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Texto em Resposta a Arnaldo Jabor, ainda que ele não vá ler isto de qualquer forma.
Postado em 29 de Caos de 3176 YOLD , às 4:59:72 CommentsO @Bonfatti twittou agora há pouco um texto sobre a crítica de Arnaldo Jabor à internet e às mídias sociais como Orkut, Twitter, etc. O texto todo está disponível aqui, e eu gostaria de dizer algumas palavrinhas quanto a ele.
Ele diz que não gosta da internet e da revolução digital porque ela faz com que as idiotices se aflorem; que antes, os “burros” ficavam guardando sua burrice pra si, mas agora ganharam nova voz e a terra torna-se um campo para libertar os desconhecimentos e os vazios conceituais. Também diz que a revolução digital é uma das coisas mais importantes dos últimos tempos, mas ainda assim não vê com bons olhos tudo isso.
E aí vem a cherry on top*:
Jamais farei um blog (…)
O que eu quero dizer é o seguinte: em primeiro lugar, burros não são burros. É claro que as pessoas possuem aptidões diversas e às vezes o intelecto deixa um pouco (ou um muito) a desejar, mas também é verdade que eu não acredito na imutabilidade das espécies — nem considerando a biologia nem considerando humanos.
Burros, burros mesmo, seriam aqueles que provavelmente continuariam assim durante toda a vida em decorrência do pouco (ou praticamente zero se voltarmos bastante pra, sei lá, idade média) contato que o indivíduo tinha com outras ideias, com outras teorias, com outras visões de mundo; coisa que a internet proporciona. É verdade que muito ali é lixo e muitos não aproveitam essa oportunidade, mas achar que não vale à pena fazer parte disso por causa da parte ruim? A internet é grande o suficiente para que os filtros que colocamos ao usá-la nos permitam entrar em contato apenas com coisas que nos interessem. Essa ferramenta de interesse pode nos ajudar a descobrir novos livros, novos filmes, novas músicas, novas obras de arte — que estão confinadas na internet ou não. É a internet a serviço da vida real, porque se não sua existência não faria sentido, sinceramente.
Em segundo lugar, jamais farei um blog. Um blog é mais um meio, como jornais, revistas, TV. Você diz que já fala o suficiente por eles, mas o feedback que você ganha com seus textos por esses meios é lento, indireto, e não é compartilhado com outros leitores, que poderiam se beneficiar de uma eventual discussão sobre o tema. Não vou ficar elogiando o quão diferente (pra melhor) eu acredio que os blogs enquanto meio de memes são, acho isso desnecessário, devem haver centenas de sites explicando isso. É uma pena que o Arnaldo Jabor seja burro pra misturar as coisas de maneira tão tola; ter um blog é uma experiência que extende a experiência intelectual de escrever um texto, de expor uma ideia, de maneira fantástica. Ah, e pior, é um burro que fica aí, deitando falação…
Em terceiro lugar, por acaso ele conhece a LTCAM e o caso da taxa de lixo em Manaus? Pois é, a internet me fez conhecer isso — eu, que estou em SC — mas na verdade o que está sendo importante é a ação deles para o esclarecimento do povo de lá. Disso e de várias outras ações para o qual esse MEIO — porque é só um meio, minhéris — pode ser usado, ele não fala. Mas acha que quando as pessoas o usam pra entretenimento estão se iludindo, caindo no ostracismo político.
Em quarto lugar, ele diz o seguinte:
Ou seja: admiram-me pelo que eu teria de pior; sou amado pelo que não escrevi. Na internet, eu sou machista, gay, idiota, corno e fascista. É bonito isso?
No calor do momento, nervoso pelos textos falsos que atribuem a ele, ele esquece que há quem goste dos textos que ele realmente escreve. Acha que a internet está arruinando sua carreira, mas se seus biógrafos forem sérios não vão deixar cair na tentação de textos apócrifos; pesquisas sérias vão ver que o texto não é dele se não estiver em algum jornal para o qual ele trabalhava, etc.
Agora, tem uma coisa: eu duvido que algumas pessoas, provavelmente que não o conhecem bem, já não o tenham chamado de machista, de gay, de idiota, de corno, de fascista, na vida real. Como se na vida real ele pudesse escapar das diversas interpretações de seus atos.
E outra: as pessoas que me conhecem sabem onde me encontrar. Sabem do meu blog, sabem do meu twitter, e por aí vai. Se saísse algum texto meu na internet, eu simplesmente diria que não é meu. É fácil encontrar meus canais “oficiais” na internet. Se ele possuísse tal identidade digital, seria um pouco mais simples desfazer essas ambiguidades. Concordo com ele quando ele diz que isso não é legal e que o anonimato dá chance pra alguns tipinhos problemáticos fazerem coisas ruins. Eu não também não gosto desse anonimato. Desse de colocar “anônimo” na hora de postar em blogs ou do tipo que faz perguntas no formspring. Jabor, contudo, exagerou no momento da raiva.
A frase que resume bem o que ele quis dizer é essa: “Eu gosto do passado”. É uma pena, Jabor. Eu também gosto de algumas coisas do passado. Mas o que você disse é apenas uma generalização equivocada.
* Eu não tirei a frase de contexto. Foi exatamente o que ele quis dizer.
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Thiago Ingo Klock
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