E também o assassinato de outros deuses
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  • Com Vocês:

    Postado em 19 de Pós-matemática de 3175 YOLD , às 8:39:27 Peterson Espaçoporto View Comments

    Eles Não Usam Black-Tie.

    Problemas técnicos: não estou conseguindo colocar o vídeo direto na página.

    O link para ele é este ;)

  • Tanatofobia, Ou Algo Parecido

    Postado em 15 de Confusão de 3174 YOLD , às 7:01:24 Canedo View Comments

    Em um post de alguns dias atrás, o Reverendo Peterson Cekemp nos disse: “Daqui a cinquenta anos são os NOSSOS nomes que vão influenciar o discordianismo brasileiro. Nós estamos praticamente inventando o movimento, assustador.”

    Esse negócio de futuro, discordianismo, blogs, tecnologia me deixou abismado com meus pensamentos, os adolescentes de hoje terão registrados todos os momentos de sua vida na internet, teremos cada passo nosso escrito em um blog, no fim de nossas vidas, teremos muito mais recordações que nossos antepassados, pois sempre que lermos o texto em nosso blog ou vermos a foto em nosso orkut, nos lembraremos de tais momentos em nossas vidas.

    Fascinante? Para mim não. Imaginem, todos os seus erros escritos em páginas na internet, ao final de nossas vidas teremos um relatório completo de nossos erros. O que nos trará conseqüencias terríveis. Talvez eu mude o meu conceito sobre canetas e lápis.

    Sempre desejei ter meu nome escrito na eternidade, sempre desejei ser mais que Einstein, Pelé, Marx, Getúlio e outros que têm seus nomes marcados na história. Talvez isto seja por causa de minha “arrogância”, sempre quero estar no topo, sempre mostro como eu estou no topo (mesmo não estando) e de como tenho controle da situação (mesmo não tendo), pois não quero ser mais um zé-ninguém, que quando eu morrer, poucos irão em meu enterro, e somente dirão “O Canedo foi um bom homem”. Não quero isso! Quero mais, no mínimo um feriado mundial em minha homenagem, para que todos se lembrem de mim! Impossível? Mas se existe feriado para o nascimento de um pastozinho de contos de fada, porque para mim que sou real, e mudarei o mundo muito mais que ele não pode ter? No final de minha vida, quero pensar Einstein e dizer “Você foi fichinha”.

    Uma pequena metáfora que usei com o Rev. Peterson ontem, em uma colméia, existem milhões de operárias, quando uma morre, ninguém (importante) sente falta, porque na realidade aquela operária não faz falta! Esse é o problema, somos um monte de merda, não passamos de mais um entre milhões, bilhões, quando virarmos adubos, irão dizer “e o kiko?”.

    Pensam que eu quero ser uma rainha? Não! Eu não quero ser uma rainha! Quero ser A RAINHA.

    Não sei se concordam comigo, mas meu égo me faz pensar assim, de querer ser maior, de querer ser mais que os outros, e de quando chegar no topo, querer ser mais que o que eu realmente sou.

    Talvez eu pense assim por causa do ateísmo, penso que esta pode ser a razão porque quando vejos pessoas orando, sinto pena. Pena de pessoas que disperdiçam um bom tempo de suas vidas por nada, talvez nem seja por nada, pode ser por consolo talvez. Consolo de que nunca serão mais do que são. Que quem nasceu debaixo de uma ponte tem tudo para viver lá até o fim de sua vida, que quando morrer ninguém vai se tocar de que ali faleceu um ser-humano, a maior obra-prima da natureza. Um consolo de que quem nasce pobre, nunca experimentará os gozos da vida de um rico, que nunca saberá o que é um caviar, qual a sensação de voar, como é linda a vida submarina e como é fascinante o universo e sua origem. Um consolo para que pense que um dia será a dona da situação, que um dia terá tudo o que sempre quis. Mas Deus não passa disso, um consolo para quem nasceu (e sabe que vai morrer) na lama.

    Por isso gozo de todos os prazeres da vida, não perco tempo com discussões baratas, e jamais brigo com pessoas que amo. Dou valor ao dinheiro, mesmo não gostando do mesmo, sei que ele, apesar de estragar o homem, é importante, pois somente a ignorãncia lhe inclui em uma sociedade ignorante.

    O título sugere que eu tenho medo de morrer, de virar adubo. Mas não, enfrento a morte todos os dias (vide Final Destination), tenho medo é do esquecimento, morrer sem ser ninguém, e para piorar eu posso clicar em um link, e ver que o outro cara que divide a UTI comigo teve uma vida bem melhor que a minha, ou pelo menos é isso que mostra o blog dele.

    Sou ateu, mas gostaria muito que existisse um Deus para me confortar, poderia ser até com todas as maluquices que estão escritas na bíblia, mas me confortaria muito, mas como sou inteligente o bastante para ser Ateu graças a Deus. E talvez eu possa até parar com mindfucks, pessoas pequenas não teriam cabeça o suficiente para conter o trauma de que sempre serão um saco de batatas podre que nunca servirão para nada.

  • Entre o fantástico e o simbólico

    Postado em 25 de Discórdia de 3174 YOLD , às 7:12:19 Peterson Espaçoporto View Comments

    Tim Burton é um diretor fantástico. Mas além dos filmes que faz, ele também escreve, e escreve muito bem, por sinal.

    No livro “O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra”, os desenhos são vívidos, intensos, marcantes; as rimas por vezes não existem ou fazem o ritmo da poesia mudar, o que combina de forma elegante com a história.

    Estas, “combinando a doçura e a tragédia da vida”, como disse Felipe Barcinski no livro, são viagens artísticas do mais alto nível, e que ainda te deixam entre dois mundos. Você se emociona, ainda que as situações sejam bizarras, mas também aceita o desafio intelectual de compreender algum simbolismo por detrás delas, alguns às vezes provocativos, desses que chamam com voz doce o senso investigativo, como o bebê âncora. E, afinal, o que significa ter um filho com o forno microondas???

    Entre o simbolismo e a fantasia. Assim vive a criatividade estupenda de Tim Burton. Os temas do livro geralmente são a busca por aceitação e adequação (personagens que sentem-se tristes e distantes por serem diferentes), a filiação (nunca conheci alguém que colocasse de forma tão brilhante no papel o que eu acho sobre ter filhos), a inevitabilidade da morte, e principalmente os prazeres solitários dos personagens sempre tão cheios de marcas, lutas, pesares, conflitos internos – que se mostram, sem pudor para o leitor, com uma sinceridade que escapa com suspiros de liberdade dos estereótipos de consciência romântica. Um sorriso desenhado nesse livro faz você se sentir bem, em paz, com uma alegria inenarravel e até bobinha; uma sensação leve, simples e poderosa – muito melhor do que as extravagâncias do romantismo.

    Tenho pra mim agora um pequeno desafio: entrar na mente de Tim Burton. Mergulhar em seus tormentos, tão expressados na sua obra – entender tacitamente o que ele quer dizer e mostrar. Vou baixar seus filmes, saber de suas idéias e opiniões.

    Mas isso, claro, quando eu tiver mais tempo livre…


    Creative Commons License photo credit: Daniel Pedrosa

  • Yo Thief! Pega Ladrão

    Postado em 73 de Caos de 3174 YOLD , às 5:70:05 Peterson Espaçoporto View Comments

    No excelente livro “O Caçador de Pipas”, cujo único problema é justamente a sua leitura (é embaraçoso dizer pra alguém que não te conhece que você está lendo esse livro), há uma filosofia do ‘Baba’ de Amir (não consigo lembrar do nome dele…), ateu ou agnóstico, que diz que o único pecado era roubar.

    Agora, sério, se você não leu o livro ou viu o filme talvez não entenda, ou talvez aqui haja um spoiler, então cuidado. Bem, você que leu, me diga: percebe como essa máxima é tão verdadeira, falsa ou irrelevante quanto qualquer outra? Baba roubou o direito de Amir de saber a verdade, mas conservou-lhe o direito de, enfim, ter um pai amado e respeitado. Teriam que definir os direitos primeiro. E depois dar prioridades a eles. E isso é roubar o direito de definir e priorizar os valores “cada um por si”. Enfim. Há algumas teorias interessantes ali, mas essa é uma furada.

  • Maria Antonieta

    Postado em 51 de Pós-matemática de 3173 YOLD , às 9:29:80 Peterson Espaçoporto View Comments

    Let them eat cake
    - Maria Antonieta

    Não é um filme convencional, confesso. Ele é um filme que não tem uma história muito bem definida; enquanto em outros filmes a história muitas vezes se delineia e as coisas tornam-se claras, esse é um filme como poucos são, como a vida às vezes fica: vazio.

    Agora mesmo, enquanto penso nele, me veio isso. Nossa vida parece um filme (no sentido de que, bem, a arte imita a vida), e há dois tipos de filme: os com objetivo e os sem objetivo. Pegue o Senhor dos Anéis, por exemplo. Ele é um filme com objetivo. Você sabe desde o começo que os personagens têm uma missão a cumprir (destruir o maldito anel) e o filme todo se baseia nessa aventura, nessa missão, toda a história gira ao redor desse eixo. Às vezes temos um objetivo, um objetivo forte, e tudo na nossa vida converge para esse objetivo. Às vezes, entretanto, ao contrário de sermos mais ativos, somos mais passivos e as circunstâncias passam a nos determinar mais do que nós as determinamos. Assim é Maria Antonieta, um filme como a vida geralmente se apresenta; com algum tipo pequeno de objetivo, mas em geral, vazio.

    A princesa Kirsten Dunst (ainda prefiro ela no outro filme, ela estava muito, muito linda…) casa-se, e precisa ter um herdeiro. Aí depois vai morar naquela casa do campo, passa o dia inteiro fazendo nada… E o filme gira em torno disso, do cotidiano dela, de sua aventura amorosa com o conde não sei das quantas, e etc. Não é algo com propósito, entende?

    Mas o legal é que filmes assim te envolvem; filmes assim se concentram mais na realidade das cenas do que no propósito delas, digamos assim. Posso estar falando besteira, mas o filme assim sem propósito se concentra mais em envolver você. E o filme é envolvente. Deixe-me dar um exemplo:

    Quando o povo da frança passa fome, a Maria Antonieta diz “deve haver algo que o rei possa fazer pra aliviar o sofrimento deles. Diga ao joalheiro real pra não mandar mais diamantes.

    Bom, uma pessoa consciente e atenta pensaria na ironia inocente da frase. “Poxa, o povo passando fome e o máximo que ela faz é não comprar mais diamantes…”. Certamente é isso que eu pensaria, e no meu mais puro instinto anarquista eu diria algo como “Porra, como essa situação é deprimente…”.

    Mas, adivinha… O filme te envolve de tal forma, que você vai pensar assim:

    “Poxa, legal. Uma atitude boa dela essa, legal.”

    Pois é. Foi isso que eu pensei. Sério.

    Enfim. É um filme envolvente. O que ficam não são grandes aventuras, grandes suspenses, mas sim momentos de fino humor, uma interpretação discretamente boa, e uma viagem da imaginação até o século XVIII.

    Ah, e, claro, não tem como não falar da trilha sonora, o que, na minha opinião, é o ponto alto do filme. Pensem vocês que o gênio que concebeu essa trilha sonora consegue colocar rock num baile do século XVIII, e The Strokes no momento de introspecção de Marie…

    Sim, rock, The Strokes, sim, sim!!! É fantástico! Você pode achar que é idiota, e eu achei que ia ficar forçado. Quando minha amiga falou que tinha Strokes nesse filme eu fiquei curioso. Achei que ia ser palha, que ia ser forçado, sabe? O tipo de coisa que você ouve e fala “nossa, que ridículo”. Mas não. Ficou… Natural. Estranhamente natural.

    Vejam e percebam. Como eu disse pro Santaum, eu não recomendo o filme, exceto que vocês não tenham outras prioridades. Ou seja, quando não tiverem mais nada que vocês queiram muito assistir, assistam.