E também o assassinato de outros deuses
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  • Meu Sumiço, Santaum, Passione

    Postado em 6 de Confusão de 3176 YOLD , às 6:96:70 Peterson Espaçoporto View Comments

    Olá pessoal! Estive meio sumido nos últimos dias, e vou explicar aos que ainda não sabiam: fiz na quarta-feira à noite uma cirurgia de retirada de apêndice. O filho da mãe inflamou e eu tirei ele de dentro de mim antes que ele ficasse nervoso demais e explodisse =) esses órgãos temperamentais são fodas, não?

    Por isso cá estou, sem trabalhar por uma semana (e com muitas saudades da Safeway =/ ), descansando e aproveitando pra colocar as coisas em ordem. Organizei um monte de coisas nos computadores (Portsmouth e Sonic), vi Orgulho e Preconceito (que a Natacha tinha me passado ano passado e ainda não tinha visto), estou vendo bastante Universal Channel (ou, na maioria das vezes, só deixando a TV ligada mesmo) e vou aproveitar pra escrever o que falta (bem pouco) de M10 e terminar de ler pelo menos um livro. Além disso, vou tentar também colocar outras coisas em dia — como o blog! =D Sim, eu tenho uma ideia pra um post que não sai da minha cabeça, e está sendo complicado botar no papel o que eu quero dizer..

    Bom, botar o blog em dia também consiste em fazer algo que venho adianado há algum tempo pela falta de clareza da coisa, mas já conversei e com ele e é definitivo: nosso caro Santaum, que ao passar por aqui nos brindou com excelentes posts, não faz parte mais do blog. É uma pena e, bem, na verdade só estou anunciando algo que acontecia na prática já há mais de ano. Ele ainda pode ser encontrado por aí na internet — embora não exatamente não na blogosfera. O twitter dele, by the way, é @santaum. Segue lá, o cara é um grande amigo que fiz na internet e que espero conhecer pessoalmente ainda esse ano! =D

    Feito isso gostaria também de aproveitar e recomendar uma leitura: Passione, o primeiro livro de minha cara amiga Carol Peters, foi lançado no site dela e está disponível pra baixar. Não demora nada e é um livro MUITO foda =D Tive o prazer e a honra de lê-lo em uma versão preliminar, mas apesar de correções e pequenas alterações o conteúdo é o mesmo e digo que trata-se de uma obra excelente =) e não é porque é minha amiga não, viu, podem confiar!

    Estou aqui nesse momento, aliás, dando uma passada pelo PDF — já que faz muuito tempo que eu li já — e minha memória foi se refrescando. É um livro muito, muito bem escrito. Eu teria um pouco de medo de escrever sobre isso porque é um pouco distante da minha realidade e de praticamente todos que eu conheço — relações exteriores, dinâmica da política internacional (em se tratando de diplomatas, visitas internacionais, etc), encostando até um pouquinho na dinâmica do próprio Palácio do Planalto, etc —o que também suscita desconfiança automática quanto à veracidade e naturalidade dos diálogos. Mas logo logo isso se dissipa por completo; tudo ali foi muito bem arquitetado.

    É um livro, à bem da verdade (note que entre cada parágrafo há uma paradinha de uns quinze minutos pra eu continuar passeando pelo PDF) apaixonante. A cada página ele vai te abraçando mais e mais, lentamente — e a falta da velocidade com que faz isso não é de forma alguma ruim. É difícil não se apaixonar de vez com o diálogo que culmina em “então nao é dos livros, mas dos príncipes da Dinamarca que a senhorita gosta”. Ha!

    Mais uns minutos depois, aqui estou eu. Ah, a minha sequência favorita de cenas, a do pós-festa, o diálogo entre eles, a citação do Principia… Sabe, outro ponto muito forte no livro são as referências culturais dele. Isso ocorre também bastante em EQM, o livro do Ibrahim Cesar. Quem era leitor assíduo do 1001 Gatos e então leu o livro às vezes lia posts inteiros ali, transcritos pra ficção, às vezes sem nem mudar muitas palavras. Sem falar da escolha de nomes, das músicas. Um diálogo inteiro quase uma vez foi fortemente inspirado em uma música (linda, diga-se) do Death Cab for Cutie. Aqui isso também não é diferente, mas é muito mais indireto e geral; não é preciso ser do círculo de amigos da Carol pra se relacionar com as referências feitas. E só coisa boa, evidentemente. Poe, Beatles, Nietzsche… E tudo colocado de uma forma natural e nada “documentárica”. Fico aqui pensando que em M10 não f iz muito disso, na verdade. No máximo umas referências culturais tipo o Linux.

    Enfim, chega né? Nada a ver isso que eu fico falando aqui. O livro é bom, é ótimo, leiam. Pra terminar, um trecho dele:

    – Ao amor! – disse, empolgada, pensando no discurso que ouvira no carro. – Antes que o amor acabe, vamos brindar ao amor.
    – Antes que o amor acabe! – Stephan falou, erguendo sua taça.
    – Antes que o amor acabe.
    Tim-tim

  • O #aftermath começou!

    Postado em 4 de Pós-matemática de 3175 YOLD , às 9:42:55 Peterson Espaçoporto View Comments

    O Primeiro Torneio de Consequências já começou! Embora não tivemos nenhum tipo de cerimônia de abertura como pensamos as coisas estão se encaminhando. Até mesmo lusitanos e búlgaros já se pronunciaram, vamos ver se aparecem. Abaixo estão dois vídeos “promo” para esse período de (se Éris quiser) mindfuckeação aleatória:

    Vamos!

    Mais: twitterbot do #aftermath | página do #aftermath na discordiapédia

  • Agora

    Postado em 69 de Burocracia de 3175 YOLD , às 9:88:96 Peterson Espaçoporto View Comments

    Ah, o blog. Ah, o blog!

    Faz muito tempo que não posto aqui com o coração, digamos assim. Textos rápidos, traduções, notícias, coisas de computadores… Tantas coisas, tantas coisas. Muitas coisas acontecendo.

    Há um trabalho na escola em que devemos produzir um filme tendo como base os livros do vestibular da UFSC. Nosso grupo ficou com Eles Não Usam Black Tie, e o trabalho está ficando foda demais. Sábado à noite, se tudo der certo, vamos gravar as últimas quatro cenas. No domingo o filme vai ser editado e talvez ainda precisemos decidir algo sobre trilha sonora – isso tudo pra entregar na terça (junto com um pôster do filme, uma capa de DVD, um folder informativo, etc). Muita coisa ao mesmo tempo!! Além de roteirista, interpreto o Otávio, operário já de meia-idade, comunista & grevista. Assim que o filme for exibido (numa sessão no Shopping Itaguaçu pro Terceirão e convidados) vou colocá-lo no Youtube e postar aqui, obviamente.

    A discordiapédia está de volta, finalmente com algum conteúdo comparável ao da versão anterior. Falta muita coisa, principalmente porque, suponho, os colaboradores em potencial têm medo de fazer merda em artigos importantes, por isso não editam coisas como “Éris” (é, eu me incluo nesse grupo) e isso fica faltando. Eu estou comendo pelas beiradas: além de editar páginas relativas a mim mesmo, estou traduzindo vários jogos discordianos (veja uma lista na própria wiki) pra lá. Tem muita coisa interessante já e mais coisas estão por vir!

    A Parents Over Shoulder não parou. Eu vivo compondo coisas aqui e ali. Outro dia mesmo transformei uma conversa com o Tiago (@tmadeira) em uma música. Só que são hard times, como estou descrevendo nesse post: não temos tempo pra regravar as músicas antigas agora que tenho violão novo, guitarra – e amplificador, btw – nem gravar esse bando de coisas novas. Então por enquanto vamos ficando no stand-by…

    Estou usando o Ubuntu 9.10 – o Beta do Karmic Koala. Ele está impressionantemente bom, só que é aquela coisa, é beta quality – às vezes me dá uns sustos. Quando tenho um tempinho – principalmente nessas horas assim, entre 23:30 e meia-noite – dou uma jogada em UFO: Alien Invasion, um jogo de estratégia que eu acho foda demais. Eu escrevi faz uns dias, aliás, um tutorial pra instalá-lo no Ubuntu (com alguns screenshots do meu Ubuntu também ;P)

    Depois de ter visto toda a filmografia do Tim Burton passei pra outros filmes. Não me lembro exatamente do que vi no meio-de-campo, mas o último filme foda que eu vi foi o Donnie Darko. Até agora existem cinco teorias muito interessantes sobre o filme:

    1) Ele teve um sonho premonitório sobre sua própria morte e imaginou tudo aquilo em um ataque de loucura.

    2) Ele viveu tudo aquilo e ficou louco no fim do filme, ao ver qu Gretchen tinha morrido, e passou a pensar que morrera há quatro semanas (sistema de defesa do cérebro?)

    3) Quando morremos o tempo passa mais devagar – seguindo a mesma lógica de que às vezes o tempo passa rápido, e em outras situações ele se arrasta – e ele, ao ouvir a turbina perigosamente se aproximar, imaginou tudo aquilo (meio que complementar à teoria 1)

    4) O filme mostra o que acontece, e a Vovó Morte está certa em seu livro.

    5) Frank voltou não pra ajudar Donnie, mas pra atormentá-lo ainda mais (teoria que traduzi aqui).

    Enfim, são várias conjecturas, e eu acredito que se você se apega a algum detalhe e revê o filme o tendo como ponto de vista (como, por exemplo, a história de Roberta Sparrow) é possível encontrar ainda outros significados e outras teorias.

    Agora eu tenho alguns filmes muito interessantes pra assistir: Southland Tales, do mesmo diretor de Donnie Darko (Richard Kelly) e Oldboy (um filme coreano; ambos indicados por Schneider (@dudektria)) e também o Pulp Fiction, que eu ainda não vi. Também é um objetivo singelo tentar rever o melhor filme de todos os tempos até o fim do ano.

    E nem só de Diascordiapédia vive o discordianismo!! Vai começar semana que vem os Jogos de Pós-Matemática, que são simplesmente as primeiras olimpíadas discordianas de todos os tempozes. Aparentemente, teremos pessoas até da Dinamarca jogando. O pessoal aqui de Floripa está planejando coisas fodas. Se preparem. Pra saber que diabos é isso e como participar, visite esse site. Todos estão convidados, até mesmo repolhos!

    Esses dias eu troquei livros com o Evandro Cesar (@evandrocesar) pelos correios! Ele ficou com “O Que Nos Faz Felizes”, que é um livro foda demais – e não, não é de auto-ajuda. Eu peguei “A Sabedoria do Padre Brown”, do Chesterton. Eu disse que um dia eu leria Chesterton!!!!! Ah, droga, acabei apagando o post em que dizia isso… Pena, ia ser mais um link =P

    Além disso, eu continuo escrevendo. Mas com a loucura que tem sido esse semestre, eu vou esperar pelo semestre que vem: se tiver passado na UFSC pra Ciências Sociais, como pretendo, vou entrar apenas no segundo semestre. Ou seja, terei bastante tempo pra me organizar nesse sentido.

    Bom, é isso… Tudo está uma loucura. Dia 17 de Dezembro é minha formatura e dois dias depois tem o vestibular da úfisquí. Até lá vai ser essa coisa atabalhoada de outras coisas e o blog fica quase-às-moscas. Até…

  • Tradições da Cabala Jimi Hendrix…

    Postado em 50 de Burocracia de 3175 YOLD , às 1:17:38 Peterson Espaçoporto View Comments

    Depois de ter publicado novamente o texto “Ontologia Discordiana”, do Rev. Raymond Lama, vou traduzir a segunda tradição da cabala Jimi Hendrix, que está lá, na página da Dissidência. A outra tradição já havia sido traduzida antes.

    A segunda tradição: O Almoço Animal

    A raça humana, mesmo com os repolhos que a atrasam, teve a oportunidade de alcançar um bocado de conquistas em sua busca sem descanso pela civilização. Tirando o fato de que nossos macacos ancestrais estão mais perto de alcançarem isso, é um fato que temos alguns privilégios que esses ancestrais não tiveram.

    Para nos tornarmos conscientes de alguns desses privilégios, nós criamos uma cerimônia discordiana que nos reduziria a um estado primata por alguns momentos, para que possamos contrastá-los com nosso atual nível de civilização, e então podemos ver o progresso que fizemos nos últimos 100.000 anos.

    É um ritual muito simples: é um almoço, consistindo de frango assado (a galinha inteira) e laranjas. Os outros materiais necessários são algo pra separar a galinha do chão (ok, não é necessário, mas use de qualquer jeito. Pareceu pra mim o mínimo necessário pra preservar a saúde), e a festa do almoço em si. Nada de coisas bobas como pratos, garfos, facas, copos ou essas coisas. A ideia é atacar a galinha e começar a comer com as mãos. Participantes estão proibidos de falar exceto enquanto mastigam.

    Quando as pessoas acabarem de comer e terem se lavado apropriadamente, a ideia é que elas sentiram os benefícios da “civilização” e verdadeiramente apreciassem o legado de seus ancestrais recentes. Bem, depois de algumas dessas cerimônias descobrimos que funcionou ao contrário, concluindo, portanto, que a humanidade tomou a direção errada há alguns milhares de anos atrás…

  • Ontologia Discordiana

    Postado em 47 de Burocracia de 3175 YOLD , às 6:66:96 Peterson Espaçoporto View Comments

    Com o objetivo de preservar a história discordiana (porque o Geocities pode desaparecer a qualquer momento AHEAEHehA) estou republicando esse texto muito legal, que eu tenho certeza que tinha já posto aqui no blog, mas que durante as “enxugadas” de posts se perdeu.

    Ontologia Discordiana.

    por Raymond Lama.

    Pode ser encontrado aqui.

    Texto integral. Nada foi modificado.

    This being a first essay on Discordian Ontology

    Rendered in 27th of Confusion of the year of our mistress of 3163, as a message of thought to be spread to the five winds.

    All Hail Discordia

    Hall ail Discordia.

    1. Sobre a Ontologia

    1.1. O que com os cincoernos significa Ontologia

    Nós Erisianos, familiarizados que estamos com a palavra Logia, uma das componentes de ontologia, sabemos que se trata então do estudo dos Ontos. Mas, a maior parte dos não filósofos, terá dificuldade em saber de antemão o que pentabos é, ou são, Ontos afinal.

    Assim sendo, esclareço inicialmente que Ontos não são variações genética e filologicamente alteradas de Antas macho. Nem é a Ontologia uma sub-área da Odontologia, Gerontologia, ou qualquer outra <prefixo>ontologia com que estamos familiarizados, embora estas áreas sejam, em mais de um sentido, sub-áreas da ontologia.

    Ontos, segundo me foi dito, e creio que se escreva ontos no original, se trata do verbo em grego para “ser”. Não ser no sentido de estar, mas no sentido de existir, de haver, de ser diferente da não existência. Claro, podem ter mentido para mim. Mas isso não mudará as conclusões a que se chegam neste documento.

    Assim, vemos que a Ontologia é a logia, a área do conhecimento, ou me expressando melhor, a área da dúvida, que estuda o SER, a existência não só do indivíduo, mas das coisas e do universo em geral, do chamado pelos filósofos de Real, da Verdade (tudo com Rs e Vs maiúsculos). Trata por assim dizer de questões mais profundas do que a mera cosmologia, pois como veremos, o simples início do pensamento Cosmológico (a dúvida sobre como as coisas vieram a Ser), pressupõe que o pensa-duvidador já tenha uma resposta definitiva, para si, sobre as questões do Ontos.

    1.2. Um briefing da Ontologia Clássica

    Chamo aqui de Ontologia clássica, aquela que difere da Ontologia Discordiana, Ambrosiana, e talvez hajam mesmo correntes de Ontologia Quântica que poderíamos considerar como não clássicas também. As correntes clássicas devem ter sido originalmente propostas pelo Caracinza em pessoa.

    Digo briefing porquê não vou além das apresentações mínimas que poderiam ser feitas numa primeira aula de 50 minutos de Ontologia para não filósofos. Assim, apenas colocarei brevemente os caminhos apresentados nessa uma aula, que deve ter, por si só, deixado de lado muitas alternativas interessantes, mesmo em termos clássicos.

    1.2.1. A primeira pergunta:

    A primeira pergunta da Ontologia, que talvez, concorrendo com “porquê porquê?” seja uma primeira pergunta por excelência, A UMA Primeira Pergunta, fica em português: “É?”. Em grego “Ontos?” (acho. Meu conhecimento de Grego se resume a saber converter as fontes para Grego no micro. Talvez deva haver alguma conjugação desse verbo.) Mas, de qualquer forma, utilizando a tradicional Tradução Ampliativa Explicativa das Línguas Clássicas para as Línguas Modernas (que, uma vez que tais traduções são necessárias, não têm então o poder de expressão daquelas línguas antigas, quer por Acizentamento da Língua, quer por Super-Exposição ao Cotidiano das sociedades atuais) ficaria em português algo como “O Real existe?”, ou “O Real é? ” , “Há o Real?”, “As coisas são, ou não?”

    As correntes clássicas colocam então duas respostas possíveis, dicotômicas e invariantes para a pergunta “É?” que são “Sim”, ou “Não”. A maior parte das pessoas, doentes que estão pelas ações do Caracinza, crê que a única resposta viável é “Sim”. Alguns filósofos, um pouco menos afetados pelo fantasma do Cotidiano, embora possam fazer parte de uma das Ordens de Éris, aceitam o “Não” como resposta “válida”, e alguns poucos até respondem isso mesmo. Discordianos saberão melhor que isso. Queria encontrar algum filósofo Quântico para conversar a respeito. Creio que um tal pensador manteria o “Sim” e o “Não”, mas eliminaria a invariância da resposta.

    Assim sendo, na Ontologia clássica, a resposta “Não” a essa pergunta da origem a corrente chamada de “arrealismo”, ou “anti-realismo”, na qual se nega a existência do Real. O quer que se pense em tal corrente transcende uma primeira aula de 50 minutos, e embora possa talvez ser a área mais interessante da Ontologia clássica, não posso dizer mais a respeito sem mais pesquisas. Com certeza, aprofundamentos da Agora Criada Ontologia Discordiana necessitarão de mais informações sobre o que já foi pensado e escrito nessa área.

    Por outro lado, a resposta “Sim” da nome à corrente chamada “Realismo”, que conduz a segunda pergunta da ontologia Clássica. A resposta em si afirma que há um Real, mas não que seja necessariamente único, invariável, estável, correspondente ao real perceptível, etc… A maior parte das pessoas simplesmente pressupõe essas coisas. E mesmo o mais puro dos Discordianos pressupõe isso em situações cotidianas.

    1.2.2 A segunda pergunta:

    “Porquê é?”. O que faz o Real ser? Não necessariamente como o Real veio a ser, porquê aí já se cai na Cosmologia. Mas pode ser que quem vá responder a isso tenha que passar por aí.

    Novamente as restrições impostas tanto pelo Classicismo Caracinza, quanto pela duração da Aula, deixam duas respostas:

    “As coisas são porquê são, e seu Ser já se basta em si mesmo, sem precisar de nenhuma ajuda externa.” essa corrente é chamada “Materialismo”.

    A outra resposta é “As coisas para serem depende de um Pensamento sobre elas que as faz serem.” Esse é o Idealismo, que em uma aula de 50 minutos se reduz a duas correntes, que discutem sobre a origem desse pensamento. Também me parece que nas correntes clássicas, esse pensamento que faz o vir a ser é necessariamente Anterior ao Ser.

    Uma dessas correntes clássicas seria o “Idealismo Absoluto”, que diz o Pensamento original advir de Divindade(s) supra-Reais, e que pensaram o Real, antes dele Ser, ou antes de O Construírem. A grande maioria das religiões da Terra prega isso aqui. Sem nem pensar nas contradições em que caem, conforme espero poder analisar.

    A outra corrente Idealista seria o “Idealismo Relativo”, que diz que o Real só existe a partir do momento em que algo ou alguém pensa nele, sem que este algo ou alguém seja necessariamente supra-real em si mesmo. A pergunta-exemplo por excelência que expõe o idealismo relativo é simples, de fácil compreensão, e obriga que se pense a respeito dela:

    “Se uma árvore cai no meio da floresta, sem ninguém por perto, pode-se dizer que ela faz barulho ao cair?”

    Retorno ao 1.

    Com estas considerações, está apresentada a Ontologia Clássica de uma Aula de 50 minutos.

    2. Sobre a Ontologia Discordiana

    Sendo o Discordianismo uma área repleta de opiniões conflitantes osbre várias coisas, faz-se necessário que sejam recapitulados alguns dos conceitos das Escrituras da POEE, e que seja exposto como estes são entendidos pelo autor do presente texto, assim passemos as

    2.1 Considerações prévias sobre o pensamento Discordiano

    Antes de iniciarmos qualquer estudo sob os vários pontos de vista sugeridos pela Deusa, devemos lembrar a máxima orientadora dos buscadores, expressa no nome do Apóstolo: Todas as afirmações são verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido, irrelevantes em algum sentido, verdadeiras e falsas em algum sentido, verdadeiras e irrelevantes em algum sentido, falsas e irrelevantes em algum sentido e verdadeiras e falsas e irrelevantes em algum sentido.

    Lembrando que, enquanto em algum sentido esta máxima expressa a total negação do saber, não é o que procuramos ao realizar um estudo, sobre ontologia ou qualquer outra coisa, pois o ato de estudar enquanto se crê na negação do saber é uma atitude estúpida.

    É claro que, em outro sentido, o que usaremos, a máxima acima afirma diz que para se conhecer alguma coisa, deve-se entende-la no sentido em que ela é verdadeira, no sentido em que é falsa, e no sentido em que ela é irrelevante, e que essa é a forma que mais se aproxima da verdadeira natureza das coisas. É aqui que se faz o rompimento com a razão clássica, que certamente afirma que só se deve conhecer as coisas no sentido verdadeiro das mesmas.

    É claro que não se deve esquecer que o próprio fato de todas as coisas serem verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido e irrelevantes em algum sentido é ele mesmo verdadeiro em algum sentido, falso em algum sentido e irrelevante em algum sentido.

    Seguidores do Caracinza estarão aqui quase certos de isso então é a afirmação da negação do conhecimento, o que não é o que estou dizendo. Afirmo sim, que para se ter noção do que se diz, para se aproximar do conhecimento, deve se buscar comprrender em qual sentido as coisas são verdadeiras, em qual sentido são falsas, e em qual sentido são irrelevantes.

    Lembrando que qualquer conhecimento ou intuição sobre qualquer desses sentidos sobre qualquer coisa tem também sentidos verdadeiros, falsos e irrelevantes. Assim, a verdade é infinita para cada coisa que se deseja conhecer, mas pode-se conhecer sempre uma parte da mesma, e pode-se ir até um nível tão profundo quanto se julgar suficiente, em se havendo tempo para tanto.

    2.2 Da Ontologia Discordiana

    Assim, retomando as perguntas apresentadas em 1 sobre a existência, a Ontologia Discrdiana consiste em estudar em qual sentido as perguntas apresentadas são verdaderias, em qual são Falsas, e em qual são irrelevantes, e depois, que se fassa o mesmo com cada resposta. Assim, poderemos ter noção da Natureza Múltipla da existência, com várias facetas, cada uma das quais todo ser humano em seu íntimo deve ter pensado ser “verdadeira”, por breves períodos de tempo.

    2.2.1 Considerações sobre a Primeira Pergunta

    Retomando “É?”, ou “A existência existe?”: Quando podemos dizer que essa pergunta é verdadeira? Quando temos a impressão de que existe um real, o que já deixa pouca margem para uma resposta negativa, e temos vontade de aprender sobre esse real, e enquanto as palavras fizerem algum sentido, o quê pressupõe a existência de uma língua, que, em primeira instância depende do real para existir.

    Podemos dizer que ela é falsa? A tradição discordiana diz “todas as afirmações são (…) em algum sentido”. Mas aqui, extendo isso a “tudo”, uma vez que cada coisa é, em algum sentido, uma afirmação. Assim, em qual sentido uma pergunta é uma afirmação? No sentido em que afirma uma dúvida, ou em que inquire o sujeito a quem a questão é dirigida. Assim, supondo-se que quem pergunta “É?” não o esteja fazendo pelo simples prazer do suplício de seus interlocutores, mas sim expressando uma dúvida legítima, a questão é verdadeira. Mas se esta pessoa, em seu íntimo já conhece a resposta que julga correta, então está expressando uma falsa dúvida.

    A pergunta também seria falsa se as idéias, representadas por palavras, utilizadas para a mesma se contradissessem. Certamente o “Ontos?” original do grego não parece se contradizer. Mas talvez não se possa dizer o mesmo da versão que usei em português “A existência existe?”. Nesse caso, uma versão da pergunta sendo falsa por contradição de idéias, não implica que todas as outras versões da mesma pergunta não caiam na mesma contradição de idéias?

    E, por fim, a pergunta é irrelevante para qualquer um que ache “perda de tempo” perguntar-se se o real existe, a qualquer um que não se preocupe com isso, a qualquer momento que não nos interesse discutir a questão ou a qualquer um que saiba a resposta a priori, e notem neste ponto, que o conhecimento da resposta a priori também faz a pergunta falsa: daí a tradição discordiana insistir em todas a combinações possíveis para “verdadeiro, falso e irrelevante”, combinações que dispenso aqui, sob pena deste documento ser considerado irrelevante em mais sentidos do que deveria.

    2.2.1.1 Da resposta a essa pergunta

    A lógica tradicional permite apenas as respostas “sim” ou “não” para “A existência existe?”. O Discordianismo permite uma infidade de respostas, cada uma das quais verdadeira em algum sentido, falsa em algum sentido, e irrelevante em algum sentido. Só que a maior parte das respostas que não seja “sim” ou “não” será falsa em mais sentidos do que os outros, e talvez não mereçam ser consideradas.

    Assim, nos concentraremos nos vários sentidos da resposta “sim”: que pode ser escrito como a afirmação “O Real Existe.”, ou “É.”, “Ontos.”

    O sentido no qual “o real existe” é verdadeiro, é bem conhecido cotidianamente tanto para filósofos quanto para comuns. Já o sentido em que “O real existe” é falso, embora possa parecer num primeiro momento equivalente a resposta “não”, tem implicações diferentes: pois não há uma separação entre os sentidos de uma afirmação. Uma coisa não apenas “é” OU “não é”. O sentido em que essa resposta é falsa implica em “é” E “não é”!

    Daí podemos parar para refletir. Certamente o Real, sendo verdadeiro implica na existência de uma série de objetos físicos e de relações entre eles. Tanto é que nossa percepção do Real depende, ao nível objetivo, totalmente dessas relações entre os objetos, isso é, em última instância das relações entre os objetos que perfazem o Real e a nossa mente, mediada em alto-nível pelos nossos sentidos.

    Assim, podemos dizer que se esta percepção do Real for verdadeira, então,com efeito ele existe em algum sentido. O fato de que nossa percepção certamente deixa de fora muito do Real – só podemos enchergar até aonde a vista alcança, por exemplo – já implica em que nossos sentidos NÃO PODEM trazer uma imagem completa do Real. O que significa que o real percebido (com “r” minúsculo) é certamente muito diferente do Real, e certamente é inferior em amplitude mesmo a um real pensado, que seria a representação mais ampla do real nos pensamentos de cada um. E mesmo esse real pensado é infinitamente inferior ao Real. Isso assumindo-se que as percepções que temos do Real são verdadeiras em si. E não são, embora, para o escopo deste item sejam suficientes.