E também o assassinato de outros deuses
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  • O #aftermath começou!

    Postado em 4 de Pós-matemática de 3175 YOLD , às 9:42:55 Peterson Espaçoporto Comments

    O Primeiro Torneio de Consequências já começou! Embora não tivemos nenhum tipo de cerimônia de abertura como pensamos as coisas estão se encaminhando. Até mesmo lusitanos e búlgaros já se pronunciaram, vamos ver se aparecem. Abaixo estão dois vídeos “promo” para esse período de (se Éris quiser) mindfuckeação aleatória:

    Vamos!

    Mais: twitterbot do #aftermath | página do #aftermath na discordiapédia

  • Sobre o controle que os pais (devem?) exercem sobre os filhos

    Postado em 34 de Discórdia de 3174 YOLD , às 5:76:47 Peterson Espaçoporto Comments

    Infância é a fase em que a criança não sabe o que é melhor pra si, por isso os pais devem tomar precauções pra que ela não acabe sofrendo com conseqüências que desconhecia. Mas isso não é desculpa para desconsiderar as vontades das crianças, e antes de proibí-las, deveriam explicar-lhe o porquê, sempre. E com paciência; a falta desta não é compreensível. Crianças são assim. Se você quer tê-las, sabe que vai ter que ter paciência. Portanto, é o cúmulo não ter paciência com o próprio filho pequeno. Demonstra algo de imbecil em alguém.

    Já a adolescência é a fase onde o adolescente acha que sabe o que é melhor pra si, às vezes sabe e outras não; mas sem dúvida isso não é motivo pra que todas as vezes em que ele sabe não sejam levadas em conta devido às outras vezes. E, sem dúvida, ainda que ele não saiba o que é melhor pra si, é necessário deixar que ele saiba, deixar que descubra sozinho. Afinal, se não for agora, quando é que ele vai ser aprender a viver sem muletas?

  • Arrependimento

    Postado em 28 de Discórdia de 3174 YOLD , às 6:10:78 Peterson Espaçoporto Comments

    Arrependimento é uma coisa muito estranha.

    1 – Você não pode voltar atrás, de qualquer forma. Pra quê ficar sofrendo com isso? Tente consertar se quiser, ajude o outro se quiser, faça algo para o outro se quiser, mas essa culpa, esse arrependimento, é um sofrimento inútil!

    2 – Na época, você fez o que considerava certo ou melhor. Sua opinião pode ter mudado, mas que culpa você tem se mudou tarde demais? Você tinha outro modo de pensar, e não pode mais ser julgado pela opinião que o motivou a fazer o que fez anteriormente.  Digo, julgado por si mesmo, com os olhos do arrependimento.

    3 – Se você avalia que o que fez não foi bom unica e exclusivamente por causa das conseqüências, as conseqüências de todo e qualquer ato se relacionam com os outros ad infinitum, de modo que

    a) não se pode dizer que apenas uma coisa é responsável pela existência de outra; e

    b) nunca as conseqüências de um ato são definitivas, ou melhor, não é possível dizer quando algo “acaba bem” ou “acaba mal” – algo nunca acaba de verdade.

  • Intenção ruim: a punição seria válida?

    Postado em 16 de Discórdia de 3174 YOLD , às 6:07:66 Peterson Espaçoporto Comments

    Eu falei pra poucas pessoas sobre minha teoria contra a punição. Pra mim, ela está bem consolidada, mas eu ainda preciso amadurecê-la um pouco mais e até me preparar para defendê-la para outras pessoas, porque ela é muito ousada, eu diria. Digo, falei pra pouco, mas ela está lá, no Pensitivo!, apesar das estatísticas mostrarem que continuam sendo poucos mesmo.

    De qualquer forma, quando vejo uma notícia como essa, vejo nela uma ótima oportunidade de colocar a mim e a minha idéia contra a parede. Eu sinto que muitas pessoas ainda vão me dizer “mas você acha que deveríamos deixar esses estupradores soltos?”. E o que eu responderia?

    Minha teoria apunitiva funciona, e tem o intuito de funcionar, nos casos onde as pessoas são prejudicadas pelos “respingos” da atitude de outras. Temos uma vida muito dependente dos outros, ao invés do contrário, e quanto mais nos colocamos como dependentes dos outros mais nossos atos têm que ser vistos em função do outro, e mais os outros tendem a ter uma relação de dominação em relação a nós – já que de nós depende muita coisa do outro. Quanto maior a dependência, mais motivos insinceros existirão para que existam relações. A comunicação só pode existir entre iguais. Portanto, quanto mais independentes formos de fatores externos, mais nossas relações serão verdadeiras. Um motivo forte que me faz ser contra a autoridade, a dependência individual e social e o dinheiro, principalmente o dinheiro.

    Essa independência que possibilita liberdade de movimentos é difícil justamente porque temos uma cultura de dependência, uma cultura de bom e mau que nos faz gostar de pessoas constantes, servis e/ou solícitas e também que sempre nos consideram e não fariam nada que nos prejudicasse. Uma visão muita boa pra quem não é prejudicado, mas a outra pessoa não tem liberdade alguma. Quem busca a liberdade é considerado mau, estranho, etc.

    Mas, saindo do escopo das conseqüências dos atos voltados para o próprio executor ou para outros (ou seja, quando a pessoa faz algo para benefício próprio ou para outras pessoas e infelizmente isso acaba influenciando negativamente alguém), podemos entrar no escopo das conseqüências premeditadas, ou seja, quando há a intenção de machucar, de fazer mal, de ferir.

    A falta de punição serviria também como chave perfeita para a caixa de pandora, fazendo com que muitas pessoas fizessem coisas com o intuito de prejudicar outras.

    Primeiro, devemos nos lembrar que a falta de punição é uma condição para a liberdade, não uma lei. Não oficialmente e necessariamente punir – isso não significa ser proibido de punir. Apenas devolvemos à esfera individual o discernimento sobre punições. O que faria muitas pessoas não fazerem algo de ruim contra outras pessoas intencionalmente é que, se não há mais punição regulamentada, também não há garantia de que a pessoa a qual ela quer fazer mal não se vingue contra ela ou não se defenda de maneira diametralmente violenta. Em outras palavras, não há Estado para punir. Mas também não há Estado para proteger.

    Segundo, eu falei uma vez que para uma sociedade atingir a maturidade necessária para abolir a punição. Então: isso significa mudar toda uma cultura, toda uma mentalidade que propicia o surgimento de pessoas que querem fazer mal às outras. Eu não tenho grandes ilusões: as atitudes genuinamente mal-intencionadas jamais deixarão de existir. Não tenho esperanças quanto a isso. Mas tenho uma noção de que a nossa sociedade favorece muito mais o surgimento desse tipo de atitude. Atitudes mal-intencionadas existem, e saber lidar com isso e se defender, lutar contra isso da mesma forma que se luta contra as adversidades, faz parte da vida. E o que podemos fazer é criar uma cultura em que as pessoas não só tenham mais coragem de lutar contra elas como também mais pessoas tenham noção sobre essas atitudes. Se elas fizerem algo, que tenham ciência do que fazem e escolham fazer isso, porque o terrível é saber que há pessoas que sequer decidiram por isso, apenas fazem mal por fazer, por adaptação ao ambiente hostil em que vivem, talvez, ou da maneira hostil como vêem o mundo – resultado, pode apostar, de uma forte noção punitiva durante infância e adolescência. Pode apostar.

    Terceiro: já que devolvemos a punição à esfera individual, vamos pensar individualmente: a punição contra atitudes realmente mal-intencionadas é a de um tipo diferente, talvez mais válido. Afinal, o impacto que a abolição da punição tem em nossa vida é sempre nos perguntar: “Será que é certo que eu queira fazer mal àquela pessoa por que o que ela fez acabou de alguma forma me prejudicando? Não deveria eu tentar me adaptar a isso, ou então tentar modificar isso de alguma forma, aproveitar isso, ou conversar com ela pra que possamos chegar a algum acordo?”. Mas que acordo se pode fazer com alguém que faz algo com intenção de te prejudicar, com vontade de te fazer mal? Se no primeiro caso a batalha da vida se desenrola contra adversidades sem rosto, no segundo caso o inimigo não é o acaso, que costuma dar as cartas, mas sim alguém, uma pessoa de carne e osso, e que portanto merece ser combatida como as conseqüências das atitudes dos outros: da forma como a pessoa desejar combatê-la.

  • A Filosofia de “A Festa”, por Ultraje a Rigor

    Postado em 73 de Burocracia de 3173 YOLD , às 4:55:75 Peterson Espaçoporto Comments

    Se vocês não escutaram a música “A Festa”, de Ultraje a Rigor, escutem. Principalmente a versão do Acústico MTV, se tiverem a oportunidade, porque é uma música excelente.

    Mas o que há de filosófico em sua letra? Justamente a questão da edificação humana. Na música, o personagem central se prepara exaustivamente e cuidadosamente para uma festa… Ele relata que na festa tudo correu bem, mas ele se depara com o desespero ao final dela – e agora? a festa acabou!!!

    Essa é, guardadas as proporções, a mesma sensação da morte – há tanta preparação e tanta expectativa para fazer da vida uma vida ideal, mas mesmo assim ela acaba.

    Na vida socrática e racional que nossa civilização leva, esperamos pelos resultados de nossas ações, pautadas moralmente e pragmaticamente na edificação absoluta, e temos assim uma continuidade – mas, de qualquer forma, como todos os acontecimentos valiosos, eles acabam, assim como a vida também acaba.

    Entretanto, existem diversas conseqüências de uma atitude liberalizada e projetada no aqui e no agora – principalmente na diversão e na emoção dionisíacas. Entre elas, o medo das conseqüências da liberdade (a responsabilidade inerente a ela), e é claro, a perda do poder-sobre.

    Quem controla acaba controlado; o medo de controlar a si mesmo e a vontade de controlar aos outros se torna evidente porque, afinal de contas, decidir coisas para a própria vida pode tornar-se agonizante (responsabilidade, alguém…?), e também porque já que o outro é justamente o outro, nós não estamos em seu lugar, e, portanto é aos nossos olhares de máquina de sobrevivência uma peça num tabuleiro – uma visão mecanicista do outro ser humano. Mandar nele torna-se fácil – tudo em nome de um bem maior, de um ideal.

    Outra coisa que quero dizer é que toda essa “facilidade” de se viver a vida de forma reta, racional, socrática, etc, etc, etc, se reflete na crença de outra vida. Além de ela ter que existir para justificar logicamente todas as ações racionais de uma vida inteira, ela também serve como esperança, alívio, consolo – uma irrealidade, uma ilusão perigosa.

    Não quero cair no mesmo tipo de pensamento marxista, ou seja, não quero dizer que o discordianismo mais dionisíaco só daria certo depois de uma época de profunda conscientização racional, mas penso que antes um bom racional do que um mau racional – não falo sobre o conteúdo do túnel-realidade, mas falo antes de ser um selecionador; abrindo brechas assim em sua própria edificação pra roubar sentimentos, que julga puritanamente serem ruins, indignos, baixos.