E também o assassinato de outros deuses
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  • Danielle Steel, Crepúsculo, Eduardo Bueno e o Pijama Listrado

    Postado em 23 de Caos de 3175 YOLD , às 3:53:53 Peterson Espaçoporto View Comments

    Depois da minha péssima experiência com “O Futuro da Humanidade”, três best-sellers e um best-seller dentro de seu nicho entraram no meu cardápio de leituras durante essas férias. Dois dos best-sellers eram da escritora norte-americana Danielle Steel. Apesar de ser uma das mais vendidas do mundo, nunca tinha ouvido falar nela. Então, afinal, fui conferir.

    O primeiro livro que li dela foi “Anjo da Guarda”. Bom, ele não faz nenhuma referência religiosa direta – um jeito de tornar suportável o “meio” paranormal para os “fins” da trama do livro. Ganhou pontos comigo por causa disso. Só que, por Éris, como é mal escrito. A história é boa, sabe, mas seria muito melhor sem os dois ou três personagens construídos porcamente e uma narração menos… Menos ruim, menos óbvia, etc.

    Aí depois veio Klone e Eu, dela também. Um livro MUITO superior a Anjo da Guarda – eu não sei como é possível que ele tenha sido escrito antes de Anjo da Guarda, a coitada perdeu a mão nesse meio tempo… Sei que, apesar de uma narrativa muito mais fascinante e uma história levemente – bem levemente mesmo, quase não dá pra perceber – menos cativante, o livro ainda traz alguns vícios desses dramas românticos e algumas coisinhas irritantes – por exemplo, acho que ela não conhece nenhum outro tecido que não seja cetim, couro e flanela, porque minha Éris, como se repete isso. Ah, e a palavra sexy é repetida de forma irritante na obra – com itálico e tudo, pra tornar ainda mais irritante.

    Bom, passando pra algo menos best-seller, porém bem mais hype, li o Crepúsculo, da Stephenie Meyer. Isso depois de ver duas vezes o filme – bem mais por força das circunstâncias do que por minha vontade; por mim via só uma vez e tava muito bom.

    O que posso dizer é o seguinte: minhas opiniões sobre o filme oscilam. Quando estou de bom humor digo que o filme é muito bom, mas não exceleeeeente. Quando estou de mau humor digo que é decepcionante – afinal, o que são aquelas longuíííííííííssimas conversas naquela floresta com aquele MPB chato de fundo e aquela câmera flutuante horrorosa? Minha deeeeeeeeeeeusa que sooono que dá aquilo. Mas então fico com a média pra uma coisa mais ou menos imparcial: é um filme bom. Nada demais.

    O livro, em contra-partida, é infinitamente superior ao filme. A Bella do filme é uma imbecil; a Bella do livro é adorável. O Edward do filme parece que está brincando de imitar um tigre (pra não dizer outra coisa) quando quer parecer perigoso; até a parte da luta dele só desperta emoções por causa do barulho alto do vidro quebrando porque eu permaneci bem sereno, até. Já o Edward do livro parece perigoso de verdade. Quando o do filme diz que é perigoso pra Bella você nem acredita e pode tranquilamente vê-lo como um cara legal, pode jogar isso pela janela e voltar a vê-lo só romanticamente. Entretanto, dá pra temer o Edward do livro.

    A Alice do livro é tão legal quanto a do filme; o Jasper do livro é MUITO melhor que o do filme. O Jasper do filme é um babaca. O do livro é muito mais centrado – e muito mais importante, aliás. A Rosalie no livro entra quieta e sai muda – ah não, ela tem sim uma ou duas falas, no máximo duas. A do filme tem participações um pouquinho mais contundentes mas nos dois casos ela não é muito relevante.

    O filme não introduziu só o merchandising na história (a Bella não tinha um Mac, muito menos um iPod / mp3 / mp4, whatever – tinha um computador velho com conexão discada e CD Player) – ele também tem uma ou duas falas originais que ficaram boas, como a do Edward pescando o pensamento das pessoas no restaurante. Aquilo foi engraçado, hehe… “Sexo. Dinheiro. Sexo. Dinheiro. Gatos”. EAHAEHaEHaeHaeh.

    Só que, enfim, também tenho minhas ressalvas com o livro… Ela perece a Danielle no Klone e Eu, quando fica repetindo sexy – só que ao invés de repetir uma palavra, ela pelo menos é mais complexa e fica repetindo conceitos… Aaah como ele é perfeito. Aaah como eu tenho certeza de que o amo. Aaaaahh como eu não conseguia mais resistir a ele. Tá, Stephenie. Eu já entendi, eu não sou burro nem tenho perda de memória recente. Mas, tirando isso, é um livro muito bom, bem viciante. Comparável a Harry Potter, mas HP é melhor.

    Vamos a Eduardo Bueno: A Coroa, a Cruz e a Espada é o quarto livro de uma série sobre o Brasil colônia e, devo dizer, me surpreendi totalmente com esse livro. Esperava um livro chato, bem histórico, tipo um… Tipo um “A Vida dos Doze Césares”. Mas não, pelo contrário. Simplesmente me viciei no livro. Ele é sim bastante histórico – eu não sei como ele faz isso, mas é histórico de um jeito muito, muito bom.

    No jeito como ele te prende à história, é como uma ficção; cheio de personagens interessantes, suas histórias e como elas se cruzam e tal. Mas o jeito como ele te apresenta à história é informativo: te traz trechos de cartas, cita as fontes das informações que revela. Ele se permite imaginar o que não está bem documentado, mas pelo menos ele avisa – e você mergulha nessa imaginação de um jeito incrível. Ele me lembra muito meu ex-professor de história, André – algumas das melhores aulas de história que já tive.

    Esse livro especificamente fala da criação do Governo Geral, da fundação de Salvador e do colégio que futuramente se tornaria São Paulo e da morte do primeiro bispo do Brasil, morto por índios canibais no litoral um pouco acima de Salvador. Muito, muito bom, recomendo totalmente.

    Ah, claro, e antes desses eu tinha lido “O Menino do Pijama Listrado”. Me disseram que fariam um filme, eu nem sabia. Sei que desde o momento em que pus os olhos nesse livro fiquei com uma vontade louca de lê-lo e meu amigo João o deu de presente pra mim no meu aniversário – wow, que livro. Um dos melhores que eu já li; tenso, curioso, inteligentíssimo, estarrecedor, surpreendente… A narração dele é fantástica. Você se lembra de quando você tinha 9 anos? Certamente; você deve lembrar de imagens, de sons, cheiros, até mesmo de como você era fisicamente ou o que pensava – no sentido de seus gostos, suas curiosidades, etc. Mas você se lembra de como você pensava? O jeito que formava seu pensamento e etc… Ler aquele livro é viajar pela mente infantil de um jeito… Sei lá, não sei se estou me explicando direito, mas é como ter 9 anos de novo. Funcionar com uma mente infantil de novo. É maravilhoso. Um livro foda.

    Ainda tenho um último livro de Steel pra ler: Casa Forte – esse tem 416 páginas (relativamente) pequenas e letra míuda. Tivesse uma capa melhor e um cheiro melhor não teria resistido e lido antes; mas ainda assim quero muito começar logo. Espero que continue subindo de qualidade na ordem em que leio os livros, afinal, já que o primeiro foi terrível e o segundo foi muito bom, seria legal se esse fosse algo próximo da perfeição de tão bom, hehe…

    Depois dele vejo um futuro muito bom pra mim: Histórias Extraordinárias de Poe, Crime e Castigo, O Povo Brasileiro (vamos ver se ele vai me convencer a gostar da minha cultura ou detestá-la ainda mais), uns ensaios do Huxley, entre muuuitos outros. Aí vejo o vestibular. Ah não. Ah não, Treze Cascaes. Iracema!!! Nããããããooooo…

  • Batman e Sweeney Todd

    Postado em 57 de Confusão de 3174 YOLD , às 5:92:00 Peterson Espaçoporto View Comments

    Bem, gosto é gosto, opinião é opinião. A minha ainda não está completa porque não vi Wall-E, mas pra ser o melhor filme do ano, não tem só que ser bom ou muito bom, tem que ser incrível, tem que ser demais.

    Pra começar tem o Sweeney Todd: The Demon Barber from Fleet Street. O filme é muito, muito bom, o melhor da carreira de Tim Burton – só não arrisco dizer que foi a melhor interpretação de Johnny Depp porque não conheço muito bem outros filmes em que ele atuou, mas ainda assim teve uma brilhante interpretação. Ele e todos os outros atores. Acho que, ou eu me acostumei às atuações dos filmes de Tim, ou ele melhorou mesmo. Desde Frankenweenie eu penso que a ambientação do filme é excelente, mas as atuações são tão fracas, por vezes estereotipadas ou, sei lá, “retas” demais. Nesse filme, entretanto, as atuações foram bem melhores.

    Além da história envolvente, fascinante, com estética de terror antigo, triste e etc, temos ainda o fato de que o inglês é o britânico; isso, sem dúvida, dá um charme todo especial ao filme. Mas tem mais… É um musical. E um musical dos bons, que não perde em nada pra Chicago e congêneres.

    Mas, além de ter que vencer Sweeney Todd, Wall-E tem que me convencer de que é melhor do que The Dark Knight, o novo do Batman, que vi ontem. Batman é demais, muito bom mesmo. Umas duas horas e meia de uma das aventuras mais sensacionais que eu já vi. Uma perfeita continuação pro primeiro filme, que já foi excelente. O amadurecimento do herói e do homem por detrás da máscara, a situação se tornando catastrófica e todos os entrelaços da história. E, é claro, o Coringa.

    O Coringa.

    Heath Ledger faz uma interpretação brilhante, que deixa o Jack Nicholson (do Burton, aliás) parecer uma criança bobinha. Não gostei, é claro, de mais uma vez anarquia ser confundida com o caos que ele causa através do medo. Ridículo, mas enfim, pelo menos saiu da boca de uma mente doentia.

    Não deu medo; eu sabia que não era um filme de terror ou de suspense mas eu esperava pelo menos um arrepiozinho, uma coisa assim. Mas isso foi um ponto ruim nas minhas expectativas, porque ele é um vilão que deu o que a platéia procura num vilão de aventura (não num de terror): raiva. Ódio dele. Nisso ele foi particularmente bom.

    Vai ser interessante adivinhar o próximo filme do Batman. Qual será o vilão? Pinguim, bem interpretado na versão de Burton? Charada, mal interpretado por Jim Carrey anteriormente? Duas Caras (***AVISO:SPOILERS***) que pode não ter morrido? (***FIM DOS SPOILERS***) Será que teremos um novo vilão, como (***AVISO:SPOILERS***) aconteceu no primeiro filme? (***FIM DOS SPOILERS***) Será que teremos um Robin, já que (***AVISO:SPOILERS***) tinha gente já se inspirando no Batman e se vestindo como ele? (***FIM DOS SPOILERS***) Será que teremos a Mulher-gato, já que a (***AVISO:SPOILERS***) Rachel morreu? (***FIM DOS SPOILERS***) Enfim, será uma grande surpresa.

  • Universal Channel

    Postado em 23 de Confusão de 3174 YOLD , às 6:85:72 Peterson Espaçoporto View Comments

    A Sky tirou a Mtv do ar, e, logo depois, a Net. Lindo, fiquei sem Mtv. Merda. Mas não tem problema; ainda tenho a Universal Channel!

    Desde ontem estou meio gripado então estou de cama. Segunda e terça vi 3 filmes excelentes, sem contar Law & Order, House (que série incrivel), etc. Estou aqui pra falar sobre os 3 filmes que vi na minha experiência Universal. E, antes de começar, o mais legal é que foi tudo legendado. Demais isso!

    Primeiro filme: The Final Cut (2004)

    Nunca tinha ouvido falar desse filme, mas é… Bom. Na verdade, eu achei a história boa, o que acontece e como acontece e tal. Mas eu achei que o roteiro foi meio simplório, e a fotografia foi muito ruim. Melhor explicando: as cenas de ação ficaram bem sem graça, e as palavras eram muito óbvias. É como se ele quisesse discutir as implicações filosóficas do que acontece no filme e foi criando as situações pra poder falar sobre elas, então é tudo muito direto, meio entregado. Além disso, apenas a atuação de uma mulher me chamou a atenção, o resto delas, a do Robin Williams inclusa, foi bem ruinzinha. Mas, tirando isso, é uma história bem legal, um enredo que estimula bastante a imaginação.

    Segundo filme: Stepmom (1998)

    Ah, esse aqui é fantástico. Eu não sei qual é o nome do primeiro filme em português, mas eu sei que esse aqui é Lado a Lado.

    Esse filme é excelente. Nada muito outstanding; tudo regular, mas um regular bom. As melhores atuações, as melhores que a média do filme (e é uma média boa, repito) foram as das duas crianças, que deram um show. A história é da relação entre a madrasta, as crianças, o pai e mãe das crianças. É um filme que tem um recurso de roteiro MUITO interessante: motivos. Por exemplo, quando uma fala “eu fiz isso pelo bem das crianças!”, a outra fala “Não, foi pelo seu bem!”, e isso em diversas situações do filme, sempre de uma forma genial. Um filme que faz pensar sobre as nossas racionalizações e reais motivos, as transformações que sofremos, etc. Um filme bom, bonito, gostoso de assistir.

    Terceiro filme: Bandits (2001)

    O nome do filme em português é Vida Bandida, e também é bom. A história gira em torno de um trio masculino que rouba bancos de uma forma esquisita: eles vão até a casa do gerente do banco uma noite antes, avisar sobre o assalto, e então dormem lá; no dia seguinte vão até lá e o gerente abre o cofre, e então eles fogem. Eles ficam “famosos” em todo o território norte-americano por causa do jeito pacífico deles, mas o negócio muda quando por acidente uma mulher frustrada com o casamento cai na vida deles; aí o negócio complica.

    Não é um filme que pretende ser engraçado, é um filme… Bem, eu não sei o que ele é. Ele tem romance, mas não é um romance; ele não é suspense, não é comédia (não dá pra rir muito), não é ação… É uma aventura. Uma aventura divertida, eu diria. Talvez daqui a alguns anos passe na seção da tarde.

  • Reine Sobre Mim, Coronel e Lobisomem, Queridos Amigos

    Postado em 51 de Caos de 3174 YOLD , às 7:50:66 Peterson Espaçoporto View Comments

    Dia 20, quarta-feira, assisti um filme chamado “Reine Sobre Mim”. É um desses filmes que você olha pra ele na estante da locadora e não dá a mínima importância. Como eu aprendi que esses filmes são justamente os melhores, resolvi dar uma chance pra capa apagada, com um título esquisito, sem nexo, pra ver se era bom mesmo.

    E, como sempre nesses casos, não me arrependi.”Reine sobre mim”, do diretor Mike Binder, é simplesmente fantástico. Eu, sinceramente, não sei o que falar sobre ele, não sei. O que eu posso fazer, contar como é a história? Não dá, ia estragar a surpresa de vocês ao ver o filme, ué. Só posso dizer que ele é fantástico. Aham. Isso aí. Sim. Eu chorei.

    O Filme tem Adam Sandler no elenco – mas não é comédia, embora o cara seja tão engraçado que, imagine você: você vai rir. Tem cenas muuito engraçadas. Demais. Ah! E a trilha sonora é muuito boa também.

    Página dele no Imdb

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    Quanto ao Coronel e o Lobisomem, é o seguinte… É uma boa produção. É um bom filme. Pros filmes brasileiros aliás, que são atrasadíssimos em questões digitais, até que o lobisomem foi razoavelmente bem feito. Se você quiser se emocionar, você não vai. Se você quiser rir, vai rir uma vez só (pelo menos essa compensa, eu vi a mesma cena umas três vezes e em todas elas eu me matei de rir). Se você quiser se assustar, não vai. Enfim. É um filme que não se encaixa no que você espera pra qualquer gênero. Mas é bom.

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    Se tem coisa que a Globo faz mal, é novela, só que pelo menos faz melhor que as outras. Agora, há produções da Globo que, sinceramente, até os anti-Globo têm que concordar, dão um show. Por exemplo: Hoje é Dia de Maria. Os Normais. Minha Nada Mole Vida (GREAT). Eu gostava também da novela O Beijo do Vampiro, achava ótima. Mas agora mais uma entrou pro Hall de “melhores coisas da TV Brasileira” –> QUERIDOS AMIGOS.

    Uma minissérie totalmente embasbacante, eu diria. Muito, muito engraçada, mas um humor que não faz você se matar de rir, é um humor mais sutil que isso. E nossa, é muito emocionante, muito. Eu falei hoje com a Natacha e ela disse que reconheceu a gente ali. Eu também. Não que uma pessoa simbolize cada um de nós, mas tem certas características que, miiinha Lady Discordia, são tudo a ver. Quer ter uma noção média de como as coisas são entre mim, o João e a Natacha? Preste atenção no trio Leo – Lena – Ivan pra entender. Uma coisa meio Peterson – Natacha – João, got it?  Ai ai. Talvez eu não deveria ter falado isso.

    Bem, continuando, ela é dirigida pela Denise Saraceni e produzia (e escrita) pela Maria Adelaide Amaral. Eu gosto da Denise Saraceni, primeiro porque acho que as coisas que ela fez lá na Globo são legais (Da Cor do Pecado, for example), e segundo porque eu gosto do sobrenome dela. E da Maria Adelaide, bem, quase nunca ouvi falar. Mas li que a minissérie é inspirada num livro. Adivinha? Eu quero ler.

    Ah, mais uma coisa: me parece que o Leo tem uma doença incurável. Se alguém assistiu tudo desde o primeiro até o segundo capítulo, me digam: não é uma ótima teoria supor que ele já está morto?

  • Caçador de Pipas vs. Caçador de Pipas

    Postado em 40 de Caos de 3174 YOLD , às 7:59:28 Timóteo Leary Pinto View Comments

    cacador-de-pipas.jpg

    Parece que recentemente ficou bastante na moda alguns romances atuais transcorrerem no Afeganistão. E incrivelmente acontece a mesma coisa com filmes quase na mesma intensidade. Nesses dias mesmo eu vi um trailer de um filme no Afeganistão, com Tom Hanks. Depois vi que o Livreiro de Cabul era um dos mais vendidos…

    Como todos aqui já sabem e são bastante espertos, o livro Caçador de Pipas é um dos best-sellers mais vendidos na atualidade. Boa parte da trama ocorreu no Afeganistão, mais precisamente na capital Cabul. Depois, nos Estados Unidos.

    Provavelmente alguns não irão concordar comigo, mas achei a história excelente. Na época em que li o livro (3172 YOLD), fiquei impressionado com a história e de fato fiquei bastante sensibilizado em alguns trechos. O momento em que o pai vai pedir a filha do general em casamento foi formidável. E quanta sensibilidade a cena da fuga do Afeganistão se mostrou, no momento em que o soldado russo apenas liberaria os fugitivos se uma passageira tivesse uma relação sexual forçada com ele.

    Momentos realmente dramáticos. Parece que é isso que faz de uma história ser chamativa, emocionante. Isso parece que complementa artisticamente o romance com o acréscimo de boas pitadas trágicas. Um romance complicado, cheio de valores e tradições e uma situação de eterno desamparo do protagonista desde o momento em que viu seu melhor amigo ser agredido sexualmente (outra tragédia).

    Assisti o filme no cinema e gostei bastante. Na minha opinião, o filme foi fiel à história, com exceção de um trecho no final do livro onde a criança tenta suicídio na banheira. Não sei se seria necessário acrescentar essa cena para minimizar a tragédia que ocorrera em todo o romance. Será que seria útil mostrar isso para comprovar o silêncio do menino no final do filme? Talvez. Porque, cá entre nós, ficou um pouco estranho, pelo fato da criança ter ajudado Amir (protagonista na fase adulta, Khalid Abdalla) a fugir e depois – mesmo reconhecendo no filme que ele tinha seus traumas passados que não entrarei em detalhe aqui – a criança ter ficado por um bom tempo calada.

    De resto, achei o filme excelente. Comprovou a emoção da minha modesta leitura e me agradou bastante. Novamente, a cena da fuga no Afeganistão, como também a cena do pedido de casamento por Baba (Homayoun Ershadi), já doente, me emocionou demasiado, demasiado. Falando em Baba, a atuação de Homayoun Ershadi foi excelente. Foi o personagem que mais me agradou no filme. E o diretor (Marc Forster, esse mesmo, que foi diretor de Stranger Than Fiction) também conseguiu impor ao protagonista aquilo que o autor do livro propôs, um jovem cheio de fraquezas morais e confuso diante de todos os problemas que ocorrera na sua infância. Não se pode esquecer também a sua relação de amizade com um Hazara, que aliás era seu único amigo e a enorme fidelidade e grande demonstração de amizade que Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada) tinha com ele.

    Para finalizar, gostaria de destacar a cena do filme em que Amir (Khalid Abdalla) leu a carta de Hassan. Foi espetacular (chorei nesta parte), com direito a fruta típica afegã (que me fugiu o nome) caindo na rua em Peshawar. Sensacional, demasiado sensacional.

    Para quem não leu Caçador de Pipas, recomendo a leitura. Recomendo também fortemente o filme.

    Grande abraço a todos.