E também o assassinato de outros deuses
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  • Hai-Kais (Haikus)

    Postado em 65 de Discórdia de 3175 YOLD , às 7:74:80 Peterson Espaçoporto View Comments

    Acaba Jornal Nacional
    Pra que saber do mundo?
    Quero é saber de você

    Olhei pra fora
    A chuva e as nuvens
    Lembraram-me “vambora!”

    Talvez o tempo corre
    E o antes ser o mesmo que o depois
    É o que ocorre

    Que alegre significado
    Não fazem mais sentido
    As cartas do passado

    Fuja, coração
    Quanto mais a vida assenta
    Mais você fica na minha mão

    Ao entardecer
    Mesmo todo barulho
    Parece mudo

  • I’m in love with Hai-Kais

    Postado em 67 de Burocracia de 3174 YOLD , às 6:94:54 Peterson Espaçoporto View Comments

    Eu nunca me dei bem com poesia. Pelo menos não tão bem quanto me dou com música, que explique-se; Na verdade sou racionalmente atraído por poesia, pois acho que é (duh) uma música sem instrumentos, então deve ser alguma coisa, afinal.

    Algumas poesias, entretanto, conseguem “romper” essa barreira estranha que eu tenho. Por exemplo, tem uma que li no blog do Alexandre Soares Silva que goes like this:

    Os que amei e perdi dormem dentro de mim

    A culpa é minha, sou eu que os desperto,

    Logo que a noite envolve em sombras o jardim

    Acho muito bonita essa passagem – me lembro que é de alguma música / poesia de um brasileiro, e do ASS (ótima abreviação, hehe) dizendo que o resto era um lixo e não sei mais o que. Bem, eu gostei dessa parte. Também tem uma poesia que parece ser uma “compilação” de uma amiga, Juliana, entregue a mim por causa do meu aniversário (só que no ano passado).

    E tem algumas outras também. É verdade que nunca consegui ler mais do que uma ou duas poesia do Prof. Gasparetto – Fátima sabe, e creio que ele ainda me visita ocasionalmente. Não me leve a mal professor, comentei em algumas – nas que li – e dessas eu gostei, mas o problema não está em você, está em mim. Aliás, as próprias poesias da Fátima, acho bonitas – e tenho lembranças interessantes com algumas, mas com a maioria o que sinto é apenas uma admiração racional por elas. Tem também as poesias de Fernando Pessoa, Baudelaire – eu gostei, eu gostei, indiscutivelmente inteligentes / lindas mas falta algo. Como Ibrahim mesmo expressou há um tempo atrás, elas não me tocam – falta algo.

    Eis então que Mari me apresenta Hai-Kais há uns tempos atrás. Segundo ela são poesias japonesas, de três versos, com 17 sílabas no total, e é necessário citar uma estação do ano. Eu gostei muito desses Hai-Kais e ela me mostrou alguns de composição própria (dela) que foram ora encantadores, ora engraçados – os Hai-Kais têm como objetivo ambas as coisas, ao que parece. São absolutamente encantadores.

    Comprei ontem o livro “Hai-Kais”, de Millôr Fernandes, e agora posso dizer que finalmente gosto mesmo de poesia – pelo menos desse tipo de poesia.

    Segundo Millôr:

    “O Hai-Kai é um pequeno poema japonês composto de três versos, dois de cinco sílabas e um – o segundo – de sete. No original não tem rima, que geralmente lhe é acrescentada nas traduções ocidentais.”

    Nos hai-kais de Millôr não houve preocupação com número de sílabas, ausência de rima ou mesmo estações do ano. Alguns resultados do livreto da L&PM Pocket (número 27):

    Olha,
    Entre um pingo e outro,
    A chuva não molha

    -

    Esnobar
    É exigir café fervendo
    E deixar esfriar

    -

    A vida é bela
    Basta saltar
    Pela janela

    -

    O cético sábio
    Sorri
    Só com um lábio

    -

    Por fim se descobriu
    O soldado desconhecido
    É um civil

    -

    O pato, menina
    É um animal
    Com buzina.

    -

    Quantas palavras de amor
    Morrem
    No apontador?

    -

    O pôr-do-sol, é certo
    Já não me toca
    Tão de perto

    -

    Não questione
    Por que o caracol
    Carrega um trombone

    -

    Será que o doutor
    Cobra pela cura
    Ou cobra a dor?

    -

    Na penumbra, a sós
    Quando a luz se acende
    Já não somos nós

    -

    A cidade dura
    Não faz homens
    A sua altura

    -

    Probleminhas terrenos:
    Quem vive mais
    Morre menos?

    -

    O inacreditável é crível
    Mas o impossível
    Não é possível

    -

    Aí que se pergunta: por que é que eu gosto disso e não gosto de poesias, que são só uma, hum, coleção ordenada e coerente de várias dessas estrofes, sendo que algumas são de quatro versos e outras sequer possuem formas tão rígidas? Não sei, não é a forma que me encanta, sequer as regras, mas talvez o fato de que é possível dizer tanto, de forma tão instigante e/ou bela, com tão pouco.

    De Millôr:

    Apesar de sua forma frágil, quase volátil, dependendo da imagística mais do que qualquer outra poesia, uma implosão, não uma explicitação, o Hai-Kai é, contudo, uma forma fundamentalmente popular e, inúmeras vezes, humorística, no mais metafísico sentido da palavra