas só.

    Esse seria, pra mim, uma temporada que finalizaria de uma forma excitante e divertida a história. Toda ela.

    Mais alguém aí viu a série? Gostou da sugestão? Faria algo diferente?

  • Universos da arte

    Postado em 65 de Confusão de 3174 YOLD , às 3:02:11 Peterson Espaçoporto View Comments

    O Alemão nascido em 1844 (sempre arrumando novos termos =P) dizia que a arte foi criada com o intuito de, hum, como dizer, “expiar” as dores da existência. O povo grego, que entendia melhor do que ninguém, segundo ele, das coisas da vida (tinha até aquela fábula do demônio de Baco e tal), não conseguiria suportar tamanho conhecimento sobre a ridiculidade da vida sem a arte.

    Há outras pessoas, no entanto, que defendem o uso da arte muito mais como uma expressão de descontentamento e um constante desafio ao senso comum. A arte serviria, segundo essa visão das coisas, para chocar, para abrir a cabeça à martelada e expandir a consciência, para se revoltar contra o que há de (de acordo com os artistas) errado, seja de forma irônica-humorística, impactante, etc.

    Dessa forma há em geral dois lados e é possível identificá-los pensando em alguém que não gosta de filmes brasileiros “porque só mostra favela” (generalização errônea) – crítica social – e em alguém que não goste de músicas que falem de sentimentos justamente porque parece algo “sem sentido”, ou algo inútil diante da realidade social em que vivemos.

    Mas, na realidade, não vejo essa dicotomia como muito forte, sequer como existente. Pra mim esses são apenas os dois lados da moeda arte, e ambos precisam existir pra fazer de uma obra de arte uma boa obra de arte.

    Pra mim cada trabalho artístico funciona como um portal para outro universo, todo um mundo de conceitos e imagens imaginado pelo artista e transportado para a obra. Uma boa obra de arte tem que fazer duas coisas:

    1) Te envolver (e você aí, se deixe ser envolvido!!) na história com elementos que te puxem sutilmente para fora da sua realidade e faça com que você sinta-se literalmente dentro deste outro mundo, deste universo da arte.

    2) Uma vez que você está lá dentro, não apenas sujeitar a sua consciência às emoções que a arte desperta, mas também oferecer um desafio para o espectador. Não estou falando de mistérios sobre “quem matou quem”, estou falando sobre um choque, digamos, “cultural”. Se este é um outro mundo, que ele ofereça alguma coisa de diferente em relação ao mundo da pessoa que assiste, pois assim sair da realidade não vai ser apenas um passeio inútil, mas sim uma verdadeira conversa silenciosa consigo mesma, onde a pessoa revê seus conceitos e modifica seu próprio mundo assim que adquirir uma nova visão das coisas – ou fortalecer a sua ao conseguir vencer uma vez mais uma opinião contrária.

    Olha, essa é uma opinião que posso oferecer com relativa segurança. Agora, como essas duas coisas se relacionam e etc é uma coisa que, na minha pessoal opinião… É bem pessoal. Existem certos elementos que ajudam a “puxar” a pessoa pro outro universo que funcionam com algumas pessoas, mas não com outras.

    Existem obras que lançam óbvios questionamentos mas mesmo assim não conseguem envolver a pessoa, e assim ficam parecendo um tanto quanto sem graça, apesar de serem, claro, muito inteligentes. Por outro lado, existem filmes, livros, músicas que, mesmo sendo bobinhos e fazendo escassos saltos para terras além-senso-comum, fascinam pela qualidade da atuação, das linhas escritas, arranjos / melodias / riffs / solos, de um jeito que nos deixa perguntando “quem anotou a placa do caminhão?” no final…

    E a grande questão no que concerne ao papel da arte enquanto crítica é que a crítica não é limitada à crítica social mas se expande de maneira fundamental à crítica pessoal – no que concerne a atitudes, escolhas, gostos, hábitos…

    Meu desgosto profundo com a cultura romântica se arrasta pelas novelas e filmez’inhos’ até hoje e justifica-se pelo seguinte: a dessemelhança total com a realidade, tanto em pequenos detalhes de roteiro como no grande esquema das coisas (falta de elementos que me envolvam na história) e os clichês (ou seja, nada que a minha mente já não esteja mais do que acostumada a ver e a pensar sobre).

    Outra coisa: poder-se-ia argumentar de que filmes como, hum, sei lá, Tropa de Elite, por se tratarem de lugares que existem e fazerem crítica social não seja bem um “universo paralelo”. Como minha teoria explica isso? Ora, é simples. Você não está experimentando as favelas do Rio de Janeiro, você está experimentando a visão do filme sobre ela. Ora, cada pessoa tem uma visão diferente sobre um lugar, não é mesmo? Você está vendo outra – é um outro mundo…

    Esse mundo, essa realidade alternativa está contida no nosso mundo. Ela está dentro do mundo real, fatual, objetivo, físico.

    Joseph Campbell em seu “O Poder do Mito” diz que nos mitos uma idéia geral recorrente é a de que há um mundo, algum tipo de realidade anterior à nossa que fica atrás, (como os bastidores de um teatro) da realidade que conseguimos perceber.

    Ora, considerar a experiência estética como um produto da nossa experiência biológica é ter uma relação saudável com os mitos e a arte porque assim ela serve como a expressão dos sentimentos para que eles não acabem nos esmagando, estourando de dentro pra fora. Esse mundo paralelo é um modo de lidar com a intensidade de nossas emoções e instintos (visão de ‘Nitchi’ sobre o nascimento da arte). Procurar através de simbolismos alguma lógica neles ou mesmo procurar um conselho para o que fazer em determinada situação (aprender outra idéia, ter uma outra visão das coisas, expandir a consciência…).

    Quando você considera que a realidade é na verdade metafísica e que existe esse mundo que dá suporte ao mundo “concreto” – ou seja, quando você inverte a ordem do “A está contido em B” – é porque você deseja que assim seja. Deseja escapar à realidade, deseja viver numa situação em que tudo seja do modo como você quer, distante do que a realidade mostra. É a fuga da realidade.

    E por que não poderia ser assim? Bem, é uma questão que atormenta os filósofos desde Platão, mas não é bem atormentadora. Se há uma realidade invisível por detrás desta, como ela é? As pessoas que tem essa idéia fazem desse mundo algo bem variado. Algumas nem pensam nele como uma realidade parecida com a nossa, mas como “alguma coisa” que existe além, como uma ordem moral das coisas, por exemplo.

    Entretanto, é nesse mundo que elas vivem e é a essa realidade que elas se sujeitam. Ou você tem um universo inverificável e muito útil para os propósitos da vontade que quer fugir da realidade, ou você tem ainda aqueles que acreditam que existe algo assim mas que isso não faz diferença na realidade objetiva. Mas, se não faz diferença, por que acreditar nisso? Pode ser uma pura experiência estética: apenas um modo de viver a vida com a consciência de que há algo maior, mas se (o que é muito difícil) isso não interferir em nada, voltamos ao ponto de partida: esse mundo acaba contido no nosso, no real.

    Supor que esta realidade está contida em outra mesmo quando a evidência de nossa própria experiência mostra o contrário e quando o mundo é, veja só, do jeitinho como queremos que seja é algo que não tem conseqüências tão boas, nem a curto nem a longo prazo.

  • Universal Channel

    Postado em 23 de Confusão de 3174 YOLD , às 6:85:72 Peterson Espaçoporto View Comments

    A Sky tirou a Mtv do ar, e, logo depois, a Net. Lindo, fiquei sem Mtv. Merda. Mas não tem problema; ainda tenho a Universal Channel!

    Desde ontem estou meio gripado então estou de cama. Segunda e terça vi 3 filmes excelentes, sem contar Law & Order, House (que série incrivel), etc. Estou aqui pra falar sobre os 3 filmes que vi na minha experiência Universal. E, antes de começar, o mais legal é que foi tudo legendado. Demais isso!

    Primeiro filme: The Final Cut (2004)

    Nunca tinha ouvido falar desse filme, mas é… Bom. Na verdade, eu achei a história boa, o que acontece e como acontece e tal. Mas eu achei que o roteiro foi meio simplório, e a fotografia foi muito ruim. Melhor explicando: as cenas de ação ficaram bem sem graça, e as palavras eram muito óbvias. É como se ele quisesse discutir as implicações filosóficas do que acontece no filme e foi criando as situações pra poder falar sobre elas, então é tudo muito direto, meio entregado. Além disso, apenas a atuação de uma mulher me chamou a atenção, o resto delas, a do Robin Williams inclusa, foi bem ruinzinha. Mas, tirando isso, é uma história bem legal, um enredo que estimula bastante a imaginação.

    Segundo filme: Stepmom (1998)

    Ah, esse aqui é fantástico. Eu não sei qual é o nome do primeiro filme em português, mas eu sei que esse aqui é Lado a Lado.

    Esse filme é excelente. Nada muito outstanding; tudo regular, mas um regular bom. As melhores atuações, as melhores que a média do filme (e é uma média boa, repito) foram as das duas crianças, que deram um show. A história é da relação entre a madrasta, as crianças, o pai e mãe das crianças. É um filme que tem um recurso de roteiro MUITO interessante: motivos. Por exemplo, quando uma fala “eu fiz isso pelo bem das crianças!”, a outra fala “Não, foi pelo seu bem!”, e isso em diversas situações do filme, sempre de uma forma genial. Um filme que faz pensar sobre as nossas racionalizações e reais motivos, as transformações que sofremos, etc. Um filme bom, bonito, gostoso de assistir.

    Terceiro filme: Bandits (2001)

    O nome do filme em português é Vida Bandida, e também é bom. A história gira em torno de um trio masculino que rouba bancos de uma forma esquisita: eles vão até a casa do gerente do banco uma noite antes, avisar sobre o assalto, e então dormem lá; no dia seguinte vão até lá e o gerente abre o cofre, e então eles fogem. Eles ficam “famosos” em todo o território norte-americano por causa do jeito pacífico deles, mas o negócio muda quando por acidente uma mulher frustrada com o casamento cai na vida deles; aí o negócio complica.

    Não é um filme que pretende ser engraçado, é um filme… Bem, eu não sei o que ele é. Ele tem romance, mas não é um romance; ele não é suspense, não é comédia (não dá pra rir muito), não é ação… É uma aventura. Uma aventura divertida, eu diria. Talvez daqui a alguns anos passe na seção da tarde.

  • O Controle do Consciente

    Postado em 32 de Confusão de 3173 YOLD , às 5:02:20 Peterson Espaçoporto View Comments

    Ontem eu visitava minha pasta sobre arquivos escolares e encontrei por acaso um arquivo que não deveria estar lá. Ele se chamava “problemas de imaginar o futuro”, e foi resultado de minhas anotações pessoais para um livro que li há algum tempo, o “O que nos faz felizes”.

    É um livro realmente muito bom. É direto e simples de entender, mas tem que prestar atenção. Os capítulos são grandes e a passagem de um tema para outro é tão sutil que às vezes você é levado por uma linha de raciocínio tão suave que não se lembra muito sistematicamente, de modo a formar informações, do que leu.

    Algumas coisas aqui que eu anotei sobre ele:

    Crença de que as coisas são na realidade tais como aparecem na nossa mente.
    Assim como preenchemos a experiência visual presente, preenchemos a memória e o futuro, automaticamente, com informações não especificadas.
    Nós consideramos, ao olhar para o presente, mais as presenças do que as ausências. Ao olhar para o futuro, as ausências são ignoradas, muitas vezes.

    Essa parte se refere à falta de visão que temos ao olhar para o futuro. Não conseguimos enxergar outros elementos e as mudanças que eles sofrem, porque nos focamos em um objeto de atenção apenas. Além disso, não consideramos as ausências, só as presenças ;) .

    Cada um de nós está preso a um lugar, a um momento e a uma determinada circunstância, e nossas tentativas de transcender tais limites com a mente são, na maioria das vezes, ineficazes. Consideramos que extrapolamos esses limites simplesmente porque não sabemos a extensão total que eles delimitam. A imaginação não consegue romper a linha do presente com facilidade, em parte porque, pra fazer isso, ela deve usar a maquinaria da percepção. Como esses dois processos têm que rodar na mesma plataforma, às vezes não sabemos qual deles está em ação. Assim, interpretamos que o que sentimos quando imaginamos o futuro é o que sentiremos quando chegarmos lá, mas, na verdade, os nossos sentimentos quando imaginamos o futuro sempre são uma resposta ao que está acontecendo no presente. O acordo entre a imaginação e a percepção de compartilharem o mesmo espaço é uma das causas do “presentismo”, mas não é a única.

    Outra parte muito, muito interessante:

    O olho e o cérebro são dois conspiradores, e, tal como qualquer conspiração, a ação deles se dá a portas fechadas, longe de nossa consciência. Em função de não percebermos que geramos visões positivas de nossas experiências presentes, não imaginamos que o mesmo venha a acontecer no futuro. Por causa dessa ingenuidade, acabamos hiperestimando a intensidade e a duração de nossa angústia em face das adversidades futuras, mas acabamos também minando nossos dois conspiradores. É mais fácil gerar visões positivas de ações do que inações, de uma experiência dolorosa do que uma experiência irritante; de uma situação desagradável que não podemos evitar do que uma que podemos. Ainda assim, raramente preferimos tomar uma atitude a não tomá-la, sentir dor a ficar irritado, o comprometimento à liberdade. Os processos envolvidos na geração das visões positivas são muitos: prestamos mais atenção às informações que nos sejam favoráveis, cercamo-nos daqueles que nos fornecem essas informações e as aceitamos de forma indiscriminada. Essas tendências facilitam a explicação de experiências desagradáveis de uma forma que nos isenta e nos faz sentir melhor. No entanto, por causa desse impulso irresistível de explicar tudo, acabamos estragando nossas experiências mais agradáveis, ao tentarmos sempre lhes atribuir um sentido positivo.

    Por um tempo fiquei um tanto quanto fascinado com Schopenhauer, mas eu demorei até entender a fundamental mensagem dele. Ele falava sobre as vontades e tal (não, eu não li nenhum livro dele, só o “A Cura do Schopenhauer”), mas eu não entedia porque afinal as vontades, para ele, eram coisas ruins. Então entendi o que ele dizia sobre o ciclo de vontades; era só ter uma vontade, saciá-la, e ter outra, num ciclo sem fim e sem graça…

    Mas então comecei a pensar… Mas por que isso é um ciclo sem graça? Digo, visto de fora por algum tipo de entidade não humana (é apenas uma suposição), o que será que ela acharia? Acharia chato, sem graça, vazio. Bom, o fato de ser vazio é uma das constatações mais “Eureka!” da filosofia, hehe… É uma premissa do existencialismo, e por aí vai, mas o que quero dizer é que deve haver algum modo de saber por que, para um simples mortal, isso é chato? Por que afinal de contas a alegria que vem quando nós temos algum desejo realizado não é capaz de fazer com que todos sejam feliiiizes para sempre? Bom, é claro, porque é um ciclo e blá blá blá… Mas eu vejo tantas pessoas com motivos pra ficarem tristes (nao se formos comparar a outros motivos, mas digo, elas têm lá seus motivos pra ficarem tristes…), e que no entanto não precisam descobrir que a vida é um ciclo sem sentido. Às vezes pequenas coisas (ou até grandes decepções) que fazem com que as coisas não sejam tão boas sempre… Por que então esse ciclo é chato, em vez de ser uma felicidade repetida várias vezes?

    Pensei e cheguei à conclusão (conclusão é onde você parou de pensar, mas tudo bem) que os seres humanos vivem na contramão da natureza. Na natureza das coisas e até das não “coisas” (das idéias, pra ser mais claro), NADA é perfeito. E também NADA dura pra sempre. Se NADA dura pra sempre e NADA é perfeito, o que os seres humanos procuram com afinco? a PERFEIÇÃO (ué, mas não é impossível?) e o que acontece com alguma coisa (boa) para que fiquem tristes? ACABA (Ué, queria o que, que durasse pra sempre?).

    Dentro de nós alimentamos secretos planos para fazer com algo que gostamos muito não acabe, mesmo quando o fim é iminente… E queremos que tudo saia perfeito… Por isso nos decepcionamos tanto. Mas tem outra coisa…

    Schoppenhauer dizia que a coisa-em-si do mundo, aquela que Kant dizia que NUNCA poderia ser encontrada (chame de Deus ou a-verdadeira-natureza-do-universo-seja-ela-qual-for), é a energia da vontade. Vontade, com V maiúsculo, e dizia que ela era uma energia irracional (impedindo-se de pensar em qualquer determinismo, ou seja, destino).

    Muitos dizem que os humanos são mais animais do que eles pensam ser… Bom, acho que não é por aí. Acho que é um animal que usa a razão mal demais pra conquistar seus desejos animais. Acho que o ser humano não respeita o “irracionalismo” da vontade. Ele não entende que não há razão para algumas (não todas) as vontades que têm. E o que faz? Cria uma razão artificial, achando que esse é o real motivo (isso é Hume, por exemplo), mas na verdade não há motivo. Aí o que faz? Se há um motivo para ter uma vontade, há uma meta a conquistar, uma situação a alcançar ou um objeto para ter. Aí a pessoa se foca TANTO em conquistar tal objeto ou situação que se esquece de sentir. Sentir a a emoção de uma experiência, seja ela qual for. Por menor que seja, desde que seja essa a sua vontade. Por isso dá aquele vazio, aquela sensação de micro-falta-existencial-de-alguma-coisa.

    As pessoas querem tudo perfeito e tudo pra sempre. Não sabem que nada é perfeito e nada é pra sempre. Querem, querem, querem, e se não sabem por que é uma loucura. Têm que ter um motivo e por isso, uma meta. As pessoas perseguem uma meta, by all the means necessary, e se esquecem da grande força que os move… Essa é a doença do vazio existencial. Como diria o Princípia Discórdia: A vida deveria ser encarada como a arte de jogar jogos…

    Mas, afinal, até onde podemos mudar isso?

    Conversei com um psicólogo a respeito, que trabalha no meu colégio. Ele me disse que não tinha lido o livro (”O que nos faz felizes?”), mas disse que muita coisa acontece no inconsciente, e que a noção de que podemos controlar esses processos pelos quais nossa mente organiza o que vem do mundo é muito precária.

    Precária porque sempre teorizamos acerca das situações. De longe, o racionalismo é fácil. Mas seria muito difícil transformar esse racionalismo em realidade? Seria muito difícil tomar a nossa vida em nossas mãos?

    Vida, afinal de contas, não é só feita dos momentos em que tomamos decisões. A cada segundo nossa liberdade é testada, porque a cada segundo a vida vai se esgotando… A cada segundo, a vida nos cansa, e nos coloca mais retos na fila para a morte. É preciso poder pra viver cada momento intensamente. E esse poder vem da liberdade.

    Servos servirão? A liberdade não custa caro: só custa esforço. Aí depende de cada um pesar o esforço, avaliá-lo. Liberdade exige pensar, mas é mais que isso: liberdade exige controle. Eu teorizo que o controle deixa a vida chata; entretanto, viver como gado não dá. Muitos já o fazem. O controle, para mim, seria apenas um meio que cada um desenvolveria para alcançar o descontrole. Mas isso é difícil, e é um caminho generalizado para cada um especificamente.