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É o número inversamente proporcional à qualidade?
Postado em 47 de Discórdia de 3175 YOLD , às 9:58:68 View CommentsAlguém mais já pensou se o mundo seria diferente se tivéssemos uma humanidade menor? I mean, OBVIAMENTE o mundo seria diferente – se tivéssemos uns, sei lá, 50 mil habitantes humanos não modificaríamos tanto assim o ambiente, mas o que quero dizer é, o que mudaria na psicologia das pessoas?
Será que teríamos mais pessoas politicamente conscientes (é claro que estou ignorando uma pergunta necessariamente anterior, que é “como seria a política?)? O grande problema que se vê hoje em dia – e não só na política – é o “grande fator da irrelevância”. Muitas pessoas, usando isso como desculpa ou vendo como razão, não se motivam a fazer mais coisa alguma, pois valem-se do monstruoso número de pessoas no nosso planeta pra dizer que seria irrelevante. “Ah, que diferença faz, só eu”. E, bem, é verdade, se você pensar com uma visão bem estreita e imediata. Que diferença faz? Num mundo de, porra, 6 BILHÕES de pessoas que diferença faz uma coisinha aqui ou ali…
O fator de irrelevância é um tipo de máquina perfeita da física, pois fornece energia pro próprio trabalho. Veja, por causa do número de pessoas no planeta, temos mais evidentes – e em maior número, embora não necessariamente em maior proporção – as “falhas” humanas, e isso gera um certo pessimismo. “Ah, pra que fazer isso, todo mundo faz errado, isso nunca vai dar certo”. A questão é que se cada um se preocupasse em fazer certo, assim, ao mesmo tempo, então logo teríamos mais ninguém que fizesse isso.
Só que mesmo com a internet e meios de comunicação e etc, as coisas demoram a acontecer e tomar conta. Vou repetir, 6 BILHÕES! E disso uma porção minúscula tem acesso à internet, por exemplo. Agora, se tivéssemos umas 50 mil pessoas no mundo, imagine a diferença que isso poderia fazer. Você não tem mais 6 bilhões de pessoas pra culpar. Você tem umas 50 mil, e existem cidadezinhas de 50 mil pessoas que é mais ou menos aquela coisa de “todo mundo se conhece”, então, bem, as coisas poderiam acabar dando mais certo. Não haveria mais fator de irrelevância. Ou seria bem, bem menor.
Além disso, será que teríamos mudança nos “padrões” também? Nos desejos, nos modelos de realidade “na prática”? Veja, aqui acho que atua o tal fator de irrelevância. Bem, o nome dele não teria muito a ver com esse caso, mas a explicação é a mesma. É muita gente, num mundo grande demais: imaginar que existem pessoas e situações perfeitas é muito fácil. Um off pra tentar explicar a situação:
Ouvi dizer em algum lugar – acho que li na Wikipédia – que havia um estudioso de religiões comparadas que dizia que na Idade Média, por exemplo, não existia fanatismo religioso (no sentido da teoria de religião; da interpretação da religião). A coisa começou quando a ciência foi envergonhando cada vez mais os cléricos ao expor, com argumentos, as besteiras que eles queriam tanto manter pra benefício próprio. Bem, saindo dos clérigos e indo pras massas; a ciência e o positivismo influenciaram muito o mundo moderno, de forma que a religião, ainda importante na cultura brasileira, por exemplo, teve que se adaptar à ciência: ou seja, como não queriam abandonar, ficam tentando explicar as coisas que antes sabiam ser simbólicas na realidade fatual – tentam ver aquilo que está na bíblia como verdade científica, não como alegoria.
Não sei se concordo com isso, mas dá pra fazer uma analogia: deseja-se que existam coisas perfeitas. Mas não existem. E se tivéssemos apenas uma realidade próxima pra trabalhar com, veríamos que isso se verifica; mas o que dá pra fazer é tentar achar uma brecha da realidade pra se agarrar à fantasia: como não ter a sensação de que, sim, é possível encontrar algo perfeito, num mundo tão grande? Conhecemos tão pouco do mundo!
E vocês, o que acham?
blog comments powered by Disqus14 responses to “É o número inversamente proporcional à qualidade?”

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Eu acho irrelevante.
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Muito interessante, em especiall a parte final do fanatismo religioso.
Acredito que as coisas seriam diferentes sim. E provavelmente melhores… Tem a ver com “se sentir importante”.
Talve comparar São Paulo a uma cidade menor seja semelhante. Aqui as pessoas andam fechadas, tem medo de todos e não dão a mínima pra cidade porque se sente muito pequenas dentro dela. Porque são quase 20 milhões de habitantes, elas não conhecem quem elas encontram na rua.
Se fossem 20 mil seria uma dessas cidadezinhas onde todos se conhecem e acho que dariam mais valor a cidade, preservariam ela, porque se veriam mais importantes, se veriam como parte da cidade e não como uma formiguinha que vive na cidade.
Enfim, post interessante.
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Tiago, excelente comentário, e… Carol… Bem lembrado… hehehe… =P
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pra ter uma noção de como poderia ser isso, Gaia com 55,23mil pessoinhas, tem o hq, o desenho e o filme da AEON FLUX.
pra mim veio,
o numero é inversamente proporcional a qualidade porque irremediavelmente o parametro varia com o número.
é como se a repetição tornasse a coisa repetida cada vez mais invisivel.
no caso, as caracteristicas da sociedade.
o n° de estupros, assassinatos, babáries, currupção, desastres, guerras e outros são números que a tanto tempo são “baixos” que mal se percebe isso.
o que quero dizer é que vieram mais coisas legais com essa vila global que com os caçadores coletores. com excessao da DOMINAÇÃO pelo mais poderoso.(o que pode nos levar a outro assunto interessante, a degradação dos sentidos e do raciocínio ordinário pela saturação de estímulos e de informação)
pq se o número fosse o elemento que fizesse a diferença, cara, Gaia tem lotação de 9bilhões de homo sapiens sapiens. creio que o elemento decisivo seja a questão do dominador x dominado, da pirâmide e dessas coisas que dão à 3% da população mundial 50% de todas as riquezas e a outro 50% da populaçao 3% das riquezas
o fator “introspecção” do super povoamento é UMA forma de lidar com isso. e uma forma IMPOSTA subjetivamente por Eles.
nooossa, tuudo isso ta meio sem nexo nea?
sei la, é queu acabei de vir da aula de yoga e to aqui viajaando.. =D -
salix maio 9th, 2009 às 20:20
Peterson, você se perdeu amargamente. Parecia que ia prá lá, depois fez que vinha prá cá e terminou caindo janela abaixo.
Mas vou tomar como central a questão da irrelevância.Havia escrito um comentário aplaudível, mas rolou uma sabotagem laptopial.
Pense em grêmios, DAs, povo do baba, da sua casa.
Quantas vezes uns se omitem por estar certos de que outros tomarão a frente, ou justamente por não ver ninguém agir?
Nenhum dos coletivos citados soma sequer centenas de gentes. Imagine um com a meia centena de milhar que você queria sobre esta Terra.Mas há uma esperança: se estivermos falando de 50 mil sobreviventes sobre a Terra, que experienciaram um holocausto nuclear, um cataclisma titânico ou outro desses eventos avassaladores que tenha deixado marcada nas carnes dos sobreviventes uma noção sólida de interdependência e de co-laboração, é possível que a idéia de irrelevância das pequenas ações fique esmaecida e talvez até suma.
Se for aleatório o processo, agora, e você, divindade máxima da prevalência, escolher por afinidade os 50 mil que ficam e evaporar os demais 5 bi e 999 mi e 950 mil, o mais provável é que esse grupo seja estatisticamente representativo dos tipos de gentes que hoje andam pela terra, sobretudo o tipo GENTE.Se é que você me entende. Estamos falando do sonho de um homem ridículo all along.
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Fato que iamos ter muito mais dificuldade pra encontrar mulher…abhuauahuahauhauha
Mas falando sério: antes 6 bilhões de desconhecidos, do que 50 mil de desconhecidos… Assim eu tenho 6 bilhões de chances de fazer a diferença pras pessoas, do que 50 mil. 50 mil seria muito cruel.
:XAinda bem que nosso mundo está assim.
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Precisei ler duas vezes mas eu “peguei” o sentido da coisa aeheahaEheahaeheA e concordo com você.
Mas será que mesmo que tivéssemos um sistema sócio-econômico diferente o “fator indeferença” não seria o mesmo?
Será que é possível ter um sistema sócio-econômico diferente comportando toda essa gente?
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eita nós, salix =)
Veja bem, realmente, se reduzirmos proporcionalmente até 50 mil e tal e colocar no mesmo lugar etc, é, talvez não tenhamos muitos avanços. E, de fato, o mesmo comportamento ocorre em lugares pequenos.
Mas observe que tais comportamentos dependem da personalidade da pessoa – personalidade essa que está sempre em transformação e etc mas, em geral, é uma boa soma das experiências do passado da pessoa. E, durante o passado, ela teve contato, quando criança, com essa questão do mundo ser grande demais, além dos próprios pais já terem esse ‘fator indiferença’. Mas se as pessoas “crescessem” num ambiente diferente, menor? Vamos eliminar também a influência dos pais pensando não apenas no “e se de repente…” mas reinterpretando toda a história da humanidade, readaptando-a pra essa dimensão menor – ou seja, os pais já tendo crescido nesse ambiente muito menor, e as crianças crescendo assim. Será que não faria diferença?
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Gepeto maio 1st, 2009 às 18:26