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	<title>Orkutcídio em Massa para Adoradores de Lasagna &#187; discordianismo</title>
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	<description>E também o assassinato de outros deuses</description>
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		<title>Formiga de Éris</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 23:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Trivialidades]]></category>
		<category><![CDATA[discordianismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Passo na rua e tem uma pessoa vestida de formiga entregando panfletos. Quando pego, leio, vejo toda a historieta sobre um candidato a deputado federal que vai lutar pelos seus direitos, aquela coisa toda.
Aí viro a folha e vejo o número dele.

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Passo na rua e tem uma pessoa vestida de formiga entregando panfletos. Quando pego, leio, vejo toda a historieta sobre um candidato a deputado federal que <em>vai lutar</em> pelos seus direitos, aquela coisa toda.</p>
<p>Aí viro a folha e vejo o número dele.</p>
<p><a href="http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/files/2010-08-18-204610.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2402" src="http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/files/2010-08-18-204610.jpg" alt="2010-08-18-204610" width="422" height="330" /></a></p>
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		<title>Tradições da Cabala Jimi Hendrix&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 05:49:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pra fazer]]></category>
		<category><![CDATA[Trivialidades]]></category>
		<category><![CDATA[cerimônia]]></category>
		<category><![CDATA[discordianismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Depois de ter publicado novamente o texto &#8220;Ontologia Discordiana&#8221;, do Rev. Raymond Lama, vou traduzir a segunda tradição da cabala Jimi Hendrix, que está lá, na página da Dissidência. A outra tradição já havia sido traduzida antes.
&#8211;
A segunda tradição: O Almoço Animal
A raça humana, mesmo com os repolhos que a atrasam, teve a oportunidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de ter publicado novamente o texto &#8220;Ontologia Discordiana&#8221;, do Rev. Raymond Lama, vou traduzir a segunda tradição da cabala Jimi Hendrix, que está lá, na página da <a href="http://www.geocities.com/gwidion23/" target="_blank">Dissidência</a>. A outra tradição já <a href="http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2007/07/24/tradicao-da-moeda-por-raymond-lama/" target="_blank">havia sido traduzida antes</a>.</p>
<p>&#8211;</p>
<p><strong>A segunda tradição: O Almoço Animal</strong></p>
<p>A raça humana, mesmo com os repolhos que a atrasam, teve a oportunidade de alcançar um bocado de conquistas em sua busca sem descanso pela civilização. Tirando o fato de que nossos macacos ancestrais estão mais perto de alcançarem isso, é um fato que temos alguns privilégios que esses ancestrais não tiveram.</p>
<p>Para nos tornarmos conscientes de alguns desses privilégios, nós criamos uma cerimônia discordiana que nos reduziria a um estado primata por alguns momentos, para que possamos contrastá-los com nosso atual nível de civilização, e então podemos ver o progresso que fizemos nos últimos 100.000 anos.</p>
<p>É um ritual muito simples: é um almoço, consistindo de frango assado (a galinha inteira) e laranjas. Os outros materiais necessários são algo pra separar a galinha do chão (ok, não é necessário, mas use de qualquer jeito. Pareceu pra mim o mínimo necessário pra preservar a saúde), e a festa do almoço em si. Nada de coisas bobas como pratos, garfos, facas, copos ou essas coisas. A ideia é atacar a galinha e começar a comer com as mãos. Participantes estão proibidos de falar exceto enquanto mastigam.</p>
<p>Quando as pessoas acabarem de comer e terem se lavado apropriadamente, a ideia é que elas sentiram os benefícios da &#8220;civilização&#8221; e verdadeiramente apreciassem o legado de seus ancestrais recentes. Bem, depois de algumas dessas cerimônias descobrimos que funcionou ao contrário, concluindo, portanto, que a humanidade tomou a direção errada há alguns milhares de anos atrás&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ontologia Discordiana</title>
		<link>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2009/09/23/ontologia-discordiana/</link>
		<comments>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2009/09/23/ontologia-discordiana/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 19:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pra pensar]]></category>
		<category><![CDATA[discordianismo]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[ontologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o objetivo de preservar a história discordiana (porque o Geocities pode desaparecer a qualquer momento AHEAEHehA) estou republicando esse texto muito legal, que eu tenho certeza que tinha já posto aqui no blog, mas que durante as &#8220;enxugadas&#8221; de posts se perdeu.
Ontologia Discordiana.
por Raymond Lama.
Pode ser encontrado aqui.
Texto integral. Nada foi modificado.
&#8212;
This being a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o objetivo de preservar a história discordiana (porque o Geocities pode desaparecer a qualquer momento AHEAEHehA) estou republicando esse texto muito legal, que eu tenho certeza que tinha já posto aqui no blog, mas que durante as &#8220;enxugadas&#8221; de posts se perdeu.</p>
<p>Ontologia Discordiana.</p>
<p>por Raymond Lama.</p>
<p>Pode ser encontrado<a href="http://www.geocities.com/gwidion23/ontos.html" target="_blank"> aqui.</a></p>
<p>Texto integral. <em><strong>Nada</strong></em> foi modificado.</p>
<p>&#8212;</p>
<p><span style="font-family: Americana BT">This being a first essay on Discordian Ontology</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">Rendered in 27th of Confusion of the year of our mistress of 3163,  as a message of thought to be spread to the five winds.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">All Hail Discordia</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">Hall ail Discordia.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">1.<strong> Sobre a Ontologia</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 1.1.<strong> O que com os cincoernos significa Ontologia</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Nós Erisianos, familiarizados que estamos com a palavra Logia, uma das componentes de ontologia, sabemos que se trata então do estudo dos Ontos. Mas, a maior parte dos não filósofos, terá dificuldade em saber de antemão o que pentabos é, ou são, Ontos afinal.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Assim sendo, esclareço inicialmente que Ontos não são variações genética e filologicamente alteradas de Antas macho. Nem é a Ontologia uma sub-área da Odontologia, Gerontologia, ou qualquer outra &lt;prefixo&gt;ontologia com que estamos familiarizados, embora estas áreas sejam, em mais de um sentido, sub-áreas da ontologia.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Ontos, segundo me foi dito, e creio que se escreva </span><span style="font-family: Symbol">ontos</span><span style="font-family: Americana BT"> no original, se trata do verbo em grego para &#8220;ser&#8221;. Não ser no sentido de estar, mas no sentido de existir, de haver, de ser diferente da não existência. Claro, podem ter mentido para mim. Mas isso não mudará as conclusões a que se chegam neste documento.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Assim, vemos que a Ontologia é a logia, a área do conhecimento, ou me expressando melhor, a área da dúvida, que estuda o SER, a existência não só do indivíduo, mas das coisas e do universo em geral, do chamado pelos filósofos de Real, da Verdade (tudo com Rs e Vs maiúsculos). Trata por assim dizer de questões mais profundas do que a mera cosmologia, pois como veremos, o simples início do pensamento Cosmológico (a dúvida sobre como as coisas vieram a Ser), pressupõe que o pensa-duvidador já tenha uma resposta definitiva, para si, sobre as questões do Ontos.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 1.2.<strong> Um <em>briefing</em> da Ontologia Clássica</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Chamo aqui de Ontologia clássica, aquela que difere da  Ontologia Discordiana, Ambrosiana, e talvez hajam mesmo correntes de  Ontologia Quântica que poderíamos considerar como não  clássicas também. As correntes clássicas devem ter  sido originalmente propostas pelo Caracinza em pessoa.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Digo briefing porquê não vou além  das apresentações mínimas que poderiam ser  feitas numa primeira aula de 50 minutos de Ontologia para não  filósofos. Assim, apenas colocarei brevemente os caminhos apresentados  nessa uma aula, que deve ter, por si só, deixado de lado muitas alternativas  interessantes, mesmo em termos clássicos.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 1.2.1.<strong> A primeira pergunta:</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> A primeira pergunta da Ontologia, que talvez, concorrendo com  &#8220;porquê porquê?&#8221; seja uma primeira pergunta por excelência,  A UMA Primeira Pergunta, fica em português: &#8220;É?&#8221;. Em grego  &#8220;</span><span style="font-family: Symbol">Ontos</span><span style="font-family: Americana BT">?&#8221;  (acho. Meu conhecimento de Grego se resume a saber converter as fontes para Grego  no micro. Talvez deva haver alguma conjugação desse verbo.)  Mas, de qualquer forma, utilizando a tradicional Tradução  Ampliativa Explicativa das Línguas Clássicas para as  Línguas Modernas (que, uma vez que tais traduções  são necessárias, não têm então o poder  de expressão daquelas línguas antigas, quer por Acizentamento  da Língua, quer por Super-Exposição ao Cotidiano das  sociedades atuais) ficaria em português algo como &#8220;O Real existe?&#8221;, ou  &#8220;O Real é? &#8221; , &#8220;Há o Real?&#8221;, &#8220;As coisas são, ou não?&#8221;</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> As correntes clássicas colocam então duas respostas possíveis, dicotômicas e invariantes para a pergunta &#8220;É?&#8221; que são &#8220;Sim&#8221;, ou &#8220;Não&#8221;. A maior parte das pessoas, doentes que estão pelas ações do Caracinza, crê que a única resposta viável é &#8220;Sim&#8221;. Alguns filósofos, um pouco menos afetados pelo fantasma do Cotidiano, embora possam fazer parte de uma das Ordens de Éris, aceitam o &#8220;Não&#8221; como resposta &#8220;válida&#8221;, e alguns poucos até respondem isso mesmo. Discordianos saberão melhor que isso. Queria encontrar algum filósofo Quântico para conversar a respeito. Creio que um tal pensador manteria o &#8220;Sim&#8221; e o &#8220;Não&#8221;, mas eliminaria a invariância da resposta. </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Assim sendo, na Ontologia clássica, a resposta &#8220;Não&#8221; a essa pergunta da origem a corrente chamada de &#8220;arrealismo&#8221;, ou &#8220;anti-realismo&#8221;, na qual se nega a existência do Real. O quer que se pense em tal corrente transcende uma primeira aula de 50 minutos, e embora possa talvez ser a área mais interessante da Ontologia clássica, não posso dizer mais a respeito sem mais pesquisas. Com certeza, aprofundamentos da Agora Criada Ontologia Discordiana necessitarão de mais informações sobre o que já foi pensado e escrito nessa área.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Por outro lado, a resposta &#8220;Sim&#8221; da nome à corrente chamada &#8220;Realismo&#8221;, que conduz a segunda pergunta da ontologia Clássica. A resposta em si afirma que há um Real, mas não que seja necessariamente único, invariável, estável, correspondente ao real perceptível, etc&#8230; A maior parte das pessoas simplesmente pressupõe essas coisas. E mesmo o mais puro dos Discordianos pressupõe isso em situações cotidianas. </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 1.2.2<strong> A segunda pergunta:</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> &#8220;Porquê é?&#8221;. O que faz o Real ser? Não necessariamente como o Real veio a ser, porquê aí já se cai na Cosmologia. Mas pode ser que quem vá responder a isso tenha que passar por aí.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Novamente as restrições impostas tanto pelo Classicismo Caracinza, quanto pela duração da Aula, deixam duas respostas:</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> &#8220;As coisas são porquê são, e seu Ser já se basta em si mesmo, sem precisar de nenhuma ajuda externa.&#8221; essa corrente é chamada &#8220;Materialismo&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> A outra resposta é &#8220;As coisas para serem depende de um Pensamento sobre elas que as faz serem.&#8221; Esse é o Idealismo, que em uma aula de 50 minutos se reduz a duas correntes, que discutem sobre a origem desse pensamento. Também me parece que nas correntes clássicas, esse pensamento que faz o vir a ser é necessariamente Anterior ao Ser.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Uma dessas correntes clássicas seria o &#8220;Idealismo Absoluto&#8221;, que diz o Pensamento original advir de Divindade(s) supra-Reais, e que pensaram o Real, antes dele Ser, ou antes de O Construírem. A grande maioria das religiões da Terra prega isso aqui. Sem nem pensar nas contradições em que caem, conforme espero poder analisar.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> A outra corrente Idealista seria o &#8220;Idealismo Relativo&#8221;, que diz que o Real só existe a partir do momento em que algo ou alguém pensa nele, sem que este algo ou alguém seja necessariamente supra-real em si mesmo. A pergunta-exemplo por excelência que expõe o idealismo relativo é simples, de fácil compreensão, e obriga que se pense a respeito dela:</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">&#8220;Se uma árvore cai no meio da floresta, sem ninguém por perto, pode-se dizer que ela faz barulho ao cair?&#8221;</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> <strong>Retorno ao 1. </strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Com estas considerações, está apresentada a Ontologia Clássica de uma Aula de 50 minutos. </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 2.<strong> Sobre a Ontologia Discordiana</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Sendo o Discordianismo uma área repleta de opiniões conflitantes osbre várias coisas, faz-se necessário que sejam recapitulados alguns dos conceitos das Escrituras da POEE, e que seja exposto como estes são entendidos pelo autor do presente texto, assim passemos as</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 2.1 <strong>Considerações prévias sobre o pensamento Discordiano</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">Antes de iniciarmos qualquer estudo sob os vários pontos de vista sugeridos pela Deusa, devemos lembrar a máxima orientadora dos buscadores, expressa no nome do Apóstolo: Todas as afirmações são verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido, irrelevantes em algum sentido, verdadeiras e falsas em algum sentido, verdadeiras e irrelevantes em algum sentido, falsas e irrelevantes em algum sentido e verdadeiras e falsas e irrelevantes em algum sentido.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">Lembrando que, enquanto em algum sentido esta máxima expressa a total negação do saber, não é o que procuramos ao realizar um estudo, sobre ontologia ou qualquer outra coisa, pois o ato de estudar enquanto se crê na negação do saber é uma atitude estúpida.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">É claro que, em outro sentido, o que usaremos, a máxima acima afirma diz que para se conhecer alguma coisa, deve-se entende-la no sentido em que ela é verdadeira, no sentido em que é falsa, e no sentido em que ela é irrelevante, e que essa é a forma que mais se aproxima da verdadeira natureza das coisas. É aqui que se faz o rompimento com a razão clássica, que certamente afirma que só se deve conhecer as coisas no sentido verdadeiro das mesmas.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">É claro que não se deve esquecer que o próprio fato de todas as coisas serem verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido e irrelevantes em algum sentido é ele mesmo verdadeiro em algum sentido, falso em algum sentido e irrelevante em algum sentido.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Seguidores do Caracinza estarão aqui quase certos de isso então é a afirmação da negação do conhecimento, o que não é o que estou dizendo. Afirmo sim, que para se ter noção do que se diz, para se aproximar do conhecimento, deve se buscar comprrender em qual sentido as coisas são verdadeiras, em qual sentido são falsas, e em qual sentido são irrelevantes. </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">Lembrando que qualquer conhecimento ou intuição sobre qualquer desses sentidos sobre qualquer coisa tem também sentidos verdadeiros, falsos e irrelevantes. Assim, a verdade é infinita para cada coisa que se deseja conhecer, mas pode-se conhecer sempre uma parte da mesma, e pode-se ir até um nível tão profundo quanto se julgar suficiente, em se havendo tempo para tanto.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 2.2 <strong>Da Ontologia Discordiana</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Assim, retomando as perguntas apresentadas em 1 sobre a existência, a Ontologia Discrdiana consiste em estudar em qual sentido as perguntas apresentadas são verdaderias, em qual são Falsas, e em qual são irrelevantes, e depois, que se fassa o mesmo com cada resposta. Assim, poderemos ter noção da Natureza Múltipla da existência, com várias facetas, cada uma das quais todo ser humano em seu íntimo deve ter pensado ser &#8220;verdadeira&#8221;, por breves períodos de tempo.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 2.2.1 <strong>Considerações sobre a Primeira Pergunta</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Retomando &#8220;É?&#8221;, ou &#8220;A existência existe?&#8221;: Quando podemos dizer que essa pergunta é verdadeira? Quando temos a impressão de que existe um real, o que já deixa pouca margem para uma resposta negativa, e temos vontade de aprender sobre esse real, e enquanto as palavras fizerem algum sentido, o quê pressupõe a existência de uma língua, que, em primeira instância depende do real para existir. </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Podemos dizer que ela é falsa? A tradição discordiana diz &#8220;todas as afirmações são (&#8230;) em algum sentido&#8221;. Mas aqui, extendo isso a &#8220;tudo&#8221;, uma vez que cada coisa é, em algum sentido, uma afirmação. Assim, em qual sentido uma pergunta é uma afirmação? No sentido em que afirma uma dúvida, ou em que inquire o sujeito a quem a questão é dirigida. Assim, supondo-se que quem pergunta &#8220;É?&#8221; não o esteja fazendo pelo simples prazer do suplício de seus interlocutores, mas sim expressando uma dúvida legítima, a questão é verdadeira. Mas se esta pessoa, em seu íntimo já conhece a resposta que julga correta, então está expressando uma falsa dúvida. </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">A pergunta também seria falsa se as idéias, representadas por palavras, utilizadas para a mesma se contradissessem. Certamente o &#8220;Ontos?&#8221; original do grego não parece se contradizer. Mas talvez não se possa dizer o mesmo da versão que usei em português &#8220;A existência existe?&#8221;. Nesse caso, uma versão da pergunta sendo falsa por contradição de idéias, não implica que todas as outras versões da mesma pergunta não caiam na mesma contradição de idéias? </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">E, por fim, a pergunta é irrelevante para qualquer um que ache &#8220;perda de tempo&#8221; perguntar-se se o real existe, a qualquer um que não se preocupe com isso, a qualquer momento que não nos interesse discutir a questão ou a qualquer um que saiba a resposta a priori, e notem neste ponto, que o conhecimento da resposta a priori também faz a pergunta falsa: daí a tradição discordiana insistir em todas a combinações possíveis para &#8220;verdadeiro, falso e irrelevante&#8221;, combinações que dispenso aqui, sob pena deste documento ser considerado irrelevante em mais sentidos do que deveria. </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> 2.2.1.1 <strong>Da resposta a essa pergunta</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> </span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">A lógica tradicional permite apenas as respostas &#8220;sim&#8221; ou &#8220;não&#8221; para &#8220;A existência existe?&#8221;. O Discordianismo permite uma infidade de respostas, cada uma das quais verdadeira em algum sentido, falsa em algum sentido, e irrelevante em algum sentido. Só que a maior parte das respostas que não seja &#8220;sim&#8221; ou &#8220;não&#8221; será falsa em mais sentidos do que os outros, e talvez não mereçam ser consideradas.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">Assim, nos concentraremos nos vários sentidos da resposta &#8220;sim&#8221;: que pode ser escrito como a afirmação &#8220;O Real Existe.&#8221;, ou &#8220;É.&#8221;, &#8220;Ontos.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">O sentido no qual &#8220;o real existe&#8221; é verdadeiro, é bem conhecido cotidianamente tanto para filósofos quanto para comuns. Já o sentido em que &#8220;O real existe&#8221; é falso, embora possa parecer num primeiro momento equivalente a resposta &#8220;não&#8221;, tem implicações diferentes: pois não há uma separação entre os sentidos de uma afirmação. Uma coisa não apenas &#8220;é&#8221; OU &#8220;não é&#8221;. O sentido em que essa resposta é falsa implica em &#8220;é&#8221; E &#8220;não é&#8221;!</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT"> Daí podemos parar para refletir. Certamente o Real, sendo verdadeiro implica na existência de uma série de objetos físicos e de relações entre eles. Tanto é que nossa percepção do Real depende, ao nível objetivo, totalmente dessas relações entre os objetos, isso é, em última instância das relações entre os objetos que perfazem o Real e a nossa mente, mediada em alto-nível pelos nossos sentidos.</span></p>
<p><span style="font-family: Americana BT">Assim, podemos dizer que se esta percepção do Real for verdadeira, então,com efeito ele existe em algum sentido. O fato de que nossa percepção certamente deixa de fora muito do Real &#8211; só podemos enchergar até aonde a vista alcança, por exemplo &#8211; já implica em que nossos sentidos NÃO PODEM trazer uma imagem completa do Real. O que significa que o real percebido (com &#8220;r&#8221; minúsculo) é certamente muito diferente do Real, e certamente é inferior em amplitude mesmo a um real pensado, que seria a representação mais ampla do real nos pensamentos de cada um. E mesmo esse real pensado é infinitamente inferior ao Real. Isso assumindo-se que as percepções que temos do Real são verdadeiras em si. E não são, embora, para o escopo deste item sejam suficientes.</span></p>
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		<title>Pout-pourri Conceitual</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 01:39:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Anteontem eu comecei a ler &#8220;As Portas da Percepção / Céu e Inferno&#8221;, livro contendo esses dois ensaios do escritor de ficção científica Aldous Huxley. Ele é mais conhecido por sua magnum opus &#8220;Admirável Mundo Novo&#8221;, que infelizmente ainda não li.
Mas enfim, o que interessa é que é um livro MUITO foda, e até gostaria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Anteontem eu comecei a ler &#8220;As Portas da Percepção / Céu e Inferno&#8221;, livro contendo esses dois ensaios do escritor de ficção científica Aldous Huxley. Ele é mais conhecido por sua <em>magnum opus</em> &#8220;Admirável Mundo Novo&#8221;, que infelizmente ainda não li.</p>
<p style="text-align: justify">Mas enfim, o que interessa é que é um livro MUITO foda, e até gostaria de agradecer ao Rev. Schneider por tê-lo me dado de presente. Ainda não o terminei; na verdade, vou recomeçá-lo antes mesmo de acabá-lo. Isso porque em &#8220;As Portas da Percepção&#8221;, o primeiro ensaio, Huxley conta como foi a experiência dele com a mescalina. A mescalina, pra quem não sabe (como eu, antes da excelente explicação do próprio Huxley), é o princípio ativo do Peiote, aquela planta adorada pelos índios norte-americanos como um deus, e que eles usavam em seus rituais pra entrar &#8220;naquele contato&#8221; com o que-quer-que-seja que consideravam divino. Pra quem quiser tem a wikipédia em português, mas a coitada fala muito pouco sobre a coisa, então aqui vai um link mais <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mescaline#Behavioral_and_non-behavioral_effects" target="_blank">completo</a> se você souber inglês.</p>
<p style="text-align: justify">A coisa é que depois que ele deixa as alucinações ele começa a destrinchar seus pensamentos sobre filosofia, vida, arte, cérebro, arte, vida, arte, etc. E algumas das palavras dele me lembraram outras (as do Bigode), que me lembraram outra coisa, que me lembraram outra coisa, e então eu tenho esse post que tenho eu certo medo de que ficará gigantesco. Mas enfim.</p>
<p style="text-align: justify">Vamos começar com as palavras dele:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">- É assim que precisamos ver as coisas &#8211; tornei a repetir. E bem que poderia ter acrescentado: &#8220;Isto é o tipo de coisa que precisa ser vista&#8221;. Coisas sem pretensões, satisfeitas por serem apenas elas mesmas, conformadas com suas peculiaridades, não agindo de per si, não tentando, loucamente, isolar-se do <em>Dharma-Corpóreo</em>, em diabólico desafio à graça de Deus.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Para esclarecer, Huxley não era um cristão fundamentalista nem nada perto disso (pra quem lê essa última frase até parece), mas pra contextualizar mais copio outra frase do livro em que explica o que é o <em>Dharma-Corpóreo</em>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">[...] E lembrei-me, então, de uma passagem que lera em um dos ensaios de Suzuki: &#8220;Que é o <em>Dharma-Corpóreo</em> de Buda?&#8221; (O <em>Dharma-Corpóreo</em> do Buda é outro modo de se referir à Mente, à Peculiaridade, ao Vazio, à Divindade). A pergunta foi feita, em um mosteiro zen, por ardente e perplexo noviço. E, com a vivaz insensatez de um dos Irmãos Marx, respondeu-lhe o superior: &#8220;A sebe ao fundo do jardim&#8221;. &#8220;E poderia eu perguntar&#8221; &#8211; retrucou timidamente o noviço &#8211; &#8220;qual o homem que concebeu essa verdade?&#8221; A que Groucho, dando-lhe uma pancada nas costas com seu bastão, responde: &#8220;Um leão de cabelos de ouro!&#8221;. [...] <em>[Sob o efeito da mescalina]</em> Não há a menor dúvida de que o Dharma-Corpóreo do Buda seja a sebe do fim do jardim. Ao mesmo tempo, e com igual certeza, ele é estas flores, ele é qualquer coisa que desperte a atenção de meu ego (ou melhor, de minha bem-aventurada despersonalização, liberta por um momento de meu abraço asfixiante) [...]</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Bom, então, continuemos. Eu não sei exatamente se ele se referia à arte nessa parte &#8211; um dos motivos pelos quais quero reler esse livro, com ainda mais atenção. Me perdi um pouco depois de certa parte &#8211; mas  aquelas palavras, &#8220;satisfeitas por serem apenas elas mesmas&#8221;, logo na parte em que ele via livros com pinturas de artistas famosos, lembrou-me de um aforismo de meu livro predileto de Nietzsche, <strong>Aurora</strong>.</p>
<p style="text-align: justify">Não transcrevo aqui o aforismo porque ele é enorme &#8211; enquanto que a maioria leva umas dez linhas de texto esse ocupa quase duas páginas. Por isso conto o que acontece nele:</p>
<p style="text-align: justify">Dois amigos assistiam a uma ópera. Um deles, então, pergunta ao outro se ele está gostando. Depois de uma breve conversa, que não me lembro como é exatamente, a conversa se encaminha para um deles (o que perguntou) explicando as diferenças entre dois tipos de arte: as <strong>culpadas</strong> e as <strong>inocentes</strong>.</p>
<p style="text-align: justify">As inocentes, dizia ele, são aquelas que existem&#8230; Porque existem. Mais ou menos como nós, que nascemos por acidente, digamos assim. São frutos da inspiração pura, subsistem por sua vontade de existir e não são mais nada além disso. Existem, contudo, as músicas culpadas; aquelas que existem por um <em>propósito</em> e que nascem, pois, da dobra que a razão faz na torrente de inspiração pra que ela seja direcionada, moldada pra algo específico &#8211; vejo aqui um background de dionisíaco e apolíneo, hum? Aurora veio logo depois de Nascimento da Tragédia&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">Mas aí você me diz: é só isso? Uma página e meia pra isso? Não, não. A demora &#8211; e a parte GENIAL do aforismo &#8211; vem agora: o personagem que fez a distinção começa então a falar sobre aquela ópera que assistiam. Ele começa a falar coisas como &#8220;Vê? Aquele instrumentista agora faz tal coisa, e aquele outro faz aquela coisa, tudo coordenado para que nesse momento você se sinta de um determinado jeito&#8221; &#8211; é claro que, repito, eu não me lembro direito como é e demoraria séculos pra achar esse aforismo em meio aos 500 do livro preto, então imagine essa descrição com as palavras de Nietzsche. E é uma puta descrição. Ele continua &#8220;e agora vem uma parte calma, em que tudo é manipulado pra que você se sinta calmo&#8221; etc etc etc. Enfim, no final das contas, o outro amigo se impressiona e se convence de que aquela música é culpada.</p>
<p style="text-align: justify">Então o amigo explanador fala algo como &#8220;Não, fique tranquilo. Eu inventei tudo isso. Essa música é inocente&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify">Esse conceito de música culpada e inocente é algo que admiro e busco enxergar em toda arte que encontro depois que li esse aforisma. As músicas mais recentes do Radiohead, por exemplo, considero muito inocentes. Em contraponto, poder-se-ia dizer que as do High School Musical são desgraçadamente culpadas. <strong>Elas foram feitas pra vender</strong>. Quando o cara as compôs, pensou em máquinas registradoras, não em arte, pelamordiÉris.</p>
<p style="text-align: justify">Temos então também as músicas que fazem críticas sociais. São culpadas? Mas é óbvio. É uma inspiração direcionada, flexionada, controlada pra sair de um jeito específico. Nasce, na imensa maioria dos casos, como um desejo racional. Vou fazer uma música de crítica social como fas/. Culpada.</p>
<p style="text-align: justify">Isso, aliado ao fator de &#8220;<a href="http://www.orkutcidio.org/sobre-o-controverso-assunto" target="_blank">profundidade</a>&#8220;, é o que eu mais valorizo pra determinar o meu gosto pessoal &#8211; o que não significa que não haja exceções. Aliás, existem muitas e muitas exceções. No meu mundo sem exceções nenhum americano faria música boa, porque aí eu poderia odiar os americanos à vontade e ficar só com os britânicos. Mas não, lá tem Weezer, lá tem&#8230; Sei lá, Guns N&#8217; Roses. Lá tem Elvis, oras. Enfim, exceções, ué. Eu também gosto de umas coisas podres, mas na maioria das vezes eu enxergo mais esse lado: o &#8220;feeling&#8221; de inocente / culpada que a música me passa e a profundidade dela. E alguns instrumentos também, dando preferência a uns e enfim. Coisas que são absolutamente de gostos, sem nenhuma máscara racional.</p>
<p style="text-align: justify">Em que outra coisa eu poderia ter pensado depois de pensar nisso tudo? <strong>Ma, ôe!!!!!</strong> No FUNK, é CLARO!</p>
<p style="text-align: justify">Afinal de contas, desde o famigerado <a href="http://www.orkutcidio.org/com-creu-e-crau-o-brasil-vai-longe" target="_blank">post do Canedo</a> já tivemos 36 comentários (se juntassem os dois posts seria quase o campeão em comentários do blog) e até mesmo um post no blog da Thaís sobre o assunto. Ou seja, o assunto rendeu. E vou fazer render um pouquinho mais.</p>
<p style="text-align: justify">No post (o meu) sobre o assunto (no link &#8220;profundidade&#8221; ali em cima) os comentários do Ari me fizeram enxergar os meus erros, afinal: as diferenças entre uma música que considero &#8220;profunda&#8221; e outra que chamo de &#8220;rasa&#8221; definitivamente existem. A questão é que eu as chamo desse jeito, e erroneamente, através do meu gosto pessoal, acabo colocando uma como intrinsecamente boa e a outra como intrinsecamente má.</p>
<p style="text-align: justify">Vejamos, para uma pessoa que gosta das músicas que chamo de rasas, as músicas rasas podem ser chamadas de, hum, &#8220;músicas que tem letras boas&#8221; e as mais profundas &#8220;letras viajonas&#8221; &#8211; putz, que viagem essa letra, coisa mais ridícula, o cara fala nada com nada, etc etc etc. E daí? Quem está com a razão? Ninguém, obviamente, pois são dois pontos de vista perfeitamente válidos. Até a velha física básica nos ensina isso: podemos estar a 200 km/h na BR-101 mas estaremos ainda em repouso em relação à Terra&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">Onde quero chegar com isso? Você deu todas essas voltas pra cair nessa velha premissa discordiana que <span style="text-decoration: line-through">todo mundo</span> nós já estamos carecas de saber? Bem, na verdade eu quero relacionar isso a ainda mais coisas.</p>
<p style="text-align: justify">Além da profundidade temos então as inocências e culpas das músicas. Seria esse também um conceito relativo? Pff, é óbvio. Uma música que pra mim parece muito inocente pode parecer a outra pessoa, culpada. E vice-e-versa.</p>
<p style="text-align: justify">Vou então voltar no tempo para um comentário que o <a href="http://1001gatos.org" target="_blank">Ibrahim</a> fez em um post aqui do blog:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">Certa vez estava pesquisando sobre psicologia e me deparei com uma “lei” que dizia que tendemos a atribuir atos à perversidade das pessoas quando eles podem ser perfeitamente explicados pela ignorância ou incompetência. Por exemplo, você vê algo seu caído no chão e logo pensa que alguém derrubou, não que foi um acidente. O exemplo foi fraco, mas isso tem grandes implicações.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">Hummm&#8230; Nenhuma luz acendeu? Nada? Que tal lembrar os conceitos do Bigode: Música <strong>culpada</strong>. Música <strong>inocente</strong>. Vale ainda lembrar como o cara do aforismo conseguiu enganar o outro, levando-o a crer que a música é mesmo culpada ou inocente.</p>
<p style="text-align: justify">Isso me leva a pensar na moralidade, e em como podemos definir coisas como más coisas que às vezes são perfeitamente inocentes. Por exemplo: eu conheço uma pessoa que acaba por causar atritos com outras pessoas, também próximas a mim, por causa de seu jeito um tanto quanto&#8230; &#8220;recluso&#8221;. Recluso não é bem a palavra. É apenas&#8230; Particular.</p>
<p style="text-align: justify">Nós nos deparamos com isso, às vezes, todos os dias. Pessoas que têm jeitos diferentes e que acabam, apenas pelo fato de se manterem fiéis ao que são &#8211; nada de errado com isso, certo? &#8211; acabam prejudicando indiretamente (digo, não-intencionalmente) outras pessoas. É claro que seria interessante que essa pessoa tivesse consciência disso e aí então ela poderia decidir com mais propriedade, mas as coisas acontecem assim o tempo todo. Se cada pessoa, em tudo que fizesse, se preocupasse em fazer todos felizes, faríamos alguns progressos, mas com certeza em uma escala gigantescamente maior deixaríamos de fazer diversas coisas &#8211; aliás, quase tudo. Nossas ações se refletem na vida de de outras pessoas, quer queiramos, quer não. O máximo que podemos fazer é tentar ter consciência dos efeitos das nossas ações e decidir conscientemente &#8211; &#8220;sim, tudo bem, eu sei que isso vai fazer alguém sofrer, mas essa é a minha decisão&#8221;, ou então &#8220;bem, se isso vai causar tal e tal coisa, então não vou fazer&#8221;. Se alguém ainda duvida um pouco disso, recomendo o<strong> terceiro capítulo da primeira temporada de Pushing Daisies</strong>, chamado &#8220;The Fun in the Funeral&#8221;, aquele que o Ned diz &#8220;I wanted to be a Jedi&#8221; e etc. Além de ser um dos melhores episódios da série, é MUITO profundo nesse sentido.</p>
<p style="text-align: justify">O que o moralismo quer? A moral &#8211; aquela tanto atacada por Nietzsche &#8211; é aquele mecanismo infiltrado na nossa cabeça pela nossa cultura desde que somos pequenos, e ele é um meme com bastante prioridade pra ser &#8220;passado adiante&#8221; justamente pelos seus supostos resultados. Afinal, pense: o que as pessoas fazem acabam causando mal a alguém. O que os humanos querem é evitar a dor. Mas, como Renato Russo <strong>brilhantemente</strong> já disse: &#8220;e toda dor / vem do desejo / de não sentirmos dor&#8221; &#8211; ou seja, as pessoas tentam inutilmente não sentir dor. E aí pra isso, qual é o modo de fazer com que as pessoas não as prejudiquem? Criam (ou apoiam [acho que agora sem acento]) a moralidade, para que essas sejam consideradas pessoas más e seja rejeitadas. Então qualquer coisa que você faça, tem que sempre pensar no outro. Se não, é uma pessoa má e será execrada.</p>
<p style="text-align: justify">É claro que isso se trata muito mais das vezes em que coisas ruins acabam acontecendo, digamos assim, como consequência de uma ação boa, e não como motivo. Por exemplo, o emprego que você ganha num concurso público é a infelicidade de outra pessoa, mas você deveria se sentir envergonhado por isso? Ué, é uma coisa boa que, pra acontecer, infelizmente, causa um mal a alguém. O que é diferente de você se inscrever no concurso e estudar pra caramba com o único intuito de pegar a vaga de alguém &#8211; um exemplo fraco, típico de tramas bobas de novelas, mas só pra se ter uma idéia.</p>
<p style="text-align: justify">Como um dos exemplos que pensei nessa questão de moralidade, pensei na diferença entre gatos e cachorros. No excelente livro EQM (também do <a href="http://ibrahimcesar.com" target="_blank">Ibrahim César</a>), a personagem Falls pensa sobre as diferenças entre gatos e cachorros e classifica as pessoas em dois tipos: as pessoas &#8220;de gatos&#8221; e as pessoas &#8220;de cachorros&#8221;. É uma classificação bem simples: as que gostam de cachorros preferem ser servidas. As que gostam de gatos preferem servir.</p>
<p style="text-align: justify">Eu nunca tinha pensado nessa analogia, e antes de ler o livro meu pensamento era (e, mesmo depois de lê-lo, continua sendo) totalmente diferente. Meu pensamento é mais sobre quem odeia: o pessoal que odeia gatos. Por que odiar gatos? A despeito de minha ex-professora de Biologia <em>garantir</em> que os dela não são assim, algumas pessoas dizem que os gatos são frios. São &#8220;na deles&#8221;. Não vem te receber quando você vem em casa, etc etc.</p>
<p style="text-align: justify">A questão toda é que, tirando o argumento de que os gatos são &#8220;volúveis&#8221; &#8211; novamente desconfio, por exemplos não só da minha professora &#8211; e só ficam com você enquanto você os alimenta, todos os argumentos contra a &#8220;reclusão&#8221; do gato nada mais são do que a, hum, &#8220;animalização&#8221; da moralidade humana. Pessoas que não gostam de gatos não entendem a independência do outro, como se não tolerassem a auto-suficiência, como se não conseguissem <strong>gostar</strong> das outras pessoas pelo que elas são, nem que seja apenas pra olhar (<em>quem sabe, o conceito de sublime de <a href="http://www.orkutcidio.org/?s=Joseph+Campbell" target="_blank">Joseph Campbell</a>?????</em>) e gostam delas apenas pelos <strong>benefícios</strong> que a relação pode oferecer &#8211; ou seja, ELAS são, segundo aqueles argumentos de &#8220;que gatos são interesseiros&#8221;, os GATOS!</p>
<p style="text-align: justify">Mas então eu me pergunto: o que há mesmo de errado com a nossa cultura? Voltamos ao princípio básico do discordianismo. Aquela relatividade total e irrestrita. Acho que a nossa cultura &#8211; ou, digamos assim, mais como as pessoas agem do que propriamente livros, filmes, etc &#8211; nos ensina muito pouco sobre entender diferenças mais difíceis. Quase todo mundo consegue entender numa boa que uma pessoa não goste de tomates, que outra não goste de morango, até mesmo de chocolates, apesar do choque &#8211; mas quando se trata de pessoas e seus hábitos, algumas decisões que tomam, por erro ou por pura e simples decisão mesmo, aí não, não dá. E podemos ver isso hoje, talvez, com relação ao Funk, não?</p>
<p style="text-align: justify">Mas aí isso quer dizer que devemos sempre ser abertos a tudo e gostar de tudo e etc? Não. Minha interpretação pessoal (e, vixi, olha o loop) dessa premissa básica discordiana é a de que é impossível viver diretamente nela. Afinal, tudo é verdadeiro E tudo é falso. Não dá. Eu gosto e ao mesmo tempo não gosto de algo. São coisas conflitantes que, em geral, não dão certo (pode perceber que quando as pessoas vêm com aquela história de amor e ódio elas amam algum aspecto de algo e odeiam outro aspecto &#8211; ou seja, nunca os dois JUNTOS de verdade, se você <em>for fundo o suficiente</em>).</p>
<p style="text-align: justify">Ou seja, tenha suas opiniões. Forme-as do jeito que quiser. O discordianismo é só a ferramenta que permite que você não se fixe muito nelas, que você consiga manter sempre uma desconfiança, como uma música de fundo. Um constante &#8220;será?&#8221; no seu ouvido, onde quer que você vá. É se manter aberto a possibilidades &#8211; não abraçar todas elas.</p>
<p style="text-align: justify">(Desculpem pelo post gigante. É, eu sei. Enfim&#8230;)</p>
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		<title>O Herói e a invenção de valores</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jun 2008 20:51:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois de ver o vídeo &#8220;Joseph Campbell e o Poder do Mito&#8221;, em que o grande mitologista (ou seria mitólogo?) conversa com seu amigo Bill Moyers sobre as idéias de uma vida de pesquisas, tive bastante o que pensar. Minhas impressões:
Em primeiro lugar, é um (na verdade quatro) vídeo muito bom pra elucidar a verdadeira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de ver o vídeo &#8220;Joseph Campbell e o Poder do Mito&#8221;, em que o grande mitologista (ou seria mitólogo?) conversa com seu amigo Bill Moyers sobre as idéias de uma vida de pesquisas, tive bastante o que pensar. Minhas impressões:</p>
<p>Em primeiro lugar, é um (na verdade quatro) vídeo muito bom pra elucidar a verdadeira natureza do que podemos chamar de &#8220;parte boa&#8221; da religião (o faz muito melhor do que aquela&#8230; Aquela <em>coisa</em> de &#8220;Segredo&#8221;). Ele nos explica a simbologia e podemos então traçar um paralelo de equivalência , na utilidade, entre a mitologia e a arte, mais explicada <a href="http://www.orkutcidio.org/sobre-arte-romantismo-e-religiao" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Em segundo lugar, a idéia que ele expressa como principal &#8220;poder&#8221; do mito é o da reconciliação entre mente e corpo, &#8220;quando a mente quer ir longe&#8221;. Ou seja, é uma questão de aceitação, compreensão da vida, etc. Muito me espanta ele não ter citado o Bigode! Nem sobre amor fati, eterno retorno, nada, nada! Muito, muito estranho.</p>
<p>O próprio Bigode dizia &#8220;é preciso primeiro pensar diferente, pra um dia sentir diferente&#8221;. Será que ele concordaria anos depois, já que essa frase é de Aurora? Não sei, mas sei que sobre a invenção de valores <strong>o próprio Campbell nos dá um exemplo bem conhecido: o amor romântico</strong>. E este não fora inventado pelos românticos, oh não, isso vem de antes. Vem do trovadorismo. Foi uma revolução no modo de pensar&#8230; E será que de sentir?</p>
<p>Creio que não pois esse tipo de dependência sentimental é algo comum demais para a ele nunca ter sido dado o nome de amor. O que acontece, entretanto, é uma nova maneira de pensar sobre esse sentimento, uma nova maneira de vivê-lo, uma nova maneira de tratá-lo e também uma nova maneira de construir (ou, naqueles tempos repressivos, de destruir) a realidade sob esse novo olhar.</p>
<p>Pensar diferente, pra sentir diferente&#8230; <a href="http://1001gatos.org" target="_blank">Ibrahim</a> diz que tentar ultrapassar os clichês não é a meta, pois os limites são importantes &#8211; o legal é brincar com os limites. E, apesar de eu achar que na época fiz algum comentário contra essa concepção, hoje eu concordo totalmente. Talvez pelo fato de que &#8220;brincar com os clichês&#8221; sugeriu à minha interpretação uma coisa muito sem graça. Mas assim como toda diferenciação e inovação pode ser resumida a um tipo mais básico e simples, toda brincadeira com os limites pode ser resumida a &#8220;brincadeira com limites&#8221; e etc &#8211; a criatividade é conseguir dar um novo tom aos clichês.</p>
<p>Com a vida é a mesma coisa. Nós temos as nossas limitações, mas de modo algum elas contém apenas atitudes ruins. Elas também contém tudo de bom que podemos ser. O que o trovadorismo fez foi uma revolução no pensar e no sentir não porque eles criaram um sentimento ou algo além do que se pode imaginar &#8211; mas sim porque encararam todo o &#8220;conjunto universo&#8221; humano por um ponto de vista diferente, <em>arranjaram-no</em> diferentemente &#8211; colocaram um filtro de realidade diferente que mudou o modo como percebiam o mundo. E o discordianismo é (também) sobre isso: liberdade pra reconhecer que todos os filtros são válidos &#8211; temos é que escolher o melhor para nós. E um pra sociedade que estimule essa atitude&#8230;</p>
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		<title>Humildade</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 16:41:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Existem humildades e humildades. Se você é humilde por causa de sua religião, você não é humilde, você é submisso, e quem sabe tem baixa auto-estima (adoro a oposição de opostos nessa oração, o Paulo Bonfá também). Por quê? Simples. Um dos problemas da cultura de religião é a falta de pensamento. Tudo vem pronto. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existem humildades e humildades. Se você é humilde por causa de sua religião, você não é humilde, você é submisso, e quem sabe tem baixa auto-estima (adoro a oposição de opostos nessa oração, o Paulo Bonfá também). Por quê? Simples. Um dos problemas da cultura de religião é a falta de pensamento. Tudo vem pronto. Você pode até chegar a um ponto onde você se pergunta &#8220;Pois é, e Deus né, que loucura&#8230; Pois é, e pá&#8230;&#8221; e aí você começa a questionar. Mas bem como aconteceu comigo, é capaz de você largar a parte física da religião, mas manter a sua forma de agir. Mas isso, principalmente isso, o jeito como você age e pensa é que deve ser atacado, questionado, pensado! Ora, você larga a religião mas se você não ataca a idéia de humildade, você não é humilde de verdade. Se você não é capaz de largar a humildade por um momento pra pensar nela, pensar independentemente de vontades ou julgamentos, você não vai entender bem do que se trata &#8211; vai continuar agindo humildemente por &#8220;instinto&#8221;, uma coisa meio que automática, sem valor. Algumas poucas vezes, até falsa.</p>
<p>E qual é essa real humildade que eu falo? Eu não sei, não falo por todos. Ela é real quando ela nasce de uma decisão da pessoa, de uma decisão consciente, de um entendimento sobre a natureza da humildade. Seja lá o que ela for pra você, entenda-a: pense nela, reflita sobre ela, não vá dizendo &#8220;obrigado, imagina, você é muito melhor&#8221; só porque tua mãe te ensinou.</p>
<p>Vou contar o que aprendi nos últimos tempos, uma coisa que surgiu aos poucos e hoje eu entendo. As pessoas são 3D. Nós costumamos pensar nas pessoas como 2D; isso, em geral, vem de uma natureza humana que precisa ser superada que é tratar os outros como objetos. Mesmo que você tenha aprendido a considerá-los além de objetos ou de &#8220;outros&#8221;, ainda assim é muito comum dentro de você criticar uma atitude. Pensar &#8220;nossa, essa pessoa é uma idiota por fazer isso&#8221;. É <strong>fácil</strong> fazer isso. Muito fácil. E não sejamos hipócritas, ateus e agnósticos; como os religiosos já vem de fábrica com essa ferramenta da humildade (repito, é tão válido dizer que um religioso é humilde quanto dizer que um escravo é solícito) isso afeta muito mais a nós. Todos nós já construímos essas coisas nas nossas mentes, esse pensamento de &#8220;Xiiiii, esse aí é religioso, esse aí é um babaca&#8221;. Algumas vezes estamos certos; outras vezes, não, mas o que não vale é a generalização (olha que horrível, até rimou).</p>
<p>Mas por que digo isso? Digo porque você aprende a fechar a boca, a não criticar os outros por sua vida. Você pode criticar os outros pelo modo como eles agem em relação a outras pessoas, as atitudes que eles tomam que afetam a outras pessoas, mas você realmente precisa criticar as atitudes pessoais de tal pessoa? Eu já não me incomodo, e penso nisso muito, pelo que as outras pessoas fazem de suas vidas. Eu posso conversar, dialogar porque talvez ache que alguém precisa de ajuda em algum aspecto ou talvez precise de um toque pra melhorar em alguma coisa mas, em geral, não posso simplesmente dizer &#8220;Olha, por que você faz isso, como você é idiota!&#8221;. É difícil quebrar as correntes da mente, quebrar os vícios, os hábitos, sair do conforto mental que a sociedade nos oferece. Não significa que não temos que incentivar os outros ou que não devamos tentar, mas não é tão simples quanto parece.</p>
<p>Pra quem tá do lado de fora da jaula, parece fácil passar pelo leão. Mas não é. Pensem nisso. Considerem que as coisas não são tão fáceis quanto parecem &#8211; e que a pessoa pode não vivenciar a mesma coisa que você. Pra mim, isso é humildade, e eu aprendo uma lição do tipo todos os dias.</p>
<p>E aprendo por ser livre&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Apocalipse daqui à pouco</title>
		<link>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2008/04/29/apocalipse-daqui-a-pouco/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2008 23:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pra ler]]></category>
		<category><![CDATA[apocalipse]]></category>
		<category><![CDATA[discordianismo]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[planeta]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[por Rev. Beraldo
ao som de Singing in the Rain, na voz de Frank Sinatra, repetidas vezes, para dar o clima
Estava navegando como de praxe pelos blogs, quando me deparei com algo assustador no Manual Prático de Delinquência Juvenil.
Aqui não tem terremoto. Aqui não tem revolução
 Exercício: ligue os pontos
1. A petrobrás descobre mais uma reserva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="http://cabaladada.wordpress.com/2008/04/29/apocalipse-daqui-a-pouco/" target="_blank"><strong>Rev. Beraldo</strong></a></p>
<p><strong>ao som de Singing in the Rain, na voz de Frank Sinatra, repetidas vezes, para dar o clima</strong></p>
<p>Estava navegando como de praxe pelos blogs, quando me deparei com algo assustador no <a href="http://www.delinquente.blogger.com.br/" target="_blank">Manual Prático de Delinquência Juvenil</a>.</p>
<blockquote><p><em><strong>Aqui não tem terremoto. Aqui não tem revolução</strong><br />
</em> Exercício: ligue os pontos<em></em></p>
<p><em>1. A petrobrás descobre mais uma reserva gigante de petróleo na costa brasileira, o que fará do Brasil uma das maiores potências exportadoras de petróleo do mundo.<br />
2. O maior porta-aviões do mundo, pertencente ao exército americano, atraca no RJ na segunda-feira, 21 de abril. Segundo o divilgulgado pela imprensa, serão realizados vários exercícios de guerra anti-submarino, de superfície e antiaérea.<br />
3. Um terremoto de 3 segundos de duração ocorre no litoral brasileiro, cujo epicentro foi no mar, a 215km da costa.</em></p>
<p><em>Algum conspirólogo por aqui é capaz de ligar os pontos?</em></p></blockquote>
<p>E é claro que eu, conspirólogo nato, tenho minha própria versão da verdade (teoria é para fracos). Consultei minha <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gl%C3%A2ndula_pineal">glândula pineal</a>, e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89ris">A Deusa</a> me disse as Coisas que Podem Mudar o Mundo.</p>
<p style="text-align: center"><strong>CUIDADO! Continuando a leitura a partir daqui você estará sujeito às Grandes Verdades, que podem fazer mal para caracinzas, repolhos, acéfalos e parnasianistas. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mariano_Tr%C3%ADpodi" target="_blank"><br />
</a></strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0pt"><span style="text-decoration: line-through"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mariano_Tr%C3%ADpodi" target="_blank">O Trípodi</a></span> Os tripods, devido ao tempo ao qual ficaram expostos à pressão no fundo do oceano, acabaram dando margem a escapar petróleo; daí a descoberta da reserva. Quando o Exército foi averiguar (eles fazem parte dos investimentos da Petrobras, podem crer! Mas não contem para ninguém…), descobriram as máquinas extraterrenas, e então ligaram pro Bush. O filho. Afinal, todo mundo sabe que as únicas duas funções de um presidente nos EUA são as relações exteriores e o comando do exército nacional.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0pt">Anyway, os marcianos acordaram e estão preparando os tripods. Essa será a nossa primeira Guerra Interestelar, que vai nos lançar no Nova Aeon de Jesus Sorridente, com o fim do cristianismo (sério &#8211; John Lennon era um “deles”, e por isso previu o fim do kkkatolicismo e demais seitas) e a ascensão do discordianismo.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0pt">Como? Ora, discordianos têm o Conhecimento Oculto Arcano Eresiano. Vamos fazer criadouros da dengue, infectar os mosquitos, e estes darão conta dos carinhas de Marte, que não são verdes, mas marrom-alaranjado-Ubuntu. No fim vai ter uma grande orgia (degustativa!). Isso (mais a orgia que o fim dos tripods, pra ser sincero) fará com que o discordianismo seja mundialmente aceito.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0pt">Para quê temer o futuro, então? Eu digo que vai estar na ora de mudar de religião. Mas isso é outra história.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Um adendo ao Calendário Discordiano?</title>
		<link>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2008/02/19/um-adendo-ao-calendario-discordiano/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Feb 2008 02:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Metablogagem]]></category>
		<category><![CDATA[Pra fazer]]></category>
		<category><![CDATA[Trivialidades]]></category>
		<category><![CDATA[ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[calendário]]></category>
		<category><![CDATA[discordianismo]]></category>
		<category><![CDATA[relógio]]></category>
		<category><![CDATA[revolução]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[O Calendário Discordiano (que você pode baixar e customizar aqui, arquivo .doc) é focado na grande decorrência do tempo &#8211; ele modifica a estrutura dos meses e das semanas. Cinco meses, cada um com 73 dias, 5 dias da semana, com nomes inusitados baseados nos 5 elementos básicos&#8230; 10 Feriados, 11 a cada quatro anos&#8230;
Entretanto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Calendário Discordiano (que você pode baixar e customizar <a href="http://www.mediafire.com/?7zthmt9jjon" target="_blank">aqui</a>, arquivo .doc) é focado na grande decorrência do tempo &#8211; ele modifica a estrutura dos meses e das semanas. Cinco meses, cada um com 73 dias, 5 dias da semana, com nomes inusitados baseados nos 5 elementos básicos&#8230; 10 Feriados, 11 a cada quatro anos&#8230;</p>
<p>Entretanto, continuamos com a contagem do tempo pequena convencional: cada dia tem 24 horas, cada hora tem 60 minutos, cada minuto tem 60 segundos. E se mudássemos isso? Santaum, um recém-discordiano (uma pausa no post: nesse momento vi em ação a eficiência de um plugin para o firefox. Escrevi santaum.rog e ele automaticamente corrigiu pra <a href="http://santaum.org" target="_blank">santaum.org</a>) sugeriu um <a href="http://santaum.org/?p=190" target="_blank">sistema de contagem de tempo com base 10</a>, não com base 60. O dia passaria a ter 10 horas, com 100 minutos cada hora, 100 segundos cada minuto, com o segundo um pouco mais diferente do que o convencional, mas a diferença não é <em>lá perceptível</em>&#8230; Ou seja, 10 x 100 x 100 = 100.000 segundos.</p>
<p>Isso pode suscitar questões interessantes: a primeira delas é, por que não? Afinal, é um desafio: base 60 pra contagem do tempo é usada desde os sumérios, e para nos familiarizarmos com uma contagem em base 10 precisamos nos esforçar. Afinal, o discordianismo hihicroned é explodir a mente, expandí-la para escapar das convenções que são as verdadeiras prisões modernas. Quer um modo mais desafiador do que escapar da convenção do tempo, algo tão importante em nossas vidas???</p>
<p>Além disso, seria um mindfuck perfeito, não? Já é assustador quando dizemos pra alguém que hoje é 51 de Caos de 3174, seria ainda mais assustador se nos perguntassem as horas e disséssemos: são <strong>5:70</strong>!!!</p>
<p><strong>Calendário Santo-discordiano: como fas/?</strong></p>
<p>O mecanismo do calendário pode ser confuso, então vou tentar explicá-lo da forma mais simples possível: o que se faz é transformar um dia que tem 86.400 segundos (multiplica 24*3600) em um dia com 100.000 segundos.  A partir daí, tudo é uma questão de <strong>regra de 3</strong> ou <strong>normalização. </strong>Se você quiser saber quantas horas santo-discordianas são, por exemplo, 15:30 da tarde, é só fazer o seguinte raciocínio:</p>
<p><strong>15:30</strong> tem <strong>55800 segundos</strong></p>
<p>Então <strong>86.400s</strong> estão para <strong>100.000s</strong> assim como <strong>55.800s</strong> estão para&#8230;</p>
<p>Graficamente, se você fosse fazer no papel, ficaria:</p>
<p>86400                                100000<br />
55800                                     x</p>
<p>Multiplica cruzado, você tem:</p>
<p>5580000000  = 86400x</p>
<p>Passa dividindo pra isolar o x&#8230;.</p>
<p><u>5580000000</u> = x<br />
86400</p>
<p>E o resultado é&#8230;</p>
<p><strong>64583</strong> = x</p>
<p><strong>6</strong> horas</p>
<p><strong>45</strong> minutos</p>
<p>e <strong>83</strong> segundos</p>
<p>Ou, se você deseja fazer pela normalização, é ainda mais simples.</p>
<p><strong>15:30</strong> em segundos é <strong>55800</strong>.</p>
<p><strong>multiplique </strong><strong>55800</strong> pelo <em>número de normalização do segundo, </em>que é <strong>1,15741</strong></p>
<p>Vai dar exatamente o mesmo resultado, <strong>64583</strong>.</p>
<p><strong>Calendário Santo-discordiano: tabela de conversão para fins de praticidade</strong></p>
<p>Horário Normal       &#8211;        Horário Santo-discordiano<br />
Hora:Minuto                         &#8211; Hora:minuto<br />
00:00                                         &#8211; 0:00<br />
01:00                                        &#8211; 0:41<br />
02:00                                         &#8211; 0:83<br />
03:00                                        &#8211; 1:24<br />
04:00                                         &#8211; 1:66<br />
05:00                                         &#8211; 2:08<br />
06:00                                         &#8211; 2:50<br />
07:00                                         &#8211; 2:91<br />
08:00                                         &#8211; 3:33<br />
09:00                                         &#8211; 3:75<br />
10:00                                         &#8211; 4:16<br />
11:00                                         &#8211; 4:58<br />
12:00                                          &#8211; 5:00<br />
13:00                                          &#8211; 5:41<br />
14:00 &#8211; 5:83<br />
15:00                                          &#8211; 6:25<br />
<strong>16:00                                       &#8211; 6:66:66* </strong><br />
17:00                                         &#8211; 7:08<br />
18:00                                         &#8211; 7:50<br />
19:00                                         &#8211; 7:91<br />
20:00                                        &#8211; 8:33<br />
21:00 &#8211; 8:75<br />
22:00                                         &#8211; 9:16<br />
23:00                                         &#8211; 9:58<br />
24:00 &#8211; 10:00</p>
<p>* Curiosa e surpreendentemente, 4 horas da tarde seria um número péssimo para os cristãos no horário santo-discordiano, uma vez que seriam exatamente 6 horas, 66 minutos e 66 segundos. E, adivinhem: 16:00 são <strong>2/3</strong> do dia. Há! Por essa nem eu esperava**.</p>
<p>Horário Santo-discordiano &#8211; Horário normal<br />
Hora:minuto &#8211; Hora:minuto<br />
0:00 &#8211; 00:00<br />
1:00 &#8211; 02:<strong>23<br />
</strong>2:00 &#8211; 04:47<br />
3:00 &#8211; 07:12<br />
4:00 &#8211; 09:35<br />
5:00 &#8211; 12:00<br />
6:00 &#8211; 14:24<br />
7:00 &#8211; 16:48<br />
8:00 &#8211; 19:11<br />
9:00 &#8211; 21:36<br />
10:00 &#8211; 24:00</p>
<p>Pra facilitar, eu vi na primeira tabela que, de hora convencional em hora convencional, soma-se ou 41 minutos ou 42 minutos às horas santo-discordianas. Pois bem, como na maioria das vezes é 42, então normalizemos isso: pra saber que horas santo-discordianas são quando a hora normal for exata, é só multiplicar o horário por 42 (percebi agora. <strong>42</strong>!!!) se forem sete horas da manhã, por exemplo, o resultado é 294 &#8211; ou seja, 2 horas e 94 minutos. Podem haver desajustes; isso porque, como foi dito, algumas vezes, a soma é de 41, não de 42 minutos, mas em geral é isso aproximadamente.</p>
<p>Da mesma forma, na segunda tabela, adiciona-se, em média, 2 horas e 24 minutos convencionais a cada hora santo-discordiana, o que facilita muito.</p>
<p>Santaum me mandou uma tabela (arquivo .xls) sobre o calendário, com uma conversão bem detalhada. Eu criei um novo arquivo, usando as tabelas que ele criou e fazendo uma mais simples, usando as simplificações de 42 minutos e 2:24. <a href="http://www.mediafire.com/?1eihbsdzfun" target="_blank">Clique aqui pra baixar</a>.</p>
<p><strong>Calendário Santo-discordiano: prós, contras e conclusão</strong></p>
<p>Com o mundo inteiro usando o calendário comum, tanto o macro quanto o micro, não podemos simplesmente ignorá-lo, por uma questão prática. Entretanto, tanto quanto o <a href="http://1001gatos.org/" target="_blank">1001 gatos</a> já aplica o calendário discordiano no blog, pequenas manifestações que visam adotar, aqui e ali, esse novo sistema, seriam interessantes. Seriam bons mindfucks e, quem sabe, mais uma peça pra preencher um mosaico que futuramente chamarão de &#8220;cultura discordiana&#8221;, tanto quanto o calendário lunar fez parte da cultura Maia.</p>
<p>Ou seja, no calendário santo-discordiano o 5 é o centro do dia; o 42 é um número de conversão fácil, somando todos os números de 1,15741 o resultado é 19, e 1 + 9 é 10 (número de horas do dia) e etc. Além disso, quatro horas da tarde é uma hora terrível para os cristãos. Já posso ver os padres se trancarem no confessionário todos os dias a essa hora, hehe&#8230; Brincadeirita <img src='http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>** duvida? multiplique 16 por 3600 e o resultado multiplique por 1,15741 &#8211; e veja você mesmo&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sobre verdades, mentiras e uma mosca zumbindo</title>
		<link>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2008/01/10/sobre-verdades-mentiras-e-uma-mosca-zumbindo/</link>
		<comments>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2008/01/10/sobre-verdades-mentiras-e-uma-mosca-zumbindo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 10:37:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pra pensar]]></category>
		<category><![CDATA[debates]]></category>
		<category><![CDATA[dialética]]></category>
		<category><![CDATA[discordianismo]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Pensar que só verdades irritam é considerar todo ser humano um ser em constante fuga da realidade – o que é verdade para uma massa sem rosto (e sem número, de tão grande que é) de ignorantes, alienados, gentinha comum&#38;quieta. Mas mentiras também irritam.
Debates são coisas desumanas
Num debate não é permitido, sob pena de suicídio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Pensar que só verdades irritam é considerar todo ser humano um ser em constante fuga da realidade – o que é verdade para uma massa sem rosto (e sem número, de tão grande que é) de ignorantes, alienados, gentinha comum&amp;quieta. Mas mentiras também irritam.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><b>Debates são coisas desumanas</b></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Num debate não é permitido, sob pena de suicídio argumentativo, que uma pessoa se irrite com uma mentira deslavada. Essa regra da retórica popular favorece aqueles que se controlam, em detrimento daqueles que mais <i>externalizam</i> suas emoções. O que é uma pena, pois vê-se que um mentiroso com autodomínio – e a maioria dos mentirosos o possui – é tido como certo, <i>apenas</i> por seu autodomínio. A verdade não está mais do lado daquele se mata por ela, oh, não. Está do lado daquele que a usa como um amuleto contra as intempéries diversas – aquele agora é louco! O racionalismo contra o racionalismo! O que <i>não se pode fazer</i>, não é mesmo, com um bando de gentinha comum&amp;quieta, quando possuem o sentimento de falácia, mas nenhum controle sobre ele?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><b>O espetáculo</b></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Tudo isso se justifica como o espetáculo da dialética erisiana, onde o importante é <i>ter razão</i>. O espetáculo perde suas cores quando, eventualmente, 1) você se encontra num debate e, quando, logo em seguida, 2) Você externaliza suas emoções.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><b>É por essas e outras</b></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Que a vida não é dialética; que a vida não se encontra num debate (ao contrário de futebol, política e religião), e que Clarice Lispector é a que chegou mais perto da verdade com o menor número possível de palavras.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Espírito de Aventura: novos valores</title>
		<link>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2007/11/16/espirito-de-aventura-novos-valores/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Nov 2007 11:27:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pra pensar]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[axiologia]]></category>
		<category><![CDATA[discordianismo]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[valores]]></category>

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		<description><![CDATA[Saint-Exupéry já dizia que “palavras são fonte de desentendimentos”. Pois é. Para mim, uma grande contradição conceitual que acontece (talvez por causa disso ou talvez não) é a questão da autofagia conceitual. Eu tenho liberdade pra fazer o que eu quero; logo tenho liberdade pra acabar com a minha liberdade. Isso é contraditório?
De forma semelhante, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Saint-Exupéry já dizia que “palavras são fonte de desentendimentos”. Pois é. Para mim, uma grande contradição conceitual que acontece (talvez por causa disso ou talvez não) é a questão da autofagia conceitual. Eu tenho liberdade pra fazer o que eu quero; logo tenho liberdade pra acabar com a minha liberdade. Isso é contraditório?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">De forma semelhante, a questão axiológica é uma contradição. Admitindo-se que nenhum valor possui em si algo intrinsecamente positivo ou negativo (não apenas valores, mas também qualquer conceito), então se cai no niilismo: Nietzsche já havia alertado para isso. <b>Apesar de contínuas e malditas interpretações errôneas,</b> Nietzsche <b>não</b> foi niilista. Ele apenas queria uma nova moral, novos valores.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Mesmo os niilistas não podem escapar aos valores, uma vez que é conceitualmente perniciosa a ausência de valores. Afinal a ausência de valores deve ser ou a morte, ou a inação total e absoluta, ou um sono eterno ou algo semelhante. Enquanto há vida, ação, tem de se haver algum valor – nem que seja efêmero, que fique bem claro. Se alguém vive a vida sem valores, a falta de valores é um valor, uma vez que é guia para ações. Dessa forma, não é possível escapar a um valor (mesmo que seja a falta deles) a não ser que se opte pela morte.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Mesmo os valores efêmeros, os anátemas caoístas, são eles metavalores, digamos assim. Acabam por se tornar valores, quando são efetivamente praticados. Não há como se escapar dos valores; uma vez que é preciso, mesmo quando se critica os valores vigentes, colocar novos como guias de ação (ainda que o novo valor seja o valor de “crie o seu próprio valor”).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><b>O Valor da Aventura</b></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Sendo assim, não vou fazer tais belas conclusões pra cair num moralismo qualquer. Apenas quero nesse post ressaltar um valor específico; não quero classificar-lhe nem bom nem ruim (embora o considere muito bom, pessoalmente&#8230;); apenas quero fazer com que este seja observado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Certa vez vi a seguinte frase: “a civilização aboliu todas as aventuras. A única que restou é abolir a civilização” ou algo do gênero. Possivelmente a frase não era assim, era diferente, mas o conteúdo conceitual é o mesmo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Depois eu comecei a pensar: aventura. O que é uma aventura? O que faz de algo uma aventura? Por que a aventura é boa?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Segundo o <i>Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0</i>, aventura é uma <b><i>empresa, empreendimento, ou experiência arriscada, perigosa, incomum, de finalidade ou decorrência incertas</i></b>; ainda um <b><i>acontecimento imprevisto, surpreendente, peripécia</i></b>, entre outras definições menos importantes<sup>1</sup>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">A sociedade ocidental influenciada pelo pensamento cristão do suposto “amor à vida” (que na verdade é o amor à morte), de alguma maneira não muito clara, porém um tanto quanto óbvia, acaba valorizando demais a segurança – não apenas pelas crenças, mas também pela conveniência. A segurança possibilita a estabilidade que o sistema atual necessita para prosperar. Isso desde os tempos do surgimento da burguesia, onde, após as cruzadas, os recém-nascidos burgueses financiaram a unificação de diversos feudos sob o poder do rei para que a estabilidade permitisse a continuidade do sistema que se formava.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">A excessiva segurança se revela muito forte no pensamento moderno. A “proteção” serve de desculpa pra que pessoas mintam, manipulem situações, invadam a privacidade de outras pessoas e, no caso de pais, proíbam os filhos de várias coisas pelos perigos <i><u>potenciais</u></i> envolvidos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">É claro que dadas certas situações, a proteção ganha menos status de desculpa e passa a ter uma “razão de ser” real. Entretanto, o protecionismo nos dias atuais está elevado ao extremo; não por suas conseqüências serem grandiosas ou algo parecido, mas porque estamos acostumados a proteger e a sermos protegidos – estamos mal-acostumados. O número de vezes que o protecionismo não é só usado espontaneamente, mas também <i>requisitado</i> por outras pessoas, é absurdo em nosso dia-a-dia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Em geral, o que isso acaba fazendo é criar pessoas acostumadas com o fácil, com o simples, que não são exigidas, desafiadas pela própria sorte. <i>Não vencem a si mesmas</i>, seria uma boa definição. Digo e é bom frisar que, da mesma forma que o protecionismo tende a tornar-se desculpa, esta prática contrária não pode cair no mesmo vício: não se trata de maltratar alguém para que ela passe por isso e melhore – a vida em si é um desafio e suas circunstâncias exigem coragem naturalmente. Não é preciso que ninguém coloque outrem em circunstâncias artificiais para “testar” tal pessoa ou “melhorá-la” através do desafio não-real. Isso é mais uma forma de desculpa, apenas. A vida naturalmente tratará de desfiá-la, e é bom que ela vença e caminhe, não <i>sozinha</i> na concepção absoluta da coisa, mas, digamos assim, <i>por si própria</i>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Perigos e surpresas&#8230; A busca pelo novo, pelo emocionante, pela circunstância que mais exige de si – a superação de si mesmo, esse é o tipo de aventura que a sociedade atual não permite. Ou será que permite?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Ainda existem desafios no trabalho. Você pode conseguir digitar um texto mais rápido do que o seu normal, quando estiver no escritório. Você pode conseguir tirar um 10 ao invés de um 9,5 na escola. Uau! Que aventura!!! (Sim, isso foi irônico, antes que não entendam).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Bom, podemos pressupor que no esporte, por exemplo, há sempre a busca da superação e que nele há muita emoção. Bom, de fato há.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Como é bom acender a luz da esperança, esperando encontrar em tais exemplos uma sociedade cheia de aventuras. Mas não é o que acontece. Nossa estrutura de vida não é uma aventura; está estruturada pra ser segura. Embora no percurso é possível extrair de pequenas experiências alguma emoção de aventura, o fim e o meio dos nossos objetivos enquanto seres sociais não estão pautados na insegurança, no jogo &amp; brincadeira, na indeterminação e na <i>aventura</i>, de uma maneira geral. Da escola pra faculdade, da faculdade pro trabalho, do trabalho pra aposentadoria, da aposentadoria pro caixão. Sempre em busca de estabilidade e de linearidade, de algo certeiro e seguro. A vida enquanto uma aventura – ou melhor, estruturada para aventuras – está extremamente longe da civilização atual.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Viver “perigosamente”, sempre desafiando a si mesmo, é uma aventura. Tal estilo de vida não é estimulado nem admirado na sociedade atual. O “valor” de aventura é algo ligado a impermanência; de local, de atitude, de <i>experientia</i>. A consciência de que tudo é passageiro não estimula apenas a aceitação, mas também o (por que não?) <i>saboreamento</i> de cada fim, de cada despedida, com todas as suas tristes sensações, com todos seus sombrios momentos. Estimula também a consciência de que a vida é algo frágil e que, de uma forma ou de outra, se acaba – não se trata de descaso com a vida, nem de desrespeito com a vida nem nada do gênero. É apenas uma maior habilidade de lidar com a “verdade” de que <b>se perde muito na vida pelo medo de morrer</b>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">1. Há outras definições como: <b><i>3. Acaso, sorte, fortuna. 4. Proeza de cavaleiro andante, de cavalaria. 5. Ligação amorosa, em geral passageira e inconseqüente</i></b>. Aventura, ainda segundo o dicionário, deriva do latim <i>adventura</i>, ‘coisas que estão por vir’.</p>
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