E também o assassinato de outros deuses
RSS icon Home icon
  • Like This…

    Postado em 46 de Discórdia de 3176 YOLD , às 5:04:21 Peterson Espaçoporto View Comments

  • Entre o fantástico e o simbólico

    Postado em 25 de Discórdia de 3174 YOLD , às 7:12:19 Peterson Espaçoporto View Comments

    Tim Burton é um diretor fantástico. Mas além dos filmes que faz, ele também escreve, e escreve muito bem, por sinal.

    No livro “O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra”, os desenhos são vívidos, intensos, marcantes; as rimas por vezes não existem ou fazem o ritmo da poesia mudar, o que combina de forma elegante com a história.

    Estas, “combinando a doçura e a tragédia da vida”, como disse Felipe Barcinski no livro, são viagens artísticas do mais alto nível, e que ainda te deixam entre dois mundos. Você se emociona, ainda que as situações sejam bizarras, mas também aceita o desafio intelectual de compreender algum simbolismo por detrás delas, alguns às vezes provocativos, desses que chamam com voz doce o senso investigativo, como o bebê âncora. E, afinal, o que significa ter um filho com o forno microondas???

    Entre o simbolismo e a fantasia. Assim vive a criatividade estupenda de Tim Burton. Os temas do livro geralmente são a busca por aceitação e adequação (personagens que sentem-se tristes e distantes por serem diferentes), a filiação (nunca conheci alguém que colocasse de forma tão brilhante no papel o que eu acho sobre ter filhos), a inevitabilidade da morte, e principalmente os prazeres solitários dos personagens sempre tão cheios de marcas, lutas, pesares, conflitos internos – que se mostram, sem pudor para o leitor, com uma sinceridade que escapa com suspiros de liberdade dos estereótipos de consciência romântica. Um sorriso desenhado nesse livro faz você se sentir bem, em paz, com uma alegria inenarravel e até bobinha; uma sensação leve, simples e poderosa – muito melhor do que as extravagâncias do romantismo.

    Tenho pra mim agora um pequeno desafio: entrar na mente de Tim Burton. Mergulhar em seus tormentos, tão expressados na sua obra – entender tacitamente o que ele quer dizer e mostrar. Vou baixar seus filmes, saber de suas idéias e opiniões.

    Mas isso, claro, quando eu tiver mais tempo livre…


    Creative Commons License photo credit: Daniel Pedrosa

  • “Na busca pela riqueza, criamos algo que vai nos destruir”

    Postado em 72 de Burocracia de 3173 YOLD , às 4:54:54 Peterson Espaçoporto View Comments

    Essa frase não é nada incomum. Hoje vi o documentário “The Corporation”. Confesso que não sou um dos primeiros, mas também não sou o último. É um documentário excelente, e é muito bem feito.

    Uma vez eu ouvi ou li em algum lugar que ele, paradoxalmente, é um dos documentários mais adorados pelos capitalistas, mas… COMO? Como isso é possível?

    Talvez seja só a cara de pau mesmo.

    Mas continuando, o filme é de fato muito bom. Mostram como eles não podem ser encarados como uma pessoa, uma vez que não tem consciência, não tem corpo, não tem preocupação nenhuma. Eles são simplesmente imortais, gigantes de aço. Seguir ou não leis ou determinações que a sociedade define é apenas uma decisão comercial, nada mais.

    Uma frase interessante do filme (dentre várias) é quando um dos entrevistados (aliás, que entrevistados! Entre eles constam Noam Chomsky, Naomi Klein e Howard Zinn) solta a seguinte frase:

    “Mesmo alguém vivendo sob uma árvore depende do apoio de alguém”

    Nessa mesma hora me vieram à mente Hakim Bey, Max Stirner, a Seminovosofia… Esse é o problema. Uma vez, em uma discussão político-econômico-social com meu irmão, eu disse que eu não sabia se o anarquismo daria certo ou não; o que eu sabia, e ainda sei, é que o capitalismo com certeza não dá certo e não dará jamais. Isso porque os ricos precisam dos pobres (compreendendo os “pobres” de diversas maneiras, desde os menos favorecidos até os miseráveis). É uma necessidade, é uma premissa sine qua non do capitalismo. Isso, é claro, por diversas razões, não apenas uma.

    Agora o erro mais comum é diferenciar corporação de Estado: como diz o Princípia, “você descobrirá que o Estado é uma instituição que não só faz grandes cagadas, como faz pequenas cagadas também”. É certo que o Estado é uma instituição com um objetivo diferente daquele da Corporação – mas será que o defeito da Corporação reside na sua estrutura canalizada para o lucro? Será que não é porque ela é feita de humanos? Toda essa estrutura de hierarquia, de poder, de representativade… É um engodo. Como diria Milton Friedman, “eu não acredito na democracia”.

    Quando se volta os olhos para o perigo da Corporação, é preciso tomar ainda mais cuidado com o perigo do Estado.