E também o assassinato de outros deuses
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  • Patriarcado, Escolaridade e Hierarquia

    Postado em 21 de Discórdia de 3174 YOLD , às 8:92:26 Peterson Espaçoporto View Comments

    Meu professor de geografia comentou que, na época dele, os professores tinham o direito de castigar os alunos fisicamente ou mesmo “humilhá-los” colocando os criminosos de costas para a sala, olhando para a brancura da parede, em pé, até o fim da aula. Ele reclamou do modo como os alunos praticamente mandam nos professores agora – já que os estudantes não podem mais ser expulsos de um colégio, por exemplo – e exaltou as qualidades intrínsecas do método antigo – afinal, as pessoas apanhavam um pouquinho, mas aprendiam. Disse ele que, depois de ser deixado uma vez de costas pra turma, ficava meses sem “atrapalhar” a aula de ume determinada professora… Pra ele, o que acontece hoje em dia é que se inverteu o senso de hierarquia nas salas de aula.

    Não é opinião só dele. Já ouvi algumas vezes que ‘é necessário que as crianças levem algumas surras quando fazem algo de errado’ “pra aprender”. Pensa-se que há muito exagero por parte dos filhos e de alguns pais protecionistas ao reclamarem tanto de umas batidinhas à toa. O moralista Prates aqui da RBS TV (quem é de SC/RS vai saber quem é, talvez) acha o mesmo. Professores do ensino público acham a mesma coisa. Afinal, a situação está tão crítica que muitos deles são ameaçados pelos alunos – e pelos pais, que dão razão aos filhos inconseqüentes.

    Pra mim, há algo de muito, muito errado com isso. Há algo de podre nisso tudo.

    Eu já escrevi alguns artigos sobre crianças aqui no blog. Eu quero ter filhos. Quero mesmo, por algumas questões filosóficas. O que me incomoda (e instiga ao mesmo tempo) é toda a inconstância e toda a indeterminação que há no que concerne à “criação”, à educação dela. De qualquer forma, um texto mais importante, e diria até fundamental pra compreender tudo o que vou dizer agora é Contra a punição, que publiquei no Pensitivo.

    Analisando a questão dos professores, é verdade que há muito exagero sobre os “traumas” causados pelos castigos escolares? Talvez. Mas aí eu argumento da seguinte forma: muitas pessoas exageram sim sobre os tais traumas, mas exageram do ponto de vista clínico. Até onde sei, pouquíssimas pessoas vão parar em consultórios psiquiátricos ou vão parar em hospícios por causa das palmatórias da infância.

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