E também o assassinato de outros deuses
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  • Meu Sumiço, Santaum, Passione

    Postado em 6 de Confusão de 3176 YOLD , às 6:96:70 Peterson Espaçoporto View Comments

    Olá pessoal! Estive meio sumido nos últimos dias, e vou explicar aos que ainda não sabiam: fiz na quarta-feira à noite uma cirurgia de retirada de apêndice. O filho da mãe inflamou e eu tirei ele de dentro de mim antes que ele ficasse nervoso demais e explodisse =) esses órgãos temperamentais são fodas, não?

    Por isso cá estou, sem trabalhar por uma semana (e com muitas saudades da Safeway =/ ), descansando e aproveitando pra colocar as coisas em ordem. Organizei um monte de coisas nos computadores (Portsmouth e Sonic), vi Orgulho e Preconceito (que a Natacha tinha me passado ano passado e ainda não tinha visto), estou vendo bastante Universal Channel (ou, na maioria das vezes, só deixando a TV ligada mesmo) e vou aproveitar pra escrever o que falta (bem pouco) de M10 e terminar de ler pelo menos um livro. Além disso, vou tentar também colocar outras coisas em dia — como o blog! =D Sim, eu tenho uma ideia pra um post que não sai da minha cabeça, e está sendo complicado botar no papel o que eu quero dizer..

    Bom, botar o blog em dia também consiste em fazer algo que venho adianado há algum tempo pela falta de clareza da coisa, mas já conversei e com ele e é definitivo: nosso caro Santaum, que ao passar por aqui nos brindou com excelentes posts, não faz parte mais do blog. É uma pena e, bem, na verdade só estou anunciando algo que acontecia na prática já há mais de ano. Ele ainda pode ser encontrado por aí na internet — embora não exatamente não na blogosfera. O twitter dele, by the way, é @santaum. Segue lá, o cara é um grande amigo que fiz na internet e que espero conhecer pessoalmente ainda esse ano! =D

    Feito isso gostaria também de aproveitar e recomendar uma leitura: Passione, o primeiro livro de minha cara amiga Carol Peters, foi lançado no site dela e está disponível pra baixar. Não demora nada e é um livro MUITO foda =D Tive o prazer e a honra de lê-lo em uma versão preliminar, mas apesar de correções e pequenas alterações o conteúdo é o mesmo e digo que trata-se de uma obra excelente =) e não é porque é minha amiga não, viu, podem confiar!

    Estou aqui nesse momento, aliás, dando uma passada pelo PDF — já que faz muuito tempo que eu li já — e minha memória foi se refrescando. É um livro muito, muito bem escrito. Eu teria um pouco de medo de escrever sobre isso porque é um pouco distante da minha realidade e de praticamente todos que eu conheço — relações exteriores, dinâmica da política internacional (em se tratando de diplomatas, visitas internacionais, etc), encostando até um pouquinho na dinâmica do próprio Palácio do Planalto, etc —o que também suscita desconfiança automática quanto à veracidade e naturalidade dos diálogos. Mas logo logo isso se dissipa por completo; tudo ali foi muito bem arquitetado.

    É um livro, à bem da verdade (note que entre cada parágrafo há uma paradinha de uns quinze minutos pra eu continuar passeando pelo PDF) apaixonante. A cada página ele vai te abraçando mais e mais, lentamente — e a falta da velocidade com que faz isso não é de forma alguma ruim. É difícil não se apaixonar de vez com o diálogo que culmina em “então nao é dos livros, mas dos príncipes da Dinamarca que a senhorita gosta”. Ha!

    Mais uns minutos depois, aqui estou eu. Ah, a minha sequência favorita de cenas, a do pós-festa, o diálogo entre eles, a citação do Principia… Sabe, outro ponto muito forte no livro são as referências culturais dele. Isso ocorre também bastante em EQM, o livro do Ibrahim Cesar. Quem era leitor assíduo do 1001 Gatos e então leu o livro às vezes lia posts inteiros ali, transcritos pra ficção, às vezes sem nem mudar muitas palavras. Sem falar da escolha de nomes, das músicas. Um diálogo inteiro quase uma vez foi fortemente inspirado em uma música (linda, diga-se) do Death Cab for Cutie. Aqui isso também não é diferente, mas é muito mais indireto e geral; não é preciso ser do círculo de amigos da Carol pra se relacionar com as referências feitas. E só coisa boa, evidentemente. Poe, Beatles, Nietzsche… E tudo colocado de uma forma natural e nada “documentárica”. Fico aqui pensando que em M10 não f iz muito disso, na verdade. No máximo umas referências culturais tipo o Linux.

    Enfim, chega né? Nada a ver isso que eu fico falando aqui. O livro é bom, é ótimo, leiam. Pra terminar, um trecho dele:

    – Ao amor! – disse, empolgada, pensando no discurso que ouvira no carro. – Antes que o amor acabe, vamos brindar ao amor.
    – Antes que o amor acabe! – Stephan falou, erguendo sua taça.
    – Antes que o amor acabe.
    Tim-tim

  • Kids

    Postado em 66 de Caos de 3175 YOLD , às 4:12:79 Peterson Espaçoporto View Comments

    Depois de bastante pensar -- quer dizer, eu adiei bastante esse post, porque as coisas estavam meio confusas. Então botar pra pensar mesmo foi só agora -- eu concordo com o Darto.

    Só há uma coisa a se ressaltar:

    [Eu] Acho que é muito ruim tratar as crianças como miniadultos ;) Principalmente quando se trata de algo que pode trazer conseqüências tão ruins a curto, médio, longo prazo…

    (…)

    [Darto] ma coisa que eu não gostava na infância era de ser tratado como “não importante”. Pessoas cumprimentavam meus pais e não me cumprimentavam. Acho que sempre quis ser tratado como mini-adulto. Algumas vezes fui, e gostei. Aprendi muito. Sempre gostei quando alguém mostrava confiança em mim, até hoje gosto, e sempre tento honrar essa confiança. E digo que aproveitei muito a minha infância, mesmo tendo uma visão um pouco mais abrangente do mundo. Até hoje não deixei de ser criança, não me comporto de modo “forçado” para condizer com a minha idade, por assim dizer.
    Não sinto nenhuma consequência ruim por ter sido tratado, algumas vezes, como igual por meus pais, que sabiam que eu tinha capacidade de entender e raciocinar sobre o que me foi passado. Sinto muitas consequências ruins por ter sido “superprotegido” em algumas ocasiões, por não terem deixado que eu fizesse experiências e tomasse minhas conclusões, achando que não era hora ainda. Isso me atrasou, e até hoje tento mudanças em áreas pouco desenvolvidas por mim. Nunca desobedeci meus pais; sempre argumentei.

    (…)

    [Darto] A criança passa a ser adulto quando começa a acreditar que existem coisas fixas no mundo, que só querer não adianta, que ela deve escolher um caminho “possível”, e não tornar o caminho escolhido possível. A aceitação da realidade, como nós conhecemos, está atrelada à refutação do sonho verdadeiro. Daí que surge a vulnerabilidade à propaganda.

    Talvez a questão de “tratar as crianças como miniadultos” passe, então, mais por já incutir esse senso de realidade engessada do que tratá-los com a mesma importância. E aí isso, suponho, é que é ruim.

  • Incoerência

    Postado em 29 de Discórdia de 3174 YOLD , às 5:98:48 Peterson Espaçoporto View Comments

    O que exatamente é a incoerência? Uma vez, minha professora de biologia definiu o incoerente como aquele que “fala uma coisa e faz outra”; mas isso de forma alguma invalida a ideia, e chamar alguém de “incoerente” pode ser um ad hominem durante uma discussão, não pode? – bem, vamos ver o que nos dizem as fontes (sobre a coerência):

    Para a wikipédia em português (página que precisa ser reciclada):

    A coerência é a lógica das idéias que possibilitam a produção de sentido no texto.

    A wikipédia em inglês trata de coerência de forma estritamente gramatical, da mesma forma que a em português faz, o que não nos ajuda em nada. A sexta edição revista e atualizada do Mini Aurélio nos diz que coerência é característica do coerente; e nos diz que coerente é:

    adj2g 1. Em que há coesão, ligação ou adesão recíproca. 2. Que procede com lógica; conseqüente.

    Uma pergunta ao mestre retorna 2,740,000 respostas, e as 10 primeiras, que seriam supostamente as mais relevantes, não dão absolutamente resposta alguma.

    Bom, esqueçamos então as respostas feitas e pensemos em uma primeira distinção: primeiro, a coerência lógica, essa que encontramos no dicionário e na wikipédia sobre a gramática. Oras, a incoerência lógica invalida sim muitos argumentos. André O Cap. Nascimento do Ceticismo chamou atenção, no outro post, para o fato de que os religiosos fazem muito uso dessa “ferramenta argumentativa ilícita” – mais conhecida como falácia: eles memorizam as partes bonitinhas do livrinho mágico e justificam o uso que fazem dele e o status que lhe atribuem, a despeito de todas as outras contradições, imprecisões científicas, barbáries, injustiças, imoralidades, etc presentes no livro.

    Esse é um tipo de incoerência que invalida qualquer argumento; afinal, estamos num debate e um debate é formado por construções lógicas de argumentos (nas melhores espécimes de debate, é claro…).

    Esse tipo de incoerência é diferente do tipo pessoal, aquele no qual a pessoa propaga uma idéia mas age de outra forma. Esse tipo de incoerência não invalida o argumento; suponhamos que uma pessoa faça um grande discurso sobre a grande opção filosófica que é não comer mais McDonalds. Então, logo depois de 2 horas de uma retórica inflamada, tal pessoa imediatamente vai até o outro lado da rua e come um delicioso Big Mac – com fritas e um copão de Coca-cola. Oras, isso de forma alguma invalida os argumentos utilizados por ele; cada pessoa deveria analisar os argumentos isoladamente. As ações dele não vão mudar as propostas dele, de forma alguma. Esse é o tal Ad Hominem de que falei antes; as pessoas às vezes julgam uma idéia pela aparência / pelas atitudes de seu portador.

    Mas então a grande pergunta é: o que fazer em relação a um incoerente? Esse foi o grande cisma do post anterior. Afinal, desconsiderar a incoerência, tanto a lógica quanto a pessoal, é ser omisso, fechar os olhos para essa discrepância entre teoria e ação, ou mesmo teoria e teoria.

    No último caso, é impossível fechar os olhos – a não ser que se concorde com uma falácia. Neste caso, o da incoerência teoria-teoria, o próprio debate acaba em si demonstrando e desconsiderando o argumento falacioso – não há como “debater a parte certa e deixar o cara com as incoerências dele”. A não ser, é claro, que a falácia seja pequena e o debatedor adversário a deixe passar sem marcá-la como indicador da incapacidade alheia (o que é perder uma ótima chance; ou seja, é uma pena se um debatedor fizer isso…).

    Já no primeiro caso, a coisa complica. Como bem exemplificou nossa atenta e perspicaz Fátima no comentário dela, o incoerente não pode exigir que eu aja de alguma maneira – sendo ele ou não incoerente; ninguém pode fazer isso – tanto quanto eu não posso exigir nada dele. Mas posso dizer que ele é incoerente, não? Isso é problema dele? Deveríamos puni-lo por isso? Deveríamos desrespeitá-lo por isso? Talvez não, talvez não. Isso é uma questão pessoal, totalmente subjetiva.

    Para finalizar, falo agora com os incoerentes: há algo de desarmonioso em você. Pare, pare agora, por favor. Ou se é fraco, ou falso, ou ignorante sobre si mesmo (bem comum). A incoerência lógica causa danos à sociedade, mas estamos falando da pessoal. A incoerência pessoal se refere unicamente a você, senhor incoerente, seja lá qual for o seu nome. Eu não tenho nada mais a dizer; pense, crie some fucking balls ou seja sincero consigo mesmo. Fraqueza, falsidade ou ignorância é o que pode ser deduzido da incoerência pessoal, e a grande pergunta agora é: punir o incoerente, bradando para quem que quiser ouvir as suas incongruências e o que se pode deduzir delas, ou deixar que ele se vire sozinho, fechando as cordas vocais os olhos para isso? Eu, francamente, não sei. Mas aquela idéia do link é justamente essa: não é sobre punir ou não. É sobre ter consciência de que talvez não punir também seja bem válido; sobre ter consciência de que punir talvez não seja tão bom (ou no mínimo tão nobre), e que é simplesmente possível escolher.

  • Agora vai!

    Postado em 24 de Discórdia de 3174 YOLD , às 6:15:46 Peterson Espaçoporto View Comments

    Finalmente eu vou convencer um crente de que Deus não existe, usando a própria Biblia e sua própria atitude como evidência.

    “Aoleabe”, um pseudônimo para um religioso que entrou no blog há alguns dias, disse o seguinte no último comentário:

    bom , a partir de hoje começarei uma campanha de oração , eu e uns amigos , para com o fim de que Deus apareça pra você , como eu não sei , mas a biblía mesma fala que se eu pedires á Deus e crêr ele o mesmo fará !

    Ou seja,

    Ele acredita em Deus e diz que, se ele pedir e acreditar, Deus vai cumprir.

    Portanto, ele tem que aparecer, não?

    Pois é. Vejamos. Se ele não aparecer, isso significa que ele não existe, ou não cumpre a palavra (o que, para um ser perfeito que diz que vai cumprir tudo o que os crentes pedirem a ele, é bem contraditório). E ele não vai poder apelar para o subjetivismo: ele disse várias vezes que, pra ele, prova da existência de Deus é a experiência dele. Logo, ele vai ter que acreditar na minha palavra também caso eu diga que ele não veio me visitar…

    E que venha o barbudão (se tiver coragem de aparecer pra mim, mwahahaha…)

  • Uma questão de vulgaridade

    Postado em 23 de Discórdia de 3174 YOLD , às 0:74:98 Peterson Espaçoporto View Comments

    Há um blogueiro que admiro muito que é cristão. No começo pensei “Como?”. Bom, depois entendi como é o cristianismo dele.

    Ocultei seu nome porque não é muito legal ficar fazendo radiografias das pessoas dessa forma. Mas enfim, eu percebi que o que ele luta contra é a vulgaridade; como um ser artístico que é ele pensa que a vida deve ser vivida nos detalhes, e isso é bom. Aproveitar os pequenos momentos ao invés de se preocupar em ser de direita ou de esquerda, fazer exatas ou humanas, casar ou comprar um bicicleta, etc.

    Dessa forma, pouco importa o “grande sistema” sob o qual as pessoas vivem, o que vale de qualquer forma são os detalhes. Mas, apesar de admitir que esse tipo de foco seja muito bom, não concordo sobre a não-importância de uma grande visão de mundo, e penso que a grande visão de mundo não deveria ser irrelevante nem para as pessoas que vivem focados nos detalhes (alguns sem saber…) porque ela interfere no modo como as pessoas “saboreiam” os detalhes.

    Portanto, o cristianismo para ele seria como o melhor sistema disponível para aproveitar a vida nesses pequenos momentos de alegria e felicidade. Mas eu discordo disso. O modo como você saboreia essa visão detalhista das coisas influencia tudo, tanto quanto óculos vermelhos deixam tudo à sua volta vermelho. O cristianismo é um sistema de dogmas e de “não, não quero ver!”. A pessoa pode deixar de fazer algo prazeroso, deixar de conhecer algo prazeroso, deixar de experimentar algo prazeroso, ou fazer, mas aproveitar com consciência pesada algo prazeroso – por causa de tolos e injustificados dogmas. E pode também fazer o mesmo não só com coisas prazerosas, mas com pessoas. Deixar de conhecer, de conviver, de ajudar. E, como está exposto no link acima, deixa de participar de uma deliciosa dicotomia que é um grande desafio para os humanos em geral.

    Enfim, viver uma vida de detalhes, uma vida sutil, e não vulgar, pode ser um bom direcionamento, mas o sistema conta, e conta muito.