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O Naturalista da Economia
Postado em 69 de Pós-matemática de 3175 YOLD , às 9:51:37 View CommentsEsse foi o livro que ganhei do meu irmão de Natal, e é absolutamente excelente. Nele, o autor, Robert H. Frank, explica conceitos fundamentais de economia usando perguntas que realmente atiçam nossa curiosidade, como, por exemplo, por quê as lojas 24h possuem fechaduras nas portas, entre outras.
Mas, ao invés de discorrer sobre ele – até porque é um livro que desperta pouca vontade de discutir sobre sua qualidade, que é indiscutível mesmo - vou copiar dois trechos. O primeiro é sobre um conceito estatístico chamado “regressão à média”, que explica porque, afinal, o segundo CD de muitas bandas com um primeiro fantástico costuma ser tão ruim. Gostei muito de conhecer esse conceito, é muito, muito legal =)
O segundo é o final do capítulo que bota a economia pra brincar com nossos relacionamentos pessoais. É um final muito são e interessante, que foge a uma abordagem idiotamente fria sobre relacionamentos – o que é surpreendente em se tratando de um livro sobre economia.
Aliás, muitas coisas nesse livro são surpreendentes. No capítulo introdutório, o autor até apresenta uma charge em que, numa festa, uma mulher apresenta um homem a outra. A fala da charge é:
Ele é economista, mas ele é legal
Vamos às partes.
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Por que no beisebol os jogadores novatos mais promissores de um ano, em geral, não têm bons resultados na segunda temporada?
Em 2002, o jogador principiante Eric Hinske, defensor da terceira base do Toronto Blue Jays, alcançou a média de tacadas de 279 (…), um desempenho que lhe rendeu o prêmio de revelação do ano (…). No entando, duas temporadas seguintes, suas médias foram 243 e 248. Esse padrão não é nem um pouco insólito. Os jogadores que são considerados revelação do ano pela liga principal de beisebol em geral alcançam na primeira temporada resultados que seriam meritórios até para veteranos experientes. No entanto, mesmo contando com a vantagem de um ano de experiência, eles em geral não conseguem alcançar o mesmo desempenho em seu segundo ano nas ligas principais. Esse declínio de produtividade é tão frequente que tem um nome: “colapso do segundo ano”. O que explica ess fenômeno?
Uma possível explicação é a necessidade de algum tempo para que os lançadores dos times adversários descubram os pontos fracos de uma rebatedor. No entanto, se essa fosse a razão, ela se aplicaria a todos os jogadores de segundo ano, e não apenas aos considerados revelação. No entanto, como grupo, os jogadores alcançam na segunda temporada resultados ligeiramente melhores que os dos calouros.
Uma explicação mais razoável é que o colapso do segundo ano seja apenas uma ilusão estatística. Nem mesmo os melhores jogadores têm desempenhos perfeitamente coerentes. Em algumas temporadas, suas médias de rebatidas e outras estatísticas de ataque são muito mais elevadas que em outros anos. Por definição, somente jogadores que fazem uma temporada excepcional ganham o prêmio de calouro do ano. Desse modo, o segundo ano desses jogadores nas ligas principais vem imediatamente após um ano em que eles podem ter alcançado um desempenho muito melhor do que a média de suas carreiras. Portanto, não é surpresa que os números da segunda temporada sejam um pouco menores.
O colapso do segundo ano é um exemplo daquilo que os estatísticos chamam de regressão à média. Ela ocorre toda vez que o sucesso tem um componente aleatório. Não é sempre que um resultado excepcionalmente bom é seguido por outro mais normal, mas é comum que isso aconteça.
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Os críticos argumentam com razão que o modelo empedernido dos economistas sobre o mercado implícito de relacionamentos pessoais deixa de lado muita coisa importante. E embora ele ajude a explicar alguns padrões de sedução, também ignora o compromisso, elemento crítico em casamentos bem-sucedidos, que, pela própria natureza, é fundamentalmente independente de considerações materiais.
A importância do compromisso nos relacionamentos bilaterais é familiar a quem quer que tenha lidado com um locador. Imagine, por exemplo, que você acabou de se mudar de uma cidade e precisa de um apartamento. Se estiver em Los Angeles ou alguma outra metrópole, não terá como inspecionar cada um dos milhares apartamentos disponíveis, portanto você percorre os classificados e visita alguns imóveis para ter uma ideia aproximada do mercado – faixas de preço, itens de conforto e lazer, localização e outras características importantes para você. À medida que avança na busca, você descobre um imóvel que lhe parece acima do comum com base em suas impressões das distribuições relevantes. Você quer fechar negócio. A essa altura, você sabe que existe um apartamento melhor em algum lugar, mas seu tempo é valioso demais para continuar a procura. Você quer resolver sua vida.
Tendo tomado essa decisão, o próximo passo importante é assumir um compromisso com o dono do apartamento. Você não quer se mudar e um mês depois ser despejado. A essa altura, você já terá comprado cortinas, pendurado seus quadros na parede, instalado telefone e tevê a cabo e assim por diante. Se for obrigado a sair, não só perderá esses investimentos, como terá de começar novamente a busca por um lugar onde morar.
O locador também tem interesse em sua permanência por um período longo, já que ele teve muito trabalho e despesa para alugar o apartamento: anunciou o imóvel e mostrou-o a dúzias de candidatos, nenhum dos quais pareceu tão estável e digno de confiança quanto você.
O resultado é que, embora você saiba que há um apartamento melhor em algum lugar, embora seu locador saiba que há um inquilino melhor, ambos têm muito interesse em assumir o compromisso de ignorar essas oportunidades. A solução padronizada é assinar um contrato que impeça as duas partes de aceitar ofertas posteriores que pareçam mais atraentes. Se você sair, terá de arcar com o aluguel correspondente à duração do contrato. Se o proprietário pedir o imóvel, o contrato lhe dá o direito de se recusar a sair.
A possibilidade de assumir um compromisso assinando um contrato aumenta o valor que o inquilino está disposto a pagar por um apartamento e diminui o valor que o proprietário está disposto a aceitar. Sem a segurança decorrente desse compromisso contratual muitas trocas valiosas jamais aconteceriam. O contrato inviabiliza opções valiosas, mas isso é exatamente o que os signatários desejam que ele faça.
Na busca por um parceiro, enfrentamos um problema de compromisso essencialmente similar. Você quer um par, mas não quer qualquer um. Depois de namorar muitas pessoas, acha que sabe bem o que é possível encontrar – os temperamentos das pessoas, seus valores éticos, interesses culturais e recreativos, suas habilidades sociais e profissionais e assim por diante. Entre todos os que conheceu, você tem interesse em um, em particular. Com sorte, a pessoa sente o mesmo por você. Os dois querem avançar no processo e começar a investir no relacionamento. Vocês querem se casar, comprar uma casa, ter filhos. No entanto, poucos desses passos fazem sentido se os dois não tiverem a expectativa de um relacionamento duradouro.
Mas e se alguma coisa não der certo? Qualquer que seja a ideia que seu parceiro faça de um cônjuge perfeito, você sabe que existe alguém mais próximo desse ideal do que você. E se essa pessoa surgir de repente? E se um de vocês adoecer? Tal como locatários e locadores ganham se assumirem um compromisso, os cônjuges têm o mesmo interesse em inviabilizar futuras opções.
O contrato de casamento é uma forma de tentar alcançar esse compromisso desejado. No entanto, se refletirmos, veremos que um contrato legal não é a melhor forma de criar o tipo de compromisso que as duas partes desejam. Mesmo as sanções legais mais draconianas* não fazem mais do que obrigar alguém a permanecer unido a um cônjuge de quem prefira se separar. Mas um casamento nesses termos dificilmente atende às metas que cada parceiro original queria realizar.
Alcança-se um compromisso muito mais seguro se o contrato legal for reforçado por laços de afeição. O fato é que muitos relacionamentos não são ameaçados quando surge um novo possível parceiro mais gentil, rico, sedutor e bonito. Quem tiver criado uma ligação emocional com o parceito não quer investir em novas oportunidades, mesmo aquelas que em termos puramente objetivos pareçam mais promissoras.
Com isso não queremos dizer que os compromissos emocionais sejam garantidos. Qual de nós não teria pelo menos um pouco de preocupação se soubesse que naquela noite a esposa vai jantar com o George Clooney, ou que o marido vai tomar um drinque com Scarlett Johansson? No entando, mesmo os compromissos emocionais imperfeitos quase sempre poupam a maioria dos casais desse tipo de preocupação.
O importante é que, embora esses compromissos emocionais inviabilizem oportunidades potencialmente valiosas, eles também trazem benefícios importantes. Um compromisso emocional com o cônjuge é valioso no cálculo puramente racional do custo-benefício porque promove investimentos que melhoram a adaptação. Mas observe a ironia: esses compromissos funcionam melhor se impedirem as pessoas de pensar explicitamente na relação conjugal em termos de custo-benefício.
A experiência mostra que quem pensa conscientemente nesses relacionamentos em termos de pontos ganhos e perdidos tem menos satisfação no casamento. Quando os terapeutas tentam fazer os indivíduos pensarem nos relacionamentos em termos de custo-benefício, esse tiro muitas vezes parece sair pela culatra. Talvez essa não seja a maneira como a evolução nos preparou para pensar sobre os relacionamentos pessoais.
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* Nota minha: ESSA PORRA DE DRÁCON CAIU NO VESTIBULAR DA UFSC E EU NUNCA TINHA OUVIDO FALAR NESSE FILHODAPUTA. Era só isso, obrigado, e desculpe qualquer coisa.
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Carta Aberta de Agradecimento da Classe Rica
Postado em 22 de Burocracia de 3175 YOLD , às 8:96:19 View CommentsVamos ser sinceros: você nunca vai ganhar na loteria.
Por outro lado, as chances são bem boas de você se escravizar em algum trabalho miserável pelo resto da sua vida. Isso é porque você muito provavelmente nasceu na classe social errada. Vamos encarar isso – você é um membro da casta trabalhista. Foi mal!
Como resultado, você não tem a educação, o berço, os contatos, os bons modos, a aparência e o bom gosto pra se tornar um de nós. Na verdade, você provavelmente precisaria de um livro do tamanho da lista telefônica pra listar todas as vantagens injustas que nós temos sobre você. É por isso que estamos tão felizes de saber que vai continuar acreditando em todos aqueles contos de fadas bobos sobre “justica” e “oportunidades iguais” na América.
Pra começar, é claro, num sistema hierárquico como o nosso, que nunca houve muito espaço no topo. Além disso, ele já está ocupado por nós – e nós gostamos tanto daqui que queremos que as coisas continuem bem assim. Mas pelo menos há geralmente alguém mais abaixo na hierarquia social pra que você possa se sentir superior e chutar os dentes de vez em quando. Até mesmo um lavador de pratos pode facilmente encontrar um outro desgraçado mais abaixo na ordem das coisas pra poder cuspir nele. Então agradeça pelos trabalhadores imigrantes, as prostitutas e os moradores de rua.
Sempre se lembre de que se todo mundo como você fosse economicamente seguro e socialmente privilegiado como nós, não haveria ninguém pra preencher aqueles trabalhos chatos, perigosos e mal-pagos na nossa economia. E ninguém pra lutar as nossas guerras ou cegamente seguir ordens nas nossas instituições corporativas totalitárias. E certamente ninguém pra ir pro caixão sem ter vivido um vida completa e criativa. Então por favor, mantenha o bom trabalho!
Você também provavelmente não tem a mesma vontade compulsiva e ambiciosa de possuir dinheiro, poder e prestígio que nós temos. E até mesmo que você sinceramente queira mudar o modo como você vive, você também tem medo da mesma mudança que deseja, assim mantendo você e os outros em um estado nervoso de limbo. Então você vai passando pela vida mecanicamente atuando de acordo com seu papel social designado, morrendo de medo do que os outros pensariam se você ousasse “quebrar as regras”.
Naturalmente, nós tentamos colocar vocês uns contra os outros quando isso nos é favorável: trabalhadores bem-pagos contra os mal-pagos, com sindicato contra os sem sindicatos, pretos contra brancos, homens contra mulheres, americanos contra japoneses contra mexicanos contra… Continuamos baixando os pagamentos invocando lemas como “competição internacional”, “lei da oferta e demanda”, “segurança nacional”, o “déficit federal”, etc. Nós te botamos na rua se você pisar fora da linha ou ameaçar nossos lucros. E pra dar uma animada na monótona chantagem econômica diária, nós permitimos que vocês participem de nossos jogos eleitoreiros manipulados, mais conhecidos pelo pessoal comum como “eleições”. Felizmente, você não faz ideia do que está realmente acontecendo – ao invés disso, você culpa “alienígenas”, “ecochatos”, “gangsters”, “judeus” e outras situações incontáveis…
Nós também estamos muito felizes com o fato de que muitos de vocês ainda gostam da “ética do trabalho”, ainda que a maioria de nossos empregos degradem o meio-ambiente, destruam sua saúde física e emocional, e basicamente chupem os seus direitos a uma e única vida de você. Nós obviamente não sabemos muito sobre trabalho, mas temos certeza de que você sabe!
É claro, a vida poderia ser diferente. A sociedade poderia ser inteligentemente organizada pra satisfazer as necessidades reais da população geral. Você e outros como você poderiam lutar coletivamente pra se libertar de nossa dominação. Mas vocês nem sabem disso. Na verdade, você nem pode imaginar que outra forma de vida seja possível. E isso provavelmente é a maior e mais significante vitória do nosso sistema – roubar a sua imaginação, sua criatividade, sua habilidade de pensar e agir por você mesmo.
Então gostaríamos verdadeiramente de te agradecer do fundo de nosso coração desumano. Seu sacrifício leal torna possível nossos luxos corruptos; seu trabalho faz o nosso sistema funcionar, muito obrigado por “se por no seu lugar” – sem nem mesmo saber qual é!
Fonte: twentythreepress (a note of appreciation from the rich)
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Pra tirar a teia de aranha (do blog):
Postado em 19 de Discórdia de 3175 YOLD , às 9:39:99 View Comments -
Crise? Que crise?
Postado em 22 de Pós-matemática de 3174 YOLD , às 6:52:59 View CommentsO que penso sobre a crise:
PS: Não sou economista.No capitalismo, para alguem ganhar outro tem que perder, o dinheiro não se multiplica, se eu ficar rico, eu vou ter que “pegar” esse dinheiro de alguém.
Logo, com a crise, o dinheiro não esta sumindo.Então o que é crise?
Crise é quando os que estão acostumados a ganhar começam a perder.
Não é o mundo que está entrando em crise, somente as pessoas mais influentes. -
Não é o comunismo, Henrique!
Postado em 24 de Discórdia de 3174 YOLD , às 6:16:40 View CommentsHenrique Wint, do excelente blog 21 Horas, que sempre nos visita, comentou certa vez que o responsável pelo feminismo foi o comunismo. Eu concordei; afinal, a luta por direitos iguais é uma forte marca do comunismo.
Entretanto meu professor de geografia nos forneceu uma outra visão das coisas: na verdade o capitalismo foi responsável por fazer a idéia do feminismo vingar e crescer. Porque veja, o capitalismo quer que a mulher trabalhe / produza e consuma como um homem, pois assim a economia aquece mais.
E não pense que isso é bom: desconsiderando os aspectos econômicos da coisa (que, ah, provavelmente devem ser ótimos…) , isso não apenas diminui a taxa de fecundidade (uma coisa, digamos, neutra), mas faz com que os filhos dessa geração cresçam com os pais distantes e ocupados, sendo “criados” (odeio essa palavra nesse sentido) muitas vezes pela avó, tia, empregada, etc.
E essa parte, essa parte é ruim. Essa parte é péssima. Esse é o tipo ruim de independência infantil, aquele no qual a criança acaba “aprendendo a se virar sozinha”, mas também acaba se frustrando sentimentalmente, criando uma visão de mundo balançada para os dois lados do pêndulo social: a distância melancólica ou a expressão agressiva… A criança se frustra dessa forma, se machuca interiormente.
Além do lado dos filhos, pensemos também no homem e na mulher. Eu sou pessoalmente contra o casamento por um leque de motivos; o fato de que casamentos acabam é só um deles, de menor importância. Mas por que acabam? Um dos motivos, para o professor, é que há atualmente competição dentro do casal, e não cooperação. E isso, ao contrário do que afirma Adam Smith, é ruim, não é? Ou…? … Não? …? …!
Agora analisemos só a mulher, individualmente, não em relação a um contexto.
A gigantesca maioria dos filósofos sistemáticos, ao longo da história do pensamento, procurou diferenciar o homem da mulher, e dizer, afinal, qual era a “natureza” inerente aos sexos.
O problema é que toda diferenciação sempre ocorreu de forma qualitativa e não igualitária. Ou seja, para justificar uma freqüente opressão masculina ou simplesmente porque a cultura já estava cheia de idéias desse tipo, todos os filósofos buscaram meios de explicar a superioridade masculina.
A situação mudou no século passado com a feminista (e comunista – aqui você acertou, Henrique) Simone de Beauvoir, que, de tanto acreditar que a existência precede a essência, acreditou que não existem diferenças entre homens e mulheres, e que estas podiam fazer tudo que aqueles podiam fazer, e melhor até, se duvidar…
Com a ascenção da psicologia evolutiva, sabemos que não é bem assim. Os seres humanos, únicos animais capazes de se rebelarem contra suas tendências genéticas, ainda assim possuem tais tendências, e negar sua existência é negar boa parte do que sabemos cientificamente sobre nós mesmos.
Homens e mulheres são diferentes, é impossível negar essas diferenças. Entretanto, essas diferenças são apenas diferenças, não há vantagens nem desvantagens que desequilibrem esse jogo. A necessidade que tivemos foi de alguém que dissesse que era possível ser diferente. Possível, não necessário! Porque se for pra mulher continuar a cuidar da casa e dos filhos, que isso seja uma opção, e não uma obrigação.
A mulher hoje em dia se vê obrigada a fazer justamente o contrário: é uma obrigação trabalhar. Ser bem-sucedida profissionalmente, “independente”, seja lá que diabos de conceito o capitalismo inventou pra isso, fazer pós-graduação, ter um carro próprio e tudo o mais. O capitalismo idealiza nos nossos tempos um ser humano provavelmente hermafrodita, que tem uma história a fazer, um caminho a trilhar, sonhos a perseguir; mas dentre esses sonhos incluem-se altos pagamentos, bens em quantidade e qualidade, uma boa aparência, enfim, talvez tudo isso (até mesmo em parte o terceiro item) possa ser convertido naquela água do mar bem conhecida: o dinheiro. Essas são características que não pertencem integralmente a nenhum dos sexos. E são as metas pessoais do nosso séculos; metas assexuais (no sentido de gêneros da palavra, é claro, hehe).
Mesmo que o feminismo tenha feito as mulheres se engajarem em uma luta idiota (e por vezes prejudicial a si mesmas) para provarem que são melhores que os homens, uma ótima coisa ela fez: gritar pela liberdade. Berrar pra quem quiser ouvir e quem não quiser também que sim, é possível ser diferente. É possível se transformar, é possível ser mais do que o básico, exceder nossos limites, nos superar.
Meu professor comentou que o problema do capitalismo é que ela não deixa que sejamos humanos e sigamos nossos instintos animais; entretanto, esse ponto de vista serve exclusivamente pra questão do feminismo, porque em todo outro caso, a natureza humana é o que mais se explora no capitalismo. O capitalismo não deixa que sejamos mais: ele explora e faz desenvolver o pior lado de cada pessoa, se aproveita de cada fraqueza, de cada propensão ao vício, de cada centelha de ignorância e acomodação do ser humano. E a questão do feminismo foi mais uma boa idéia corrompida pelo mercantilismo moderno.
O capitaismo é uma florsta de terno e gravata. Estamos sujeitos à mesma realidade animal de sempre, só que o homem é que é o lobo do homem. Axl disse tudo: Welcome to the jungle, baby.




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