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	<title>Orkutcídio em Massa para Adoradores de Lasagna</title>
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	<description>E também o assassinato de outros deuses</description>
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		<title>Os Bons Só Se Ferram?*</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 00:28:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às vezes a vida é irônica. Você faz tudo certo; segue à risca a cartilha e, em geral, pode ser considerado aquilo que se conhece por &#8220;pessoa boa&#8221; (ou, dependendo da ênfase, melhor seria &#8220;boa pessoa&#8221; ou mesmo o popular &#8220;boa gente&#8221;) &#8212; mais do que boa praça, você é bonzinho.
E então, plá: só acontece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Às vezes a vida é irônica. Você faz tudo certo; segue à risca a cartilha e, em geral, pode ser considerado aquilo que se conhece por &#8220;pessoa boa&#8221; (ou, dependendo da ênfase, melhor seria &#8220;boa pessoa&#8221; ou mesmo o popular &#8220;boa gente&#8221;) &#8212; mais do que boa praça, você é <em>bonzinho.</em></p>
<p>E então, plá: só acontece merda com você. Você olha em volta e vê que realmente não tem amigos, só um grupo resultante da combinação de oportunistas caloteiros, oportunistas sociais, falsos e mentirosos, entre outros. Às vezes até mesmo amigos que você considerava verdadeiros conseguem te decepcionar. Mas porra, eu sou tão bonzinho, por que só merda acontece comigo?</p>
<p>A desgraça social dos bonzinhos é resumida numa frase que ouço minha mãe dizer o tempo todo: &#8220;bonzinho só se <em>fode</em>&#8221; (ênfase no fode). Ou então variações como &#8220;é, é assim. Tenta ajudar os outros e só se ferra&#8221;. Bem, quanto a isso (a gênese dessa realidade [será realidade?] social e suas implicações) tenho algumas considerações e/ou questionamentos:</p>
<p>1) Isso é uma coisa da sociedade moderna ou da natureza humana? Será que há 1000 anos atrás havia o mesmo tipo de sabedoria popular? Mesmo sendo sim ou não, partamos para a próxima: o que <em>causa</em> isso?</p>
<p>2) Uma das explicações mais simples vem do fato de que pessoas bonzinhas &#8212; as que são solícitas, querem ajudar, são preocupadas e conscientes &#8212; costumam também conter certa dose de <em>ingenuidade</em> &#8212; isso, aliado a outros fatores tais como a boa-vontade no que tange a &#8220;dar crédito às pessoas&#8221; acaba dando em merda. Acaba em bonzinhos dando segundas chances a pessoas que não as aproveitam. Acaba em bonzinhos caindo em armadilhas, servindo de trouxas.</p>
<p>3) Contudo, há uma explicação alternativa que formulei que supre a minha inquietação com a explicação padrão exposta no ponto 2 acima. Digo inquietação porque creio que é possível ser &#8220;bonzinho&#8221;, mas não ingênuo, e embora as duas coisas andem juntas, com o tempo o discernimento vem e a solicitude e a boa-vontade acabam sendo melhor dirigidas, e o bonzinho acaba aprendendo a se proteger de aproveitadores.</p>
<p>Ué, mas isso não faz com que o bonzinho justamente <em>deixe</em> de ser bonzinho? Talvez. O que ocorre é que a perda dessa ingenuidade geralmente leva à amargura; junto com ela vai também a prontidão de ser útil a quem precisa de um mão (ou nem precisa tanto, mas adoraria uma). Quando se vai a bobeira mas não fica a amargura, acho que chegamos a um perfil do bonzinho mediano (a pessoa que podemos chamar de boazinha sem ser no sentido pejorativo, digamos) &#8212; mas essa <em>ainda</em> se fode!</p>
<p>Minha teoria é a seguinte: as pessoas erram. Muito; viver no cabo de guerra multidimensional que são as relações sociais acaba criando tensões com as quais nem todos sabem lidar. A bem da verdade o surgimento de muitas dessas tensões já demonstra nossa fraqueza pra equilibrar vontades, objetivos, empatia e tudo o mais de voluntário e involuntário que se tem a considerar&#8230;</p>
<p>O que acontece é que, como todo mundo faz cagada, acaba sendo normal ser vítima das cagadas. A pessoa se acostuma. Muitas vezes a prepotência surge e faz alguém não pensar fazer besteira e causar mal aos outros, mas ainda assim ficar puto quando alguém lhe causa mal &#8212; mas em geral, existe um equilíbrio de forças. I screw up, you screw up, we&#8217;re fine. Tá tudo certo.</p>
<p>O problema com pessoas que têm tato e habilidade social é que elas simplesmente conseguem acertar mais do que errar &#8212; o que não impede que vivam junto com pessoas que fazem muita merda, e quando ela vai pro ventilador, ih&#8230; O que ocorre é que o bonzinho acaba vendo na sua história uma equação desbalanceada. É muita coisa ruim que acontece pra ele &#8212; fruto do seu contato com quem não é assim tão habilidoso pra viver em paz &#8212; pra poucas coisas ruins que ele faz. Ele sente que há algo de <em>errado</em> nisso; a sua única conclusão é a de que não vale à pena tentar fazer tudo certo, já que isso não vai fazer com que coisas ruins parem de acontecer. E aí vem a amargura proveniente da sensação de não ser recompensado, nem valorizado. O que é uma coisa foda mesmo, convenhamos.</p>
<p>Em suma, o bonzinho se fode não porque é o alvo predileto, mas é porque o que menos fode os outros (é tanta fudelança nesse post, mas juro que é tudo no bom sentido, pessoal) e aí vê um desequilíbrio se desenhando na sua timeline. Ta-dah! Que tal?</p>
<p>4) Pra lidar com isso um jeito interessante de pensar é que [sugestão aqui, pessoal, isso é, como qualquer conteúdo do blog, uma coisa a se pensar. Não to bancando o psicólogo EHAEHAEHA], em primeiro lugar, o fato de tentarmos ser bons tem a ver com crescimento pessoal. Tem a ver com entender que a recompensa por fazermos as pessoas de que gostamos alegres é a própria alegria delas, e não uma retribuição em forma de ação positiva (ou estaríamos, quem sabe, <a href="http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2008/06/10/a-minha-felicidade-e-minha-larga-sai/" target="_blank">esperando o outro ser responsável pela nossa felicidade</a>!).</p>
<p>Lidar com isso envolve a aquisição dessa sabedoria e desse agir voltado pra empatia, para o compartilhamento da felicidade com o outro. Além disso, tem todo um pensamento coletivo também se incentivarmos os outros pra essa direção: ao invés de eu desistir de ser bom e de ajudar e tudo o mais porque &#8220;não compensa&#8221;, eu deveria justamente seguir forte, levantar a bandeira do &#8220;don&#8217;t screw up&#8221; e tentar ajudar as pessoas a melhorarem nesse quesito. Além de ser bom pra elas aquela aquisição de sabedoria da qual acabamos de falar, isso significaria menos gente fazendo cagada &#8212; ou seja, o bonzinho acaba sofrendo menos também. Todo mundo cresce junto, se ajuda a crescer mais e erra menos. A balança já não está tão desequilibrada.</p>
<p>E, por último, é engraçado uma coisa que falei antes sobre &#8220;dar uma segunda chance a quem não sabe aproveitar&#8221; etc. A gente se negando a ajudar e a fazer coisas boas e etc é uma coisa que vem de a gente considerar as coisas como prontas. É quase como entender o universo como imutável e considerar a existência de um destino &#8212; que não existe regeneração, evolução pessoal, melhoria, mudança. Às vezes o que falta pra uma pessoa atingir um turning point na vida é um empurrãozinho. Alguém bonzinho lá pra dar a mão.</p>
<p>5) E, por último, quão socialmente habilidoso será que eu sou? Será que faço pouca ou muita merda? Será que causo mal aos outros e não vejo, ignoro? E você, caro leitor, o que pensa?**</p>
<p><em>*Esses dias me deparei com uma &#8220;lei&#8221; muito interessante, a &#8220;<a href="http://itre.cis.upenn.edu/~myl/languagelog/archives/003585.html" target="_blank">Lei de David</a>&#8220;: <span style="text-decoration: underline">se a manchete termina em um ponto de interrogação, a resposta é não</span>.</em></p>
<p><em>**Uma das pouquíssimas vezes que usei essa expressão no blog. É porque ela pode ser tão #fail, né? Pouca gente já lê esse blog, se não resolvem comentar então &#8212; Fica uma pergunta pra ninguém&#8230;</em></p>
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		<title>Invisivelmente, do Aerocirco, e Depoimento</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 16:45:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje a banda Aerocirco (@aerocirco) lançou seu mais recente CD, Invisivelmente, pela internet &#8212; download gratuito no site da banda, www.aerocirco.com.br. E eu estou aqui para recomendar essa banda catarinense (agora morando em São Paulo) de muita qualidade.
Desse CD o público que acompanha a banda já conhecia as músicas &#8220;Não Me Leve a Mal&#8221; e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje a banda Aerocirco (@aerocirco) lançou seu mais recente CD, Invisivelmente, pela internet &#8212; download gratuito no site da banda, <a href="www.aerocirco.com.br" target="_blank">www.aerocirco.com.br</a>. E eu estou aqui para recomendar essa banda catarinense (agora morando em São Paulo) de muita qualidade.</p>
<p>Desse CD o público que acompanha a banda já conhecia as músicas &#8220;Não Me Leve a Mal&#8221; e &#8220;Faz de Conta&#8221;, mas todo o resto do material é de inéditas. Logo de cara a música que inicia é <strong>Última Estação.</strong> É uma música muito bonita, mas eu acho que peca um pouco por ter um ritmo que cria muita expectativa &#8212; depois de um tempo, principalmente com a bateria, você fica esperando por um refrão poderoso que possa ficar cantando com vontade&#8230; Mas ele não chega. E depois de um tempo você fica &#8220;tá, espera&#8230; Essa parte aí é o refrão!&#8221;, então sei lá, a música acabou ficando meio incompleta. Pelo menos senti assim.</p>
<p>Aí vem <strong>Ninguém Vai Desistir de Você</strong>, uma música mais forte e, essa sim, com um refrão mais presente, uma coisa mais marcante&#8230; Ainda que demore pra se perceber isso também. Em <strong>Invisivelmente </strong>temos bastante poesia numa música mais interessante. <strong>Depois Não Me Leve A Mal</strong>, divertida e, depois de um tempo, bem viciante!</p>
<p>Então vem <strong>O Rei</strong>. Essa música me lembra bem essa posição de começo de meio de CD. Isso porque essa região costuma ser a mais irrelevante nos CDs quando são daquele jeito comum: começam bem, têm algumas músicas que todo mundo passa no meio pra chegar logo nas últimas, em que ele fica interessante de novo. Essa música, entretanto, apesar de parecer irrelevante, é na verdade bem legal e é uma que eu não pularia de jeito nenhum!</p>
<p><strong>Ontem</strong> ficou realmente muito, muito bonita &#8212; mas o uso dos instrumentos extras não conseguem tirar o título de mais bonita pra uma que vem depois. Mas ainda assim ficou muito, muito boa! Tem um feeling bem campestre, meio folk, não sei. A voz do Della ficou muito massa. Muito, muito foda! Depois vem <strong>Faz de Conta</strong>, bem massa, como já conhecemos.</p>
<p>Aí chega a obra-prima, a música que faz todo o CD valer à pena:<strong> O Resto Tanto Faz</strong>. Linda, linda, linda. Muito boa, muito bem tocada, muito bem feita, muito demais!  Depois vem outra que não quer ser a mais bela, mas tem o refrão mais poderoso da compilação &#8212; aquele que faltou pra Última Estação: <strong>Cedo ou Tarde</strong>. É uma das músicas mais gostosas de escutar. Essa, junto com O Resto Tanto Faz, O Rei, até Invisivelmente um pouco, é uma inédita que dá vontade de ouvir várias vezes depois da primeira vez que se ouve&#8230; De novo e de novo e maais uma vez&#8230;</p>
<p><strong>A </strong><strong>Última Pílula</strong> tem uma melodia muito legal que também te prende. <strong>Amanhã </strong>é uma música foda, que ainda consegue a proeza de valer muito à pena depois da dupla O Resto Tanto Faz / Cedo ou Tarde. É um CD que vale muito à pena ouvir do começo ao fim porque ele permanece muito, muito bom&#8230; E esse refrão de Amanhã é muito bom. Uma power ballad muito forte do CD. E aí, pra fechar, <strong>Nem Tudo é Tudo</strong>. Começa prometendo uma música bonitinha, mas depois logo mostra ao que vem. Essa, por mais que o Aerocirco tenha impresso sua marca ao longo do CD, é a música que mais lembra&#8230; <em>Aerocirco</em>!</p>
<p>Enfim. Depois de ouvir esse CD várias e várias vezes (como vocês podem ver se forem ao meu last.fm agora) eu tenho a impressão de que o Aerocirco cresceu muito liricamente. Está naquela fase que está prestes a chegar a algo maravilhoso, mas primeiro precisa sair da zona de conforto em que cresceu. A vantagem é que quando as bandas fazem isso costumam desagradar e fazer merda; o Aerocirco, em contrapartida, conseguiu fazer um álbum excelente que marca esse provável início de nova fase. Vem muita coisa impressionante por aí, eu sinto isso, mas por enquanto temos esse álbum sem uma chuva de hits como é <strong>Liquidificador</strong>, mas ainda assim um crescimento!</p>
<p>--&gt;&lt;--</p>
<p>Minha abstinência de blogagem acabou fazendo com que eu deixasse de compartilhar com vocês a música que eu gravei pra minha namorada, Aline Schvartz (@AlineSchvartz). Eu a compus há algum tempo e muita gente que frequenta o blog sabe que não é a única que eu escrevi (longe disso EHEHAEH) mas foi a primeira que eu fui pra estúdio gravar.</p>
<p>O estúdio fica aqui perto de casa, na casa de um amigo de um amigo, mas apesar de não ser assim profissional no sentido de você passar pela frente e ver o estúdio e tal é um lugar muito, muito interessante e legal =) Estar em estúdio foi uma experiência bem boa, ainda que eu tenha cantado &#8212; tive que fazer isso já que era eu e eu mesmo, sem uma banda&#8230; Enfim, está aí embaixo =)</p>
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		<title>Meu Sumiço, Santaum, Passione</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 19:43:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olá pessoal! Estive meio sumido nos últimos dias, e vou explicar aos que ainda não sabiam: fiz na quarta-feira à noite uma cirurgia de retirada de apêndice. O filho da mãe inflamou e eu tirei ele de dentro de mim antes que ele ficasse nervoso demais e explodisse =) esses órgãos temperamentais são fodas, não?
Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Olá pessoal! Estive meio sumido nos últimos dias, e vou explicar aos que ainda não sabiam: fiz na quarta-feira à noite uma cirurgia de retirada de apêndice. O filho da mãe inflamou e eu tirei ele de dentro de mim antes que ele ficasse nervoso demais e explodisse =) esses órgãos temperamentais são fodas, não?</p>
<p style="text-align: justify">Por isso cá estou, sem trabalhar por uma semana (e com muitas saudades da Safeway =/ ), descansando e aproveitando pra colocar as coisas em ordem. Organizei um monte de coisas nos computadores (Portsmouth e Sonic), vi Orgulho e Preconceito (que a Natacha tinha me passado ano passado e ainda não tinha visto), estou vendo bastante Universal Channel (ou, na maioria das vezes, só deixando a TV ligada mesmo) e vou aproveitar pra escrever o que falta (bem pouco) de M10 e terminar de ler pelo menos um livro. Além disso, vou tentar também colocar outras coisas em dia &#8212; como o blog! =D Sim, eu tenho uma ideia pra um post que não sai da minha cabeça, e está sendo complicado botar no papel o que eu quero dizer..</p>
<p style="text-align: justify">Bom, botar o blog em dia também consiste em fazer algo que venho adianado há algum tempo pela falta de clareza da coisa, mas já conversei e com ele e é definitivo: nosso caro Santaum, que ao passar por aqui nos brindou com excelentes posts, não faz parte mais do blog. É uma pena e, bem, na verdade só estou anunciando algo que acontecia na prática já há mais de ano. Ele ainda pode ser encontrado por aí na internet &#8212; embora não exatamente não na blogosfera. O twitter dele, by the way, é @santaum. Segue lá, o cara é um grande amigo que fiz na internet e que espero conhecer pessoalmente ainda esse ano! =D</p>
<p style="text-align: justify">Feito isso gostaria também de aproveitar e recomendar uma leitura: <a href="http://carolinapeters.com/passione.pdf" target="_blank"><strong>Passione</strong></a>, o primeiro livro de minha cara amiga <a href="http://carolinapeters.com/" target="_blank">Carol Peters</a>, foi lançado no site dela e está disponível pra baixar. Não demora nada e é um livro MUITO foda =D Tive o prazer e a honra de lê-lo em uma versão preliminar, mas apesar de correções e pequenas alterações o conteúdo é o mesmo e digo que trata-se de uma obra excelente =) e não é porque é minha amiga não, viu, podem confiar!</p>
<p style="text-align: justify">Estou aqui nesse momento, aliás, dando uma passada pelo PDF &#8212; já que faz muuito tempo que eu li já &#8212; e minha memória foi se refrescando. É um livro muito, muito bem escrito. Eu teria um pouco de medo de escrever sobre isso porque é um pouco distante da minha realidade e de praticamente todos que eu conheço &#8212; relações exteriores, dinâmica da política internacional (em se tratando de diplomatas, visitas internacionais, etc), encostando até um pouquinho na dinâmica do próprio Palácio do Planalto, etc &#8212;o que também suscita desconfiança automática quanto à veracidade e naturalidade dos diálogos. Mas logo logo isso se dissipa por completo; tudo ali foi muito bem arquitetado.</p>
<p style="text-align: justify">É um livro, à bem da verdade (note que entre cada parágrafo há uma paradinha de uns quinze minutos pra eu continuar passeando pelo PDF) apaixonante. A cada página ele vai te abraçando mais e mais, lentamente &#8212; e a falta da velocidade com que faz isso não é de forma alguma ruim. É difícil não se apaixonar de vez com o diálogo que culmina em &#8220;então nao é dos livros, mas dos príncipes da Dinamarca que a senhorita gosta&#8221;. Ha!</p>
<p style="text-align: justify">Mais uns minutos depois, aqui estou eu. Ah, a minha sequência favorita de cenas, a do pós-festa, o diálogo entre eles, a citação do Principia&#8230; Sabe, outro ponto muito forte no livro são as referências culturais dele. Isso ocorre também bastante em EQM, o livro do Ibrahim Cesar. Quem era leitor assíduo do 1001 Gatos e então leu o livro às vezes lia posts inteiros ali, transcritos pra ficção, às vezes sem nem mudar muitas palavras. Sem falar da escolha de nomes, das músicas. Um diálogo inteiro quase uma vez foi fortemente inspirado em uma música (linda, diga-se) do Death Cab for Cutie. Aqui isso também não é diferente, mas é muito mais indireto e geral; não é preciso ser do círculo de amigos da Carol pra se relacionar com as referências feitas. E só coisa boa, evidentemente. Poe, Beatles, Nietzsche&#8230; E tudo colocado de uma forma natural e nada &#8220;documentárica&#8221;. Fico aqui pensando que em M10 não f iz muito disso, na verdade. No máximo umas referências culturais tipo o Linux.</p>
<p style="text-align: justify">Enfim, chega né? Nada a ver isso que eu fico falando aqui. O livro é bom, é ótimo, leiam. Pra terminar, um trecho dele:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">– Ao amor! – disse, empolgada, pensando no discurso que ouvira no carro. – Antes que o amor acabe, vamos brindar ao amor.<br />
– Antes que o amor acabe! – Stephan falou, erguendo sua taça.<br />
– Antes que o amor acabe.<br />
Tim-tim</p></blockquote>
<p style="text-align: justify">
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		<title>Like This&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 15:06:04 +0000</pubDate>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 00:24:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Nah, you just say it because you&#8217;re in love.
- No, I don&#8217;t! I really mean it. Blue and green eyes are surely beautiful as hell, are wonderful &#8212; but too much decorative. Dark eyes are deeper. They mean more to me, even though I think they mean more in general&#8230;
- What do you mean?
- [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Nah, you just say it because you&#8217;re in love.</p>
<p>- No, I don&#8217;t! I really mean it. Blue and green eyes are surely beautiful as hell, are wonderful &#8212; but too much decorative. Dark eyes are deeper. They mean more to <em>me</em>, even though I think they mean more in general&#8230;</p>
<p>- What do <em>you</em> mean?</p>
<p>- I mean&#8230; Ok, maybe it&#8217;s just her eyes, not everyone&#8217;s&#8230; But you know&#8230; There&#8217;s something about her eyes that I&#8230; I don&#8217;t feel with anyone else.</p>
<p>- <em>Again</em> you say it because you&#8217;re in love.</p>
<p>- No, I <em>don&#8217;t</em>, I&#8217;m serious! I feel different things when looking at people&#8217;s eyes. Either I&#8217;m indiferent &#8212; like, well, they&#8217;re normal eyes and don&#8217;t have any effect on me &#8212; or I don&#8217;t like looking at them. I kind of <em>avoid</em> them. There are even some eyes that&#8230; When I look at them&#8230; I feel intrigued by them. As if the person isn&#8217;t saying what he really means and, on purpose, lets his eyes <em>show</em> that there is something else &#8212; but of course I can&#8217;t decode it, otherwise I wouldn&#8217;t be intrigued.</p>
<p>- What do you feel about <em>my</em> eyes?</p>
<p>- They&#8217;re normal. But anyhow, with her eyes&#8230; It&#8217;s different. I <em>like </em>looking at them. But, you see: I never <em>like </em>staring, never like doing it. I do it because it&#8217;s what we&#8217;re supposed to do while on conversation, or I feel intrigued by it &#8212; but that doesn&#8217;t mean I <em>like</em> looking &#8212; or I try not to do it. But with her &#8212; I <em>like</em> looking at her! Her eyes are like&#8230; Spots in a cave which lead to a deep ocean in which I want to dive because.. There are&#8230; Treasures down there and I want to find them! I can almost feel it, its golden coins shine at me like devilish diamonds.</p>
<p>- You&#8217;re obviously in love.</p>
<p>- It doesn&#8217;t matter. Oh, goddess&#8230; Sometimes I just want to stay there, looking. And looking. And looking again until she laughs in shyness, turns her back on me and run away.</p>
<p>- I say you&#8217;re in love. And you&#8217;re masochist.</p>
<p>- I guess that even if I hated her I&#8217;d still feel the same&#8230; Then fuck yeah, maybe.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Aprender a Viver</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 22:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pra ler]]></category>
		<category><![CDATA[Pra pensar]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[pensamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Li, todo num dia só, o livro Aprender a Viver, do francês Luc Ferry. O livro nasceu da iniciativa de alguns amigos do cara, que pediram um &#8220;curso&#8221; básico de filosofia, um curso dirigido a um público leigo e tal.
Na verdade, a proposta dele é similar à do famoso &#8220;O Mundo de Sofia&#8221; &#8212; só [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Li, todo num dia só, o livro <strong>Aprender a Viver</strong>, do francês <strong>Luc Ferry</strong>. O livro nasceu da iniciativa de alguns amigos do cara, que pediram um &#8220;curso&#8221; básico de filosofia, um curso dirigido a um público leigo e tal.</p>
<p style="text-align: justify">Na verdade, a proposta dele é similar à do famoso &#8220;O Mundo de Sofia&#8221; &#8212; só que não é uma ficção e cobre apenas cinco fases da filosofia ocidental: o estoicismo grego, o cristianismo, o humanismo, Nietzsche e o pós-Nietzsche.</p>
<p style="text-align: justify">Sim. Um capítulo todo dedicado a Nietzsche.</p>
<p style="text-align: justify">Bom, nada menos que justo: ele foi simplesmente o mais foda de todos. Uma pena que o livro acabe não fazendo muita justiça a ele; vejamos o porquê mais adiante.</p>
<h2 style="text-align: justify">Estilo e Estrutura</h2>
<p style="text-align: justify">O livro é muito interessante, e visualmente falando é agradável de ler. Grandes espaços entre as linhas, margens grosssas &#8212; 300 páginas que passaram voando. Depois de ler dois livros de Dostoiévski da Martin Claret, OMG, isso foi um alívio <strong>indescritível</strong>.</p>
<p style="text-align: justify">Na apresentação do livro ele desmistifica uma ideia que estava em mim também: a de que a filosofia é essencialmente espírito crítico, é muito mais sobre <strong>fazer perguntas</strong> e não sobre suas respostas. Mas, como ele bem diz: fazer perguntas, ter um espírito crítico, é uma faculdade técnica que é empregada por pessoas em todos os campos da nossa vida e nem por isso todo mundo é filósofo.</p>
<p style="text-align: justify">Ele explica então que os chamados sistemas de pensamento filosófico surgem por causa de uma simples constatação: somos mortais. Morreremos. E disso decorre aquela angústia básica: já que não tenho exatamente <em>todo o tempo do mundo</em>, estou gastando meu tempo de forma positiva? E essa angústia, esse e muitos outros sintomas do básico <strong>medo da morte</strong>, nos impedem de viver bem.</p>
<p style="text-align: justify">A função da filosofia é, pois, nos <strong>salvar</strong>, ou seja, nos recuperar: viver de um modo a neutralizar o medo da morte que nos impede de viver bem e, dessa forma.. <strong>Viver bem</strong>!</p>
<p style="text-align: justify">Assim, todos sistema filosófico coerente possui três partes:</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Teoria</strong> &#8211; compreende a epistemologia &#8212; o que é real? O que é a realidade e, afinal, como podemos saber que ela é assim? Aquela coisa Matrix.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ética</strong> &#8211; de acordo com o que entendemos pela realidade, então, o que afinal devemos fazer?</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Doutrina da Salvação</strong> &#8211; sob qual perspectiva o fato de vivermos de acordo com essa ética melhora nossa relação para com a morte?</p>
<p style="text-align: justify">Ah, e ainda tem uma distinção particularmente importante da qual gostei muito: a filosofia se diferencia, de forma diametralmente oposta, da religião, porque a religião promete a salvação: ou seja, promete aplacar os medos concernentes à morte de diversas formas (ou os negando ou arranjando gambiarras teológicas)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">&#8230; <strong>SE</strong> e somente <strong>se </strong>você se submeter a uma determinada linha de pensamento, que em geral é a linha do des-pensamento &#8212; a <em>fé</em>. A confiança em algo exterior a você que, a troco de algumas coisas, vai te salvar. Ou seja, a fé, a religião, ela é uma salvação comprada, uma salvação que tem o preço alto e o gosto amargo da dependência: é a <strong>salvação por intermédio de outrem</strong>, enquanto que a <strong>filosofia é a salvação por si mesmo.</strong></p>
<p style="text-align: justify">Taí uma distinção que a Nova Acrópole, aquela escola de filosofia à moda clássica que eu falei <a href="http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2010/04/11/a-nova-acropole-e-o-iaido/" target="_blank">nesse post aqui</a>, não faz. Pra eles, a religião, a ciência, a política e a arte são faces de uma mesma pirâmide cujo cume é a filosofia. Não penso dessa forma e tenho cada vez mais forte em mim a ideia de que aquele curso de filosofia não rola <em>mesmo</em> (por mais que o Iaido seja legal&#8230;).</p>
<h2 style="text-align: justify">O Caso Nietzsche</h2>
<p style="text-align: justify">Depois de falar do estoicismo, do cristianismo e do humanismo renascentista / iluminista, ele parte para Nietzsche, embora faça referências também a Marx e Freud, e o põe na conta de um materialista desconstrutivista.</p>
<p style="text-align: justify">Ha! Que generalização tola!!</p>
<p style="text-align: justify">Em geral os livros citados nesse capítulo foram A Vontade de Poder (póstumo), Ecce Homo, Além do Bem e do Mal e&#8230; Só, acho. Um pouco, <em>bem pouquinho</em>, de Zaratustra, uma passagem só, se não me engano.</p>
<p style="text-align: justify">O livro tratou bem a <strong>teoria</strong> de Nietzsche: não existem verdades, apenas interpretações (Principia Discordia?), e o universo, ao invés de ser um lugar bonito e harmonioso como diziam os estóicos, é na verdade uma grande trama de forças puramente caótica (Principia Discordia? Poderia ser tanto a teoria <em>mainstream</em> do Principia como a <em>ilusão erística</em>, mas isso veremos adiante). E, <em>cherry on top</em>, nós, seres viventes, jamais poderíamos formular teorias frias e conclusivas sobre o que é o viver, sobre o que é a existência, uma vez que nós fazemos parte dessa realidade.</p>
<p style="text-align: justify">A teoria também passa por falar como Nietzsche procedia pra chegar a essas conclusões. À bem da verdade isso que falei no último parágrafo são mais coisas que se <em>assume</em>, e a partir daí constrói-se o resto &#8212; não é bem algo que se possa argumentar pra convencer. Mas, de modo geral, Nietzsche usava o método da <strong>genealogia</strong>, ou seja, não era bem uma questão de analisar, de contemplar, de experimentar&#8230; Ele, como filólogo (coisa que o livro não cita) vai na <em>origem</em> das coisas: quer saber porque são do jeito que são e então as desmascara, tirando seu valor.</p>
<p style="text-align: justify">Não sei se quando ele fala disso ele ainda está na teoria ou na ética, mas o caso é que Nietzsche não era exatamente um amigo da <strong>moral</strong>. A moralidade, essa coisa de bem e mal, o que exatamente isso tudo significa? O que são <strong>ideais</strong> e qual é a importância deles?</p>
<p style="text-align: justify">Bom, El Bigodón dizia o seguinte: a vida era algo muito legal e interessante, mas que era <strong>contaminada</strong> por ideias quando tentamos classificá-la, quando tentamos dividi-la em bem e mal, em certo e errado. Tudo isso o livro explica, mas ele não fala <strong>de onde</strong> veio isso e, pra mim, a insatisfação já começou aí: ele não faz menção ALGUMA a <strong>O Nascimento da Tragédia</strong>, a <strong>primeira</strong> obra de Nietzsche, e que é de importância vital pra compreender bastante coisa.</p>
<p style="text-align: justify">Para o Nitch (cansa escrever tudo AHEAEHa &#8211; ficar sendo criativo vai mais hora menos hora irritar, então vou escrever só Ni), a realidade não poderia ser explicada se não pela existência de impulsos artísticos que seriam <strong>metafísicos</strong> &#8212; ou seja, sabe quando dizem que Deus criou o mundo? Ok, claro que sabem. Slabem quando dizem que, mesmo não havendo Deus, deve haver alguma &#8220;verdade universal&#8221; quanto à moralidade, quanto &#8220;ao que é certo e ao que é errado&#8221;? Sim, claro que sabem.</p>
<p style="text-align: justify">Então, isso de &#8220;deve haver&#8221; são os chamados <strong>princípios metafísicos</strong> &#8212; coisas que estão além da <em>nossa</em> realidade. Ni olhava para o mundo e dizia: cara, vocês veem harmonia onde não existe. Vocês fazem as coisas de um jeito, aceitam as coisas de um jeito, ORGANIZAM as coisas de um jeito, mas caso esse negócio de ética fosse mesmo verdadeiro, o mundo seria muito diferente, nós viveríamos de uma maneira muito diferente &#8212; seríamos, essencialmente, muito diferentes.</p>
<p style="text-align: justify">Portanto, a única coisa que ele podia aceitar como <strong>princípios metafísicos</strong> eram não coisas como a moral ou o bem ou o mal, mas a <strong>arte</strong>. A arte enquanto impulso universal que nos governa.</p>
<p style="text-align: justify">Mas que tipo de arte?</p>
<p style="text-align: justify">Pra ele existiam dois impulsos artísticos primordiais: o <strong>dionisíaco</strong>, que tem a ver com a profundidade das coisas, com a dor da existência, e o <strong>apolíneo</strong>, que tem a ver com as imagens, com a arte contemplativa que existe para escapar ao dionisíaco.</p>
<p style="text-align: justify">É difícil explicar aqui tudo sobre o que o livro fala, mas ele mais pro final começa sua crítica a <strong>Sócrates</strong>, ao <strong>racionalismo</strong>, dizendo que havia um terceiro impulso, não metafísico, mas humano, que era o impulso racional. Pra ele, nada havia de significado naquilo que não podia ser provado, que não podia ser lógico, que não era de acordo com <strong>razões</strong> &#8211; com <strong>ideias</strong>. Ou seja, a beleza não está implícita, está só naquilo que possa ser <strong>compreendido</strong>, <strong>processado</strong> pela mente.</p>
<p style="text-align: justify">Isso, de certa forma, lembra aqueles ataques aos ateus modernos por parte de certos esotéricos. De qualquer forma, o que Nietzsche queria propôr (pelo menos segundo minha interpretação, e olha que eu me <strong>demorei</strong> nesse livro) era que a vida, as sensações da vida são, <strong>a priori</strong>, <em>artísticas</em>, são desprovidas de sentido óbvio para nossa mente utilitarista, e que essa mania racionalista é na verdade uma megalomania do cérebro, que é excelente para manipular a matéria e tudo o mais, mas que quis estender seu domínio por sobre todo o resto&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">Sendo assim, desde Sócrates, diz Ni, a vida enquanto resultado desses impulsos artísticos tem sido negligenciada em função de ideias racionais&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">Ou seja, resumo da ópera:</p>
<p style="text-align: justify">- A vida acaba sendo <strong>julgada</strong> pelo intelecto.</p>
<p style="text-align: justify">- O intelecto realiza suas manobras retóricas para <strong>&#8220;provar&#8221;</strong>, com sua lógica, o que é certo e o que é errado.</p>
<p style="text-align: justify">E é <strong>por isso</strong> que Ni precisava usar a <strong>genealogia</strong>, esse negócio de saber de onde as coisas vêm, pra desmascarar a suposta <strong>razão</strong>. Pra mostrar que esses julgamentos do intelecto não eram válidos.</p>
<p style="text-align: justify">Ni acreditava que para viver uma vida melhor é preciso viver a vida de uma forma mais unitária, sem julgá-la, sem confiná-la, sem destruir seus instintos em favor de <strong>ideais</strong>, que são frágeis.</p>
<p style="text-align: justify">O livro fala, então, da doutrina de salvação de Nietzsche: o <em>eterno retorno</em> e o <em>amor fati</em>, mas os entende de forma <strong>terrivelmente</strong> errada.</p>
<p style="text-align: justify">O que é o Eterno Retorno? É o seguinte: pra você ver se você está vivendo uma vida que vale a pena ser vivida, você deve, por um momento, imaginar que, assim que você morresse, de alguma forma o tempo voltasse e você nascesse de novo.</p>
<p style="text-align: justify">Só que da mesma forma. Do mesmo jeito. No mesmo ano, no mesmo dia, com os mesmos pais, na mesma circunstância. Você, então, <strong>viveria sua vida toda de novo. </strong>E, quando morresse, a viveria de novo.</p>
<p style="text-align: justify">E de novo, e de novo, e de novo.</p>
<p style="text-align: justify">Assim, o que ele pergunta é o seguinte: se esse é o seu destino, você gostaria dele? Mas veja bem, não é só o caso de repetir todas as experiências boas. Você viveria <strong>tudo</strong> de novo. Inclusive, é claro, as experiências ruins.</p>
<p style="text-align: justify">O livro trata do Eterno Retorno como se fosse um <em>selecionador </em>de experiências:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify">(&#8230;) Ela não é, no fundo, nada além de um critério de avaliação, um princípio de seleção dos momentos de nossa vida que valem ou não a pena serem vividos. Trata-se (&#8230;) de interrogar nossas existências, a fim de fugir das falsas aparências e das meias medidas, de todas essas covardias que (&#8230;) nos levariam a desejar esta ou aquela coisa &#8220;só uma vez&#8221;, como uma concessão, (&#8230;) sem a querer realmente.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify">A segunda parte faz sentido &#8212; ao colocarmos nossa vida, nossas ações do futuro próximo sobre a perspectiva da eternidade, elas ganham muito mais peso e temos que ter muito mais responsabilidade para com nossas vontades. Isso que vou fazer, estou certo disso? Será que vou querer que isso se repita para todo o sempre?</p>
<p style="text-align: justify">Só que como instrumento, como &#8220;exercício&#8221; da &#8220;doutrina de salvação&#8221; o eterno retorno faz muito mais sentido como um exercício retroativo, de avaliação da vida &#8212; principalmente quando você junta à coisa toda o <em>Amor Fati</em>. Já voltamos a esse ponto&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">O <em>amor fati</em> é o amor ao destino, o que o livro trata erroneamente como a resignação estóica / budista de se contentar com as coisas como estão, de amar a todas as coisas de qualquer forma que sejam, de amar a vida sem querer transformá-la, etc. Sim, é certo que transformar a vida é de certa forma um <em>julgamento</em> da vida, mas essa ideia de resignação não é a única interpretação do <em>amor fati</em> e está longe de ser a mais digna. Essa é minha segunda insatisfação com o livro:</p>
<p style="text-align: justify">Voltemos ao Eterno Retorno: ao olharmos pra trás nas nossas vidas vamos ver coisas boas e, certamente, coisas ruins. Muitas pessoas se recusariam à proposta de viver tudo novamente porque <em>não querem repetir também as coisas ruins</em>; e é com <em>isso</em> que o <em>amor fati</em> tem a ver. Ni não foi <strong>particular </strong>e <strong>individual</strong>, foi <strong>universal</strong> nas suas observações: não se trata de aprovar e amar todo e qualquer momento de <em>uma</em> vida, mas amar a <strong>natureza</strong> d<strong>A</strong> <strong>V</strong>ida, que contém o prazeiroso e o doloroso&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">&#8230; E, de forma certamente não-análoga, o dionisíaco e o apolíneo.</p>
<p style="text-align: justify">E <strong>também</strong> o socrático, de certa forma, embora na parte de Ética o livro conte sobre o tal &#8220;Grande Estilo&#8221;, que é como Nietzsche via a melhor forma de se proceder: submetendo o impulso socrático aos artísticos, e não o contrário.</p>
<p style="text-align: justify">Será que Luc Ferry leu as considerações de Nietzsche sobre o budismo? A comparação que faz com o cristianismo em um aforismo do qual não me recordo agora é brilhante. Ni <strong>não</strong> era budista e seu amor fati <strong>não</strong> era, como afirma o livro, uma questão de &#8220;esquecer o passado e o futuro&#8221; e se concentrar no presente. Não, de forma alguma: os budistas pregavam o desapego, mas isso para Ni <strong>também </strong>era um ideal, era antinatural: aceitar a vida, o <em>amor fati</em>, é reconhecer que as coisas são assim, nós nos apegamos ao que amamos e, quando as coisas ou as pessoas se vão, nós sofremos. Amor fati é amar <strong>tudo</strong>, inclusive a essa dor, não deixando escapar nada e reconhecendo que, se fosse pra viver tudo de novo, então que se foda! A vida é maravilhosa e merece ser vivida mesmo que for pra viver de novo as partes ruins &#8212; e <em>ainda</em> que as partes ruins sejam predominantes!</p>
<p style="text-align: justify">Essas foram basicamente minhas frustrações quanto ao que foi postulado acerca de Ni nesse livro. Ele também insiste em dizer que Ni foi base para o nazismo, de certa forma involuntária &#8212; porque os nazis de certo nunca leram Ecce Homo, livro em que mais de uma vez Ni <strong>despreza</strong> os alemães e eleva o espírito judeu.</p>
<p style="text-align: justify">Outra coisa que achei muito curiosa foi o que ele dizia depois já, em outro capítulo. Deixa eu ver se acho aqui&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">É, não achei. Mas enfim, Ni falava bastante também sobre o seu tal &#8220;Super-homem&#8221;, que significa romper com todos os ideais e criar novos. As críticas que Ni encontra nesse livro do Ferry, mais pro final, é que de certa forma não há como escapar de certo idealismo, e que mesmo a busca pela vida como força maior e acima de qualquer ideal, isso mesmo tornaria-se um ideal &#8212; certamente, oras! Ni mesmo dizia que o rompimento com os velhos ideais culminaria na criação de novos, e que depois seriam derrubados e por aí vai. Aí se contempla mais uma vez a liberdade no contexto nietzscheano, e se vê que o <em>amor fati</em> nada tem a ver com resignação ou uma vontade de querer parar o tempo, de querer que nada mais mude.</p>
<p style="text-align: justify">Talvez essa interpretação seja contraditória ou mesmo otimista demais em relação às ideias de Ni? Quem sabe &#8212; eu não conheci Nietzsche pessoalmente pra ir lá perguntar pra ele o que ele acha. Provavelmente isso tudo seja mais uma mistura de muita coisa que Ni disse com meu próprio background cultural, discordiano e anarquista. Quem sabe?</p>
<h2 style="text-align: justify">Discordianismo</h2>
<p>Também gostei de pensar no discordianismo dentro do livro. Como Luc o trataria? Sua teoria e sua doutrina de salvação estão pra mim relativamente claras (tanto quanto é possível que sejam), mas como seria a ética discordiana?</p>
<p>Hmmm&#8230;</p>
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		<title>Limpando a Agenda</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 18:23:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Meu pai tem o mesmo celular desde quase o século passado. Agora está finalmente quase se tornando inutilizável e ele comprou um novo. Ele deseja que eu passe a agenda de telefones do velho para o novo &#8212; o que vou fazer, ainda que aos poucos &#8212; e, para facilitar a tarefa, ele via &#8220;limpando&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu pai tem o mesmo celular desde quase o século passado. Agora está finalmente quase se tornando inutilizável e ele comprou um novo. Ele deseja que eu passe a agenda de telefones do velho para o novo &#8212; o que vou fazer, ainda que aos poucos &#8212; e, para facilitar a tarefa, ele via &#8220;limpando&#8221; a agenda, tirando os números que não precisa passar pra lá.</p>
<p>É engraçada essa tarefa. Ela é quase uma atividade espiritual de renovação, se bem aproveitada. É como arrumar o quarto &#8212; tirar um pôster da porta do armário é mais do que limpeza visual, é deixar pra lá o passado que não faz mais parte de você.</p>
<p>Ao limpar a agenda você vai mantendo as pessoas que importam pra você, vai lembrando que algumas outras existem, e vai percebendo também quanta gente têm importância temporária na nossa vida.</p>
<p>&#8220;Ô Peterson! Sabe quem é Vanessa?&#8221;</p>
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		<title>Orkutcídio Apresenta: Macarrão com Linguiça</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 00:32:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[culinária]]></category>
		<category><![CDATA[macarrão]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, olá! Esta aqui provavelmente deve ser o primeiro post culinário do Orkutcídio &#8212; bom, na verdade, teve um antes declarando que o feijão da mãe da Aline era uma comida discordiana da mais alta classe, só que não era uma receita. Este post, contudo, vai ensinar vocês a fazer o macarrão com linguiça, receita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, olá! Esta aqui provavelmente deve ser o primeiro post culinário do Orkutcídio &#8212; bom, na verdade, teve um antes declarando que o feijão da mãe da Aline era uma comida discordiana da mais alta classe, só que não era uma receita. Este post, contudo, vai ensinar vocês a fazer o macarrão com linguiça, receita tradicional aqui em casa. É muito simples e o resultado é&#8230; Bem, é uma delícia =)</p>
<p>Vamos ao que você vai precisar, los <strong>ingredientes</strong>:</p>
<p>- Uma linguiça pura (meu pai não sabe o nome desse tipo de linguiça, mas não é aquela de churrasco, é mais ou menos <a href="http://1.bp.blogspot.com/_K9bb6p-uCxI/SXi4uYq5RZI/AAAAAAAAAK8/8VrnKA4LlKY/s400/lingui%C3%A7a.jpg" target="_blank">esse tipo</a>). A marca que a gente recomenda é a <strong>Blumenau</strong> ou a <strong>Olho</strong>, mas não sei se dá pra achar isso por aí em São Paulo, @evandrocesar.</p>
<p>- Um tomate grande</p>
<p>- Azeite</p>
<p>- Cebola grande</p>
<p>- 3 Dentes de Alho</p>
<p>- Massa de Tomate</p>
<p>- Orégano, Sal, molho Shoyu, Azeitona, Açúcar, Salsinha (esses são opcionais)</p>
<p><strong>Comofas/</strong></p>
<p>Tire a pele da linguiça, pique a coitada e jogue numa panela com um pouquinho de azeite.</p>
<p>Depois de um tempo, escorra a gordura (tire o líquido na panela, deixe só a linguiça mesmo) e adicione à panela uma cebola grande cortada em fatias, mais um pouco de azeite e três dentes de alho picados.</p>
<p>Deixe fritar até a cebola ficar transparente &#8212; em fogo médio isso dá mais ou menos (principalmente <strong>menos</strong>) uns cinco minutos. É rápido mesmo, ela entra na panela branca e logo logo já perde a cor e fica transparente.</p>
<p>Depois colocar o tomate grande picado na festa e, mais depois, duas colheres de sopa de massa de tomate. Vá misturando tudo até o molho ficar grossinho, não aquela coisa muito molhada e tal. Se ainda ficar seco demais dá pra botar meia-xícara de água pra consertar.</p>
<p>E aí&#8230; Está praticamente pronto! Agora é hora de botar os opcionais: azeitona picada, orégano, e molho shoyu &#8212; tudo a gosto! Depois disso aí é hora de provar.</p>
<p>Se não estiver bom quanto ao sal, adicione um tanto até ficar certo.</p>
<p>Se o molho ficar ainda um pouquinho &#8220;azedo&#8221; (na verdade mesmo, ácido), bote uma colher de chá de açúcar pra compensar.</p>
<p>Agora é botar em cima do macarrão e, pra deixar bonito, pôr um pouco de salsinha por cima (que é opcional também, é claro).</p>
<p>E aí&#8230; <strong>Pronto!</strong> =)</p>
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		<title>A Nova Acrópole e o Iaido</title>
		<link>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2010/04/11/a-nova-acropole-e-o-iaido/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2010 00:48:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Trivialidades]]></category>
		<category><![CDATA[artes marciais]]></category>
		<category><![CDATA[espadas]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[iaido]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma amiga minha me convidou há umas duas ou três semanas para ir com ela a uma conferência sobre filosofia no centro. Falei well, tudo bem, vambora &#8212; ainda mais considerando que era uma terça e nesse dia não trabalho[ava]. Era ainda feriado em Florianópolis, mas a conferência ainda aconteceria.
Quando chegamos no local percebemos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Uma amiga minha me convidou há umas duas ou três semanas para ir com ela a uma conferência sobre filosofia no centro. Falei well, tudo bem, vambora &#8212; ainda mais considerando que era uma terça e nesse dia não trabalho[ava]. Era ainda feriado em Florianópolis, mas a conferência ainda aconteceria.</p>
<p style="text-align: justify">Quando chegamos no local percebemos que na verdade não era bem uma conferência, mas sim a aula inaugural de um curso de filosofia à moda clássica, e o lugar era uma associação cultural chamada Nova Acrópole &#8212; dedicada ao ensino e disseminação da filosofia.</p>
<p style="text-align: justify">Como chegamos cedo demos uma passeada pela escola, que tem uns dois andares e várias salas e espaços interessantes. Um laboratório de informática, uma biblioteca, um espaço pra confraternização, e também um <em>dojo</em> para a prática de artes marciais.</p>
<p style="text-align: justify">Ficamos intrigados. Ora, artes marciais? Luciana, a mulher que nos guiou pela associação, explicou que a associação, que é internacional, possui certas &#8220;extensões&#8221; &#8212; pessoas interessadas em outros assuntos que não <em>diretamente</em> a filosofia podem criar núcleos de estudo desde que tenha <em>algo</em> a ver com a filosofia. A associação, por exemplo, possui um centro de artes plásticas, e outras pelo mundo possuem um centro de medicina, e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify">Um desses centros é um de artes marciais (não lembro o nome, acho que é algo como Budi Darma, imagino que escrito de forma diferente) e aqui em Floripa duas artes marciais são praticadas: o Neikun e o Iaido.</p>
<p style="text-align: justify">Eu fiquei interessado no Iaido: é uma arte originada dos samurais japonesas, e é, na definição mais simples do <a href="http://www.iaido.org/" target="_blank">site em inglês</a> (em tradução livre), &#8220;a arte de reagir a um ataque surpresa ao contra-atacar com uma espada&#8221;, que no caso é uma katana.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="text-decoration: underline"><strong>Cool</strong></span>, isn&#8217;t it?</p>
<p style="text-align: justify">A explicação fica ainda mais legal: &#8220;O Iaidoka (praticante de Iaido) usa uma espada: não para controlar o oponente, mas para controlar a si mesmo. Iaido é geralmente praticado de forma solitária numa série de <em>Waza</em>s. O Iaidoka executa várias técnicas contra um ou vários inimigos imaginários. Cada Waza começa e termina com a espada na bainha. [...]  Para praticar de forma correta o Waza, o Iaidoka precisa aprender postura e movimento, força, controle do corpo. Iaido nunca é praticado de forma improvisada&#8221;</p>
<p style="text-align: justify">Achei muito interessante. Nunca fui de artes marciais &#8212; nem de esportes ou coisas do gênero &#8212; mas sempre tive fascínio por lutas com instrumentos: espadas, escudos, lanças (embora menos nesse último caso) e em todas as épocas: desde as lutas medievais passando pelas gregas tipo as do filme Tróia até esgrima, espadas japonesas (ah, Kill Bill&#8230;) e os sabres de luz de Star Wars&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">Então quem sabe não valesse à pena?</p>
<p style="text-align: justify">A descrição continua, saca só: &#8220;O Iadoka se prepara para um ataque surpresa, onde uma solução imediata e eficiente [...] é necessária. Assim, a técnica é altamente refinada. Nenhum movimento desnecessário é feito. A técnica é simples e direta. O método de treinamento é voltado para o desenvolvimento de todo recurso físico e mental do praticante.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify">Achei tudo muito interessante e voltei lá para dizer que não estava interessado no curso de filosofia (coisa que já tinha dito antes de sair de lá naquele dia, actually) porque filosofia é uma coisa que estudo e gosto desde pequeno. E, além disso, a filosofia grega de depois do Sócrates é a que eu menos gosto &#8212; sim, sim, é influência do bigode, mas o que posso fazer se concordo com ele? Sócrates era mais discordiano, mas ao mesmo tempo gerou toda a tradição racionalista; Platão era um babaca, Aristóteles era escravocrata e sexista. Disseram muita coisa interessante, certamente, mas se eu fizesse o curso estaria indo não pra discutir seus méritos, estaria indo pra <strong>ouvir</strong> sobre eles. É um <strong>curso</strong>. E é um curso voltado para a aplicação das filosofias deles na vida real. Tem lá uma matéria de política &#8212; cara, eu sou anarquista, não gosto desse negócio de representatividade. Eu não quero ir lá pra ficar discutindo e subvertendo o propósito da aula. É sacanagem para com os outros alunos, por exemplo. É como ir  como aluno pra aula de inglês começando a questionar o método usado e começar a querer mudar tudo&#8230; Como eu disse pra @nanoluh: prevejo irritações e frustrações.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Contudo</strong>, o Iaido é legal. Fui assistir a uma aula na quinta-feira, e eu gostei bastante. No início da aula foi feito uma meditação: pretende-se atingir um estado de calma e concentração que, segundo a professora, deveria se tentar manter ao longo da aula (esse site que indiquei explica que uma vez no <em>dojo</em>, durante a aula, nenhum outro assunto pode ser discutido). Depois começou a série de Waza, em que os alunos praticavam a sequência de golpes contra o adversário imaginário. O Waza que eu assisti consistia num ataque de alguém pela direita que acontecia enquanto eles estavam sentados. A professora também perguntava, ao final de uma série, o que eles queriam fazer melhor na sequência deles, e explicava como deveria ser feito, pedindo que eles se concentrassem na melhoria daquele ponto.</p>
<p style="text-align: justify">De uma forma ou de outra, fiquei com vontade de começar. Mas a professora me disse que, sendo uma extensão do curso de filosofia, não era uma opção fazer só o Iaido, e não fazer o curso. Fiquei &#8220;nhééééém que meeeerda&#8221; e agora já não sei ao certo o que fazer. Pagar pra ver se no fim das contas o curso vai se provar uma perda de tempo, ou desistir <em>altogether</em>?</p>
<p style="text-align: justify">Não sei. Ainda não me decidi&#8230;</p>
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		<title>Iniciando uma Discussão</title>
		<link>http://orkutcidio.deliriocoletivo.org/2010/03/09/iniciando-uma-discussao/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 03:14:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Espaçoporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pra pensar]]></category>
		<category><![CDATA[conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[idéia]]></category>

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		<description><![CDATA[Nas antigas eu fiz um post imaginando o que seria uma boa escola pra mim. Eu apaguei o post porque queria atualizá-lo, modificá-lo, mas mesmo hoje deixei aquela ideia um pouco de lado, mas não sei ainda o que favorecer.
Esse ano quero fazer visitas a escolas. A Amanamanhã, o colégio Autonomia daqui de Floripa, enfim; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Nas antigas eu fiz um post imaginando o que seria uma boa escola pra mim. Eu apaguei o post porque queria atualizá-lo, modificá-lo, mas mesmo hoje deixei aquela ideia um pouco de lado, mas não sei ainda o que favorecer.</p>
<p style="text-align: justify">Esse ano quero fazer visitas a escolas. A Amanamanhã, o colégio Autonomia daqui de Floripa, enfim; buscar esses projetos de educação alternativa e ver como exatamente é a proposta de cada um deles.</p>
<p style="text-align: justify">Eu quero, contudo, saber a opinião de vocês. Não pensem na escola como ela é hoje, pensem no que ela representa e como ela poderia ser para melhor representar esses ideais de conhecimento. Na verdade, podemos voltar um pouco mais e duvidar mesmo do princípio: deveria a escola ser responsável por, de alguma forma, <em>sabedoria</em>?</p>
<p style="text-align: justify">Na minha opinião &#8212; e dessa vez não vai ser algo extenso e detalhado &#8212; a escola não deveria ser um lugar em que as pessoas vão pra <em>adquirir </em>conhecimento. Muita gente fazendo isso ao mesmo tempo leva irremediavelmente ao único jeito de organizar a coisa toda: educação em massa. E isso simplesmente não dá certo. Veja bem, não é que não possa ser feito &#8212; <strong>é</strong> o que <strong>é feito</strong> atualmente &#8212; é que simplesmente não dá certo, porque o conhecimento cabe em cada de um nós de forma diferente,  e ao despersonalizar o ensino tanto o conteúdo perde (muitas coisas que são ensinadas são na verdade apenas &#8220;adaptações&#8221; de como as coisas realmente são) quanto o aluno (que ou já sabe o que está sendo ensinado e perde tempo na aula, ou não consegue entender e perde tempo tendo que estudar algo que simplesmente ou não será útil ou não é de seu agrado), e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify">Então o que a escola deveria ser? Um lugar não tido como o lugar para <em>adquirir</em> conhecimento, mas para encontrar <em>ferramentas </em>para tal, como um ponto de referência, e também um lugar para <em>validar </em>o conhecimento. De certa forma, a questão das ferramentas é um fato em muitas escolas. Bibliotecas, computadores, professores disponíveis. Escolas, entretanto, seriam tipo universidades: teriam <strong>a </strong>biblioteca, não qualquer uma. E, bem, o diploma do ensino médio diz que a pessoa sabe tudo que ela deveria saber, mas é na verdade uma grande mentira.</p>
<p style="text-align: justify">Acho que a aquisição de conhecimento deveria acontecer <em>fora</em> da escola. Os professores deveriam orientar material pra ler, laboratórios ou locais de trabalho pra visitar, tirar dúvidas quando elas aparecessem, indicar outras pessoas com os mesmos interesses pra que o grupo possa construir um conhecimento específico juntos (escola funcionando como um <em>hub</em>) <strong>e</strong> então quando o pessoal que está estudando algo estivesse seguro do que aprendeu, preparariam algum tipo de apresentação ou trabalho para outros professores &#8212; que não estiveram envolvidos no processo anteriormente &#8212; para que estes possam dizer &#8220;ok, eles realmente sabem o que estão falando e eu dou esse diploma-exemplo que diz que eles aprenderam a somar 1 mais 1&#8243;.</p>
<p style="text-align: justify">O título é &#8220;<strong>iniciando uma discussão</strong>&#8221; (<em>hopefully</em>) porque quero saber: o que <em>vocês</em> acham que deveria ser a escola?</p>
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