E também o assassinato de outros deuses
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  • Sobre o controverso assunto;

    Postado em 45 de Caos de 3175 YOLD , às 0:39:61 Peterson Espaçoporto View Comments

    É engraçado que aqui no blog é normal de tempos em tempos os usuários pegarem uns textos antigos e nonada surge uma discussão onde menos se espera. Bem, o post dessa vez não é tão antigo, faz meio mês (de acordo com o verdadeiro calendário, é claro) que foi postado, mas ainda assim só agora gerou uns comentários discordantes.

    E let the flames begin!

    Bom, eu não estou aqui pra jogar mais flames. Estou aqui porque o post não foi meu, mas do Canedo, e achei os comentários e até um post externo sobre ele tão interessantes que não posso deixar de dar meu pitaco.

    A minha opinião é a seguinte. Eu não gosto de funk por dois motivos, um sendo discutível e o outro sendo pessoal. O discutível é que ele é artisticamente raso. E o pessoal é o de que eu não gosto do ritmo mesmo*.

    O que diabos eu quero dizer com artisticamente raso? Vejamos… Vocês percebem a semelhança entre essas duas letras de música:

    Pontes Indestrutíveis – Charlie Brown Jr.

    Buscando um novo rumo que faça sentido nesse mundo louco com o coração partido
    Tomo cuidado para que os desequilibrados não abalem minha fé pra eu enfrentar com otimismo essa loucura
    Os homens podem falar mais os anjos podem voar
    Quem é de verdade sabe quem é de mentira.
    Não menospreze o dever que a consciência te impõe não deixe pra depois valorize a vida

    Resgate suas forças e se sinta bem, rompendo a sombra da própria loucura.
    Cuide de quem corre do seu lado e de quem te quer bem
    Essa é a coisa mais pura

    Fragmentos da realidade estilo mundo cão, tem gente que desanda por falta de opção.
    Toda fé que eu tenho to ligado que ainda é pouco
    Os bandidos de verdade tão em Brasília tudo solto
    Eu faço da dificuldade a minha motivação
    A volta por cima, vem na continuação.
    O que se leva dessa vida é o que se vive o que se faz
    Saber muito é muito pouco, “Stay Will” estejam e paz.

    O que importa é se sentir bem, o que importa é fazer o bem
    Eu quero ver meu povo todo evoluir também.

    Aquela do post do Canedo

    vem cá, tu tá cansada?
    fica de quatro!
    vem cá, tu tá cansada?
    fica de quatro!
    desse jeito eu tô gostando
    fica de quatro!

    ela fica de quatro e eu fico maluco
    ela fica de quatro e eu fico maluco
    ela fica de quatro e eu fico maluco
    desse jeito eu tô gostando
    ela fica de quatro e eu fico maluco
    ela fica de quatro e eu fico maluco
    ela fica de quatro e eu fico maluco
    desse jeito eu tô gostando

    vem cá tu tá cansada é melhor você
    é melhor tu segui quicando
    i quicando, i quicando, i quicando, i quicando
    vem cá tu tá cansada é melhor você
    é melhor tu segui quicando

    Perceberam? A semelhança está no fato de que nenhuma delas aborda o assunto de uma maneira… Como dizer… Inteligente. Não, não é bem inteligente. Vou tentar ir pela outra ponta: a mensagem está dada. A mensagem está pronta. Seja ela “sexo” ou “faça o bem”, isso não importa, importa que ela diz o que ela está dizendo. Não há entrelinhas, não há dupla interpretação, não há profundidade (quer dizer, em uma delas pode até haver, hehe…). Não há poesia que vá além da rima, não há nada a ser descoberto. Está tudo lá, mastigadinho.

    É claro que não existe uma dicotomia assim tão clara entre um tipo e outro: existem aquelas músicas que contam histórias, existem aquelas com letras simples mas ainda assim elas de alguma forma tem mais poesia, ou tem mais sentimento, ou usam de outros artifícios – ou seja:

    Algumas letras vão te dizer algumas coisas legais que podem ser transformadas em conceitos; esses são como os ingredientes de uma grande refeição. Algumas letras vão te fazer mergulhar num outro mundo; essas são as receitas da refeição – receitas escritas em uma outra língua. Outras vão simplesmente te entregar o conceito pronto pra consumo – essas não só são refeições prontas pra esquentar no microondas como também têm aquelas versões que você compra nas estantes logo ao lado do caixa, é só abrir a embalagem de prástico e mandar ver.

    Agora, dito isso quero dizer ainda algumas coisas: em primeiro lugar, essa é a minha visão das coisas e não espero que isso seja verdade absoluta pra mais ninguém. E estou mais que disposto a discutir saudavelmente a coisa toda =)

    Em segundo lugar, faço das palavras dos outros as minhas:

    “Acima do índice de moralismo está o índice de satisfação pessoal.” – André Miteratus

    “Mulheeres [sic] ‘dão’ pra quem querem, qdo querem, onde querem.” – ThaiS

    * Já falei de uma exceção, mas me lembrei de outra: Bonde do Rolê também é legal.

  • Espírito esportivo

    Postado em 45 de Discórdia de 3174 YOLD , às 9:57:18 Peterson Espaçoporto View Comments

    Foi o que eu disse (ou pelo menos tentei dizer) no post Vamos falar sobre esportes. Sim, foi isso! Bom, não, não foi.

    O que eu quis dizer lá foi o modo como o esporte disciplina a mente das pessoas de uma forma positiva, de uma forma individual. Não uma disciplina que requer comando e submissão, mas uma coisa própria, uma questão de valorização, auto-estima, paciência, metas pessoais e etc.

    A vida é uma coisa engraçada… Veja bem, só há alguns dias é que fui ouvir uma das três palestras enviadas pelo Santaum (aliás, muito obrigado amigo!), palestras do Café Filosófico, sobre o Nietzsche. Uma eu já ouvi há meses; do Roberto Machado, falando sobre a relação entre a alegria e o trágico. O cara foi mais conciso e, apesar de repetir muito, deixou sua idéia bem clara na mente das pessoas (pelo menos na minha).

    Já na segunda palestra que ouço, de uma mulher cujo nome foi meio inaudível no arquivo de áudio, foi meio difícil se ater a algum tema central – ela dava exemplos cada vez mais longínquos, de forma que quando você voltava para a raiz da discussão, não sabia mais sobre o que ela estava falando.

    De qualquer forma, uma das partes mais interessantes foi quando ela comentou sobre o modo como Nietzsche encarava a competição, o antagonismo, os inimigos; “honra no amigo o inimigo”; uma citação relativamente famosa dele e que faz todo o sentido. O grande jogo da existência, as pequenas grandes batalhas do dia-a-dia não levadas a sério, mas consumidas, aproveitadas, sentidas com força, mas acima de tudo enjoyed. Eu gosto da palavra enjoyed. Pra mim há algumas palavras em inglês que querem dizer mais do que seus correlatos em português dizem. Enjoyed é uma delas. Enjoyed. Você tem que enjoy essas competições, essa sensação do furor da guerra. Esse é um tipo de energia que pode ser bem aproveitada por uma pessoa com um bom estado de espírito, que compreenda o quão mágicos são esses momentos e o quanto isso não precisa ter a ver com sentimentos absolutamente negativos – como a morte de alguém, por xemplo.

    Para Nietzsche, a aniquilação, a destruição, a humilhação do adversário são marcas do ressentimento humano. Perdemos o espírito esportivo, perdemos o foco no joy, no lado lúdico de todo o jogo, de toda a disputa; e concordo muito, muito, muito com isso… Definitivamente, uma das condições básicas pra termos uma sociedade melhor é termos mais espírito esportivo. Mas isso, talvez, dependa de coisas a mais do que o costume com a prática de esportes apenas…