E também o assassinato de outros deuses
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  • O que o capitalismo vende?

    Postado em 59 de Caos de 3174 YOLD , às 6:39:57 Peterson Espaçoporto View Comments

    O capitalismo vende segurança: como diz meu professor de geografia, a mídia sempre quer ver todo mundo com a “teoria do cagaço” debaixo do braço. A TV cospe sangue em você; faz com que você ache que qualquer pessoa minimamente mal vestida está olhando atravessado pra você, e que a cada esquina um seqüestrador está escolhendo uma vítima (e que vai ser você, é claro). Ela quer fazer você ficar tão angustiado que você vai querer comprar tudo que eles vendam como segurança, além de consumir mais comida e banalidades por causa da sua angústia. Afinal, pra onde as mulheres vão quando querem se distrair? SHOPPING, não é?

    O capitalismo vende personalidade: As pessoas querem viver numa zona de segurança, algum lugar abstrato confortável, que está entre a normalidade e a personalidade exclusiva. Na verdade há duas motivações para as pessoas quererem se sentir “diferentes”. A primeira é a agonia da normalidade, e das duas é a “Menos ruim”. É quando alguém percebe que simplesmente se parece demais com “todo mundo” e com “estereótipos”, então tenta mudar e ganhar alguma coisa como uma “personalidade própria”. A outra motivação é que a sociedade em geral faz você acreditar que é normal ser diferente (em questão de personalidade), de forma que se você não é minimamente diferente, você não é normal – e aí algumas pessoas iriam à loucura se não se encaixassem nessa “normalidade”. A questão é que, por qualquer motivo que seja, você acredita que precisa ser diferente a qualquer custo, e antes esse fosse o problema. O problema é que é uma crença de superficialidade; as pessoas pra serem diferentes fazem algo no cabelo, compram roupas “diferentes” ou “que dizem mais” sobre elas, aprendem algumas expressões de determinado grupo social, e compram variados produtos que custam mais caro por causa do fator “exclusividade”. Um iPod já é caro, mas uma versão limitada, sei lá, autografada pelo U2 (uma vez já existiu uma assim) custa mais caro. E quem “se identifica” vai lá e compra. O capitalismo vende personalidade: pras pessoas, ser diferente é comprar a diferença.

    O capitalismo vende utopias: Você acha que a anarquia é utopia? Utopia é achar que felicidade é casar, ter filhos, viver trabalhando que nem um condenado pra sobreviver e sobrar um dinheiro pra no fim da vida ficar sem fazer de nada numa casa de praia. Essa é a imagem ideal de muitas pessoas: quando é perguntado a elas sobre felicidade, ou elas respondem um amor, ou os filhos, ou uma velhice segura. Aqui está um estereótipo: pôr-do-sol. Praia. Crianças brincando em slow motion. Ondas calmas. Um idoso com sandálias chiques, óculos escuros impecáveis, apoiando os braços atrás da cabeça e deitando, curtindo o pôr-do-sol… Parece propaganda do Itaú, certo? Então. Todos os seus sonhos de felicidade são na verdade remédios pros seus medos. Medo e impossibilidade de ficar sozinho, medo instintivo e primitivo de não passar os genes adiante, e medo memético, que vem da insegurança social dos dias de hoje, de sofrer na velhice ou mesmo ficar pobre antes disso, etc. As pessoas não querem mais nada da vida, não ousam ir além, se contentam com o pouco que lhes aplaca as ansiedades – e é pior, pois se contentam em nem mesmo pensar sobre isso. Isso não é vida. Isso não é felicidade. Isso é utopia.

    E, é claro, tem alguém lucrando com os casamentos, muita gente lucrando com filhos e com o trabalho, e muita gente lucrando com casas na praia.

    E, acima de tudo, o capitalismo vende distração: Se não houvesse nada pra te distratir, mais pessoas pensariam que talvez a mídia manipula demais as informações, que talvez não é preciso muito pra ser diferente, e não é um grande objetivo de vida ser diferente – ou melhor, se encaixar no modelo padrão de “ser diferente” – e mais pessoas avaliaram o que desejam pras suas vidas. E assim as coisas mudariam. Mas como as pessoas não são tão sérias (e ainda bem que não são, sob certo ponto de vista!) elas gostam de uma diversãozinha. O problema é que não sabem usar com moderação. Transformam a religião, o pão e o circo em ópio pras mazelas silenciosas da existência.

    E tem muita gente lucrando com isso.

    • Hum. Se você diz... oO
    • jonas
      ai galera sou totalmente a favor do capitalismo
      em historia nos vamos faser um debate
      um lado socialismo o outro capitalismo
      e o meu lado é socialismo!!!!me ferrei
    • É um ciclo que se expressa em diferentes níveis. Na faculdade é possível ver grupos pelos cursos de graduação - em cada um as pessoas tem um modo específico de se vestir e andar. Só de olhar para alguém você diz que curso a pessoa faz. É uma pseudo necessidade para se integrar dentro de algum grupo: ser rotulado.
      O capitalismo paga contas e cria mais contas. Somos levados a crer que somente ele pode proporcionar o conforto que realmente precisamos. Qual seria a graça da vida sem a possibilidade de comprar? Há um mundo lá fora, pronto para ser explorado... e as pessoas preferem ficar dentro de shoppings decidindo que roupa comprar ao invés de apreciar um dia de chuva.
      Tem como mudar, só que daria muito trabalho e somos pré-condicionados a não tomar atitudes, causar o caos e pensar. Além do mais, não é qualquer um que abriria mão de seu iPod e lutaria por um sistema diferente. As pessoas sofrem - e gostam disso.
    • Darto
      Não esquecendo que quem está lucrando com o capitalismo provavelmente está pensando em ter/manter seus filhos, pagar por sua "individualidade" e ter uma velhice confortável. Se não está pensando nisso, está o fazendo inconscientemente.
      Quem faz a mídia também.
      Será que tem alguém livre disso, alguém que mantém os outros nesse "capitalismo ruim" mas não se submete ao mesmo?
      Se todos sofrem com o capitalismo, ele estaria mais para "escolha" do que para "imposição", e a resistência da mudança só existe porque, em algum momento, a maioria aceitou o estilo hoje vigente.
    • Eu sou a favor do capitalismo quando se fala em economia de uma nação, quando partimos para o lado mídia o capitalismo acaba tornando-se 'maléfico', no meu ponto de vista. Mas afinal, nem tudo é perfeito. antes o capitalismo que o comunismo
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